Impaciência

Enquanto a menina deitada no chão aguardava a chegada do resgate médico, escutava-se buzinas impacientes em todos os cantos do cruzamento. O atropelamento na tarde de segunda é cotidiano, chega a ser banal. Por dia, dezenas de pessoas ficam feridas nas ruas da capital. Por dia, quatro morrem vítimas de “acidentes” de trânsito.

Como solução, a CET resolveu investir bastante dinheiro em reforçadas grades para disciplinar a travessia dos perigosos pedestres. Radares, multas, redução de velocidade, aumento no tempo dos semáforos de pedestres? Nem pensar…

Na vaga? Não, na praça.

E para não perder o costume, nossos servidores da Polícia Militar também têm como rotina estacionar viaturas, vans e motos em cima da calçada. Por que seria diferente no largo do Arouche? Por que ocupar uma das 500 vagas de automóveis particulares na rua se existe uma praça bem grande à disposição?

Todo espaço é dinheiro

Adivinhe onde fica estacionada a van que vende os créditos da nova “zona azul eletrônica” do largo do Arouche?

Se você acredita que São Paulo é uma cidade educada e civilizada, deve achar que ela ocupa uma das 500 vagas do serviço pago de estacionamento público. Mas se você conhece a cidade, já adivinhou: a van fica estacionada mesmo em cima de uma “meia-calçada” na área da praça, para não ocupar espaço de estacionamento dos carros.

Somadas às 560 vagas da “praça” Charles Miller, o novo sistema de venda privatizada de tíquetes de estacionamento atinge 1060 vagas, ou mais de 6 mil metros quadrados de área pública destinadas ao estacionamento de veículos particulares na capital.

vaga viva 0.1


(foto: Eduardo Bernhardt)

Prévia do Dia Sem Carro no Rio de Janeiro:
vaga viva montada ontem (terça, 12) pela Transporte Ativo.

É possível, rápido e vale a pena

aula de bicicleta para crianças em Portland
(imagem: bike portland)

Em 10 anos a cidade de Portland (EUA) aumentou em 65% o uso do transporte público, evitou o aumento de 40% previsto para os congestionamentos e teve um crescimento de 257% no uso de bicicletas.

No mesmo período em que os EUA aumentavam em 13% suas emissões de gases de efeito estufa, a cidade de Portland reduziu suas emissões para níveis inferiores aos de 1990. Com os incentivos ao transporte público e aos meios não-motorizados, a cidade evita 62 milhões de viagens de carro a cada ano.

Tudo isso em apenas 10 anos, ou seja, “dois prefeitos e meio” aqui no Brasil…

Dia Sem Carro: uma incógnita em SP


(reprodução: prefeitura.sp – Dia Sem Carro)

Está no ar o site oficial da Prefeitura de São Paulo para o Dia Sem Carro 2006. A inciativa virtual partiu da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

Infelizmente as atividades reais para o 22 de setembro ainda estão capengas na capital do automóvel. Apesar da lei que instituiu o Dia Sem Carro na cidade em 2005, as frentes oficiais que julgam importante botar a cara a tapa questionando o uso excessivo do automóvel são essencialmente a SVMA e a vereadora Soninha.

Na semana que passou, diversas idéias discutidas pela sociedade civil (durante a Bicicletada de agosto ou em conversas com ONGs como a Transporte Ativo) foram levadas para uma reunião na SVMA. Antes do feriado foi enviado um pré-projeto resumindo as sugestões de atividades feitas pelas diversas frentes e pessoas ligadas ao tema.

A semana que começa hoje é decisiva para o Dia Sem Carro em São Paulo. Faça o download do pré-projeto, divulgue para grupos e pessoas interessadas no tema e, se tiver interesse, entre em contato o mais rápido possível através do e-mail disponível no documento.

Veja também:
[programação nacional da jornada Na Cidade Sem Meu Carro]

Terroristas

Palácio “La Moneda”, Chile, 11 de setembro de 1973.

Dois combustíveis

Regras para usuários de bonde – por Machado de Assis

“Ocorreu-me compôr umas certas regras para uso dos que frequentam os bonds.

O desenvolvimento que tem tido entre nós este meio de locomoção, essencialmente democratico, exige que elle não seja deixado ao puro capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do que alguns extractos do meu trabalho; basta saber que tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.”

Cadê a calçada?

Andar à pé na capital do automóvel não é fácil. Apesar da lei que exige pelo menos 1,20m de área livre em todas as calçadas, não é difícil encontrar exemplos como o da foto acima, no bairro nobre do Itaim Bibi.

O direito de ir e vir de cadeirantes, idosos, pessoas com carrinhos de feira ou de bebê simplesmente não existe. Para os pedestres “comuns”, o jeito é andar pela rua ou se espremer entre os postes e a cerca viva.

Visite o fotolog Cadê a Calçada? e acompanhe exemplos cotidianos dos desafios enfrentados pelos pedestres.