Retratos do lado de fora

(fotos: Isaumir Nascimento / publicadas com a permissão do autor)

Durante uma semana o fotógrafo Isaumir Nascimento esteve no parque do Ibirapuera com o projeto Retratados em São Paulo, fotografando os freqüentadores do parque. No final de semana seguinte as fotos foram montadas em forma de painel e os personagens eram convidados a voltar ao parque para retirar seus retratos.

Segundo as estatísticas oficiais (a pesquisa Origem-Destino do Metrô, de 1997), 300 mil paulistanos usam diariamente a bicicleta como meio de transporte.

Quem anda pelas ruas da capital sabe que o número de bicicletas em circulação é muito maior. A pesquisa do metrô, principal estatística sobre mobilidade na capital, considera apenas o modo prioritário de transporte, ou seja, não leva em conta o senhor que anda de ônibus mas foi passear no parque depois do expediente, a senhora usa taxis e foi buscar pão na padaria, o garoto vai de metrô, mas foi até a casa do amigo depois da escola em sua bicicleta….

Somos muitos, cada vez mais a ocupar as ruas com nosso veículos sustentáveis, girando pedais e construindo um mundo de convivência e sustentabilidade.

Infelizmente os olhares dos administradores públicos, pesquisadores acadêmicos, técnicos e planejadores urbanos seguem voltados para atender a demanda da minoria da população que utiliza automóvel. Talvez porque eles, administradores, acadêmicos, técnicos e planejadores façam parte dessa minoria que só se desloca pela cidade dentro de automóveis. E quem já experimentou o “lado de fora” sabe o quão limitada é a visão de um motorista sobre a realidade.

Equação simples

– A indústria automobilística bateu mais um recorde de vendas em maio. Foram 211 mil veículos a mais nas ruas, o maior número já alcançado em toda a história das fabricantes no Brasil.- No último feriado (de 6 a 10 de junho), 50 pessoas morreram em “acidentes” de trânsito apenas nas rodovias estaduais de São Paulo.

– A cidade de São Paulo é a 5a cidade mais poluída do mundo.

Algum matemático para montar a equação?

25 contra (G)8 – 25 against (G)8


“Danger, G8 in action”

Um cheiro ruim tomava a Praça do Ciclista na manhã da última sexta-feira. Era Dia de Ação Global contra as Mudanças Climáticas e o G8. Em diversas partes do planeta, as pessoas ocupavam as ruas para dizer não à inércia dos 8 líderes reunidos atrás de grades e exércitos na Alemanha durante a cúpula do G8.

A bad smell surrounded Bicyclist’s Square last friday morning, Global Direct Action Day against G8 and Climate Change. All around the world, people relcaimed the streets to say no to the letarghy of the 8 leaders that met in Germany behind fences and armys.

[álbum de fotos / photo album]

[ações internacionais / international actions]

Em São Paulo, 25 seres humanos reunidos para celebrar a vida, a convivência e a sustentabilidade em uma Bicicletada pela vida. Na Alemanha, apenas oito seres humanos decidiram manter a guerra, o desperdício e o consumo predatório que segue destruindo vidas e o planeta.

In Sao Paulo, 25 human beings joined to celebrate life, sustainability and the act of living togheter in a Critical Mass ride for life. In Germany, there’re only 8 human beings deciding to keep war and preadatory waste of resources that destroys the planet and kills lifes all around the globe.

A manhã na Praça do Ciclista teve o plantio de uma árvore, em homenagem ao morador de rua morto por um automóvel no último dia 25 de maio, madrugada que antecedeu a bicicletada daquele mês. O homem, de nome ainda não descoberto, foi morto enquanto dormia.

A tree was planted on Bicyclist’s Square. It was in honor of a homeless man that was sleeping below the Square and was killed by a car on may 25th, a few hours before may Critical Mass take the streets to celebrate life.

“Please contribute to (stop) the revolution”

Primeira parada: Consulado Italiano. Fiats, Ferraris, Masseratis, Lamborghinis e Berlusconis matam milhares de seres humanos a cada ano.

First stop: Italian Consulate. Fiats, Ferraris, Masseratis, Lamborghinis and Berlusconis kills thousands of human beings every year.

Segunda parada: sede da Petrobrás. Transformar o brasil em um imenso canavial para sustentar a locomoção irracional pelo automóvel não é solução energética nem ecológica, mas sim a manutenção do estado de guerra e destruição ambiental.

Second stop: Petrobrás building, the brazilian fuel company. The plan to make Brazil become a huge cane brake is no energetic or ecological solution, but only a way to fuel an obsession and keep the state of war, enviromental destruction and irrational mobility standarts.

Desmontados das bicicletas, em direção à terceira parada: Consulado do Japão. Hondas, Toyotas e Mitsubishis matam outras milhares de pessoas por ano em todo o mundo.

Off the bikes on the crosswalk, going to the third stop: Japan Consulate. Hondas, Toyotas and Mitsubishis kills thousands of people every year all around the world.

Quarta parada: Consulado Francês. Renaults e Peugeots poluem tanto quanto os outros. Em São Paulo a poluição mata cerca de 8 pessoas por dia. Mais da metade da poluição atmosférica da cidade vem dos automóveis particulares.

Fourth stop: French Consulate. Renaults and Peugeots pollute as much as the others. In Sao Paulo, air pollution kills about 8 people a day. More than a half of the air pollution comes from private cars.

Still We Ride

Quinta parada: Consulado Alemão. Mercedes, BMWs e Audis propagam valores individualistas, estimulam a agressividade e colaboram com o estado de guerra em que vive o planeta.

Fifth stop: German Consulate. Mercedes, BMWs and Audis spread individualism and agressivity, contributing to the planetary state of war.

Who makes profit on that?

Na frente do consulado inglês, a terra em perigo nas mãos do poodle de guerra Tony Blair.

In front of British Consulate, Earth on Danger on the hands of war poodle Tony Blair.

Eles reciclam o lixo de São Paulo.

They’re responsible for recycling in São Paulo.

Love against war.

Ethanol is a lie.

Mr. Puttin was’t there.

We’re traffic.

Massa Crítica na Daslu, a loja da high society paulistana. O G8 da garôa parece ter nojo da própria terra: frases em inglês logo na entrada, serviçais vestindo roupas de mordomo francês, ali do lado do fétido rio Pinheiros e da miséria do terceriro mundo.

Critical Mass at Daslu, the store where the richest people in Brazil shops. Our “G8-people” shop there and seems to feel nausea about their own land: english written phrases, employees dressing french butler clothes, just beside the polluted Pinheiros river and surrounded by third world favelas.

Consulado canadense no World Trade Center São Paulo: a Terra em perigo (e não é por causa do Bin Laden).

Canadian consulate on World Trade Center Sao Paulo: Earth in danger (and it’s not because of Bin Laden).

Consulado estadunidense. Do lado de fora, parece Guantánamo.

U.S. Consulate. Outside, it looks like Guantanamo.

Recado para Mr. Bush na frente do Consulado.

Note to Mr. Bush: “Brazil isn’t a cane brake / G8: State Terror”

66 anos de idade, 22 anos pedalando.

66 years old, 22 years riding.

Um presente da Bicicletada: um carro a menos!

A gift from Critical Mass: one less car!

Fume, corra, mate, morra


(propaganda em maço de cigarro)

Ayrton Senna não fumava.

Não é neblina e a culpa não é do inverno


(sábado, 09 de junho, 12h)
A mídia de massa (bancada em boa parte por anúncios de automóveis) andou chamando a poluição da última semana em São Paulo de “neblina”.

Quem respirou em São Paulo nos últimos dias sabe que a névoa paulistana é muito mais suja do que uma simples condensação de partículas de água na altura do solo.

Em inglês, o termo mais adequado para definir o fenômeno é “smog”, uma mistura de “fumaça” (smoke) com “fog” (neblina). Para desinformar os paulistanos sobre o estado de calamidade (e garantir os anúncios de máquinas poluentes chamadas “Eco”), a mídia opta sempre por esconder as causas e falar apenas das conseqüências.

Com a proximidade do inverno, começa a enxurrada de matérias atribuindo o céu cinza ao fenômeno climático chamado de inversão térmica. De fato, “tampa atmosférica” que cobre o céu paulistano durante esta época do ano é real e impede a dispersão dos poluentes. Mas será que a podridão que vemos no horizonte é causada pela inversão térmica ou pelos escapamentos dos quase 6 milhões de automóveis da cidade?

Ao abordar a péssima qualidade do ar, a mídia corporativa nunca utiliza fotos de automóveis com o céu poluído ao fundo. O enfoque das reportagens sobre poluição é sempre o mesmo: como se proteger do ar podre. Nunca vi uma matéria em um jornalão dizendo “deixe o seu carro em casa, use o transporte público, vá a pé ou de bicicleta”.

A tentativa de atribuir as 10 mortes diárias, as crises de asma, o agravamento de crises respiratórias e o céu cinza à fenômenos climáticos cumpre o seu papel: isentar a indústria automobilística e o uso excessivo dos automóveis da culpa.

Na semana que passou, a filha da faxineira que trabalha aqui em casa telefonou à mãe dizendo que as inalações que estava fazendo não estavam surtindo efeito. Com 10 anos de idade, a menina sofre de bronquite e tem o quadro agravado nesta época do ano. Ao final da conversa telefônica, a mãe me contou a história, terminando a frase com o tradicional “também, com esse tempo não tem jeito”…

A família da menina não possui automóvel, mas como tantos outros paulistanos é vítima da mídia de massa, da falta de atitude dos governantes, da indústria automobilística e dos 30% de paulistanos que possuem carro.

Uma outra mídia é possível

Enquanto a mídia corporativa (em especial a brasileira) segue sua política de terrorismo, desinformação e publicidade travestida de jornalismo, as fontes alternativas de produção e distribuição de informação dão um baile de criatividade e competência.

Desde o dia 2 de junho está no ar a G8-TV. Direto de Rostock, na Alemanha, o canal de TV pela internet vem realizando uma cobertura audiovisual diária das atividades de contestação ao G8. Imagens e depoimentos que você nunca verá na mídia comercial.

Todo dia, às 16h (horário de Brasília), um telejornal com 20 minutos de duração, ao vivo pela internet. Os vídeos exibidos ficam arquivados e podem ser baixados pela web ou por um cliente de bittorrent.

As produções, licenciadas em copyleft ou creative commons, são bilíngües (alemão e inglês), sendo que alguns programas contam ainda com legendas colaborativas em outros idiomas (inclusive o português).

Se você escolher baixar os vídeos para o seu computador, precisará de um tocador de mídia compatível com o formato ogg. Fica a sugestão: VLC, o melhor tocador de áudio e vídeo disponível. Tudo livre e de graça. Porque informação não é mercadoria.

Vídeo da bicicletada de maio

O André Pasqualini, do CicloBR, gravou, editou e publicou um belo vídeo da bicicletada de maio em São Paulo.

Bicicletada contra as mudanças climáticas e o G8 – sexta (08), 10h


(clique na imagem para ampliá-la)

Na próxima sexta-feira (08), pessoas de todo o planeta ocuparão as ruas para celebrar alternativas sustentáveis de vida e contestar a falta de políticas efetivas para lidar com as alterações climáticas que ameaçam o planeta e a vida humana.

Trata-se de um Dia de Ação Global Contra as Mudanças Climáticas e o G8. Em São Paulo acontece uma bicicletada, a massa crítica nas ruas. O encontro será às 10h, na Praça do Ciclista (av. Paulista, altura do n.2440).

Como sempre, basta aparecer com um meio de transporte não motorizado (bicicleta, patins, skate…). Alegorias, fantasias, cartazes e panfletos com o tema do encontro são muito bem-vindos.

O G8 e as mudanças climáticas

Entre 6 e 8 de junho, os líderes dos 8 países mais ricos (e/ou bem-armados) do mundo estarão reunidos na Alemanha para discutir o futuro do planeta. Na pauta das reuniões do chamado G8, a catástrofe climática que se anuncia para as próximas décadas: enchentes, desertificação, derretimento da calota polar, extinção de milhares de espécies, migrações forçadas, fome e epidemias que afetarão especialmente os países e as comunidades mais pobres.

Os países do G8 são historicamente os grandes responsáveis pela devastação ambiental e humana que varre o planeta. O projeto de desenvolvimento baseado no consumo predatório de recursos naturais, na descartabilidade de produtos e na adequação de territórios e populações aos interesses de meia dúzia de corporações e especuladores globais está ruindo. A humanindade e o planeta não são capazes de suportar os padrões de vida, produção e consumo impostos pelo G8.

Neste começo de século, torna-se imperativo construir novas estruturas sociais baseadas na distribuição de riquezas, na convivência pacífica entre as pessoas e na utilização sustentável dos recursos naturais e humanos. As soluções apresentadas pelo G8 sempre estiveram pautadas no exato oposto: concentração, guerra e desperdício.

Os oito países que se encontram na Alemanha são responsáveis por mais da metade das emissões de gases de efeito estufa no planeta. Apenas um país (os EUA) foi responsável por 43% das emissões de carbono desde 1992 (data em que todos os países se comprometeram a reduzir suas emissões).

Atualmente, meia dúzia de corporações multinacionais sediadas nos países ricos tentem controlar a produção e o comércio em todo o planeta, padronizando alimentos, hábitos e culturas.

O dinheiro gasto com guerras por combustível e invasões militares poderia facilmente ser investido na reversão da catástrofe iminente. Mas os países reunidos no G8 preferem utilizar seus recursos e exércitos para preservar sua hegemonia e manter formas de vida incompatíveis com a sobrevivência humana no planeta.

O G8 conta com a subserviência de países periféricos, que insistem em se manter como produtores de matéria prima e fornecedores de mão de obra barata. O Brasil, por exemplo, tem aceitado passivamente se tornar um grande canavial, propagando a mentira de que basta substituir uma fonte de energia por outra para resolver o problema, quando o imperativo é a racionalização do consumo e a melhor distribuição dos recursos existentes.

Mesmo com as cercas, bombas e barricadas montadas a cada encontro dos donos do mundo, a humanidade vem reagindo aos abusos, construindo estruturas sustentáveis de vida, propagando valores de convivência, questionando as políticas bélicas e predatórias, estimulando a diversidade e a tolerância entre as pessoas.

Dia internacional do meio ambiente


(São Paulo, manhã de terça-feira)

Para melhorar o seu meio-ambiente:

– Deixe o carro em casa sempre que possível : ele polui o ar, congestiona as ruas, degrada a cidade, causa estresse e favorece o sedentarismo
– No espaço de 3 carros (geralmente com uma pessoa) pode circular um ônibus com 60 passageiros ou 20 ciclistas
– Use transporte coletivo : alguns minutos a mais no seu percurso tornam a cidade melhor para todos
– Participe das discussões sobre transporte público e exija das autoridades melhorias no sistema do metrô e ônibus urbano
– Em distâncias até 6km, vá a pé ou de bicicleta : além de fazer exercício e economizar, você verá a cidade com outros olhos
– Respeite o ciclista e o pedestre : eles têm igual direito de circular nas ruas com segurança
– Ao ultrapassar uma bicicleta, reduza a velocidade e mantenha distância. Nas faixas, a preferência é sempre do pedestre (a não ser que exista semáforo específico). Respeite as calçadas, as áreas verdes e jardins e os rebaixamentos no meio-fio.

Estas dicas foram retiradas deste panfleto, que é distribuído mensalmente pelos participantes da bicicletada paulistana e por ativistas de outras cidades brasileiras.


(imagem: www.shtig.net)

Nesta quarta-feira (06), acontece o seminário Impactos das Mudanças Climáticas e Cenários no Estado de São Paulo. A dica é do Panóptico. Programação e informações na página do IEA-USP.

Também na quarta-feira, às 19h, o Cinusp exibe o vídeo Sociedade do Automóvel. Informações aqui.

Verdes e cinzas

(encontrada pelo Lilx aqui)

Rádio CBN, ao acordar: “o ministro Guido Mantega prepara um pacote de ajuda à indústria automobilística, que está exportando pouco por causa da cotação do dólar”.

Maio foi o melhor mês da história brasileira para os senhores dos auto(i)móveis. Preparação para o suicídio coletivo no inverno? Tentativa de aumentar o número de oito mortos diários por causa da poluição em São Paulo? Um esforço para parar a cidade de vez?

Que a era dessa gente esteja perto do fim, senão seremos nós, as gentes de todo o mundo, quem irá desaparecer do planeta.