Bicicletada por Oaxaca e por Brad Will em Nova Iorque

(foto: Jessie Carpenter – CMI-Nova Iorque)

Na última quarta-feira (01), mais de 60 ciclistas de Nova Iorque participaram de uma bicicletada em solidariedade aos povos de Oaxaca (México), que vêm sendo massacrados pelos governos federal e estadual daquele país.

A manifestação passou pela sede do New York Times, denunciando o silêncio da mídia corporativa em relação aos acontecimentos de Oaxaca, seguiu para o Consulado Mexicano e terminou em frente ao prédio das Nações Unidas.

Na sexta-feira (27), o jornalista novaiorquino Bradley Will, participante do critical mass e ex-bike-courrier, foi morto com um tiro no peito por paramilitares pró-governo enquanto filmava as barricadas populares em Oaxaca.

Diversas manifestações ao redor do planeta estão sendo organizadas em apoio à Oaxaca, inclusive no Brasil.

Um manifesto assinado por diversos intelectuais e artistas pede a retirada das tropas, a renúncia do governador Ulisses Ruiz, a libertação dos detidos e punição aos culpados pelas mortes. Entre os signatários estão Noam Chomski, Tariq Ali, Eduardo Galeano, Michael Moore, Danny Glover, Naomi Klein, Michael Hardt e Toni Negri.


(foto: onto / CMI-Nova Iorque)

Luís XV e as calçadas


foto também publicada no cadê a calçada?

A dependência pelo automóvel é engraçada: o sujeito paga R$6,00 pela “comodidade” de não caminhar algumas quadras no espaço público.

O medo de andar nas ruas “perigosas, violentas e abandonadas” somado à mania de ostentação da “Casa Grande” e à farta mão-de-obra vinda da “Senzala” consolidaram esta aberração urbana chamada “valet park”.

Estacionar a carruagem na porta porta do castelo era hábito comum entre os nobres da Idade Média. Vassalos e cocheiros encarregavam-se de alimentar os cavalos e providenciar um local seguro para o veículo. Em outras partes do mundo, os “valets” continuam destinados apenas aos muito bem-nascidos.

Em São Paulo, cidade que valoriza a combinação de fachadas neoclássicas com sistemas de segurança estilo Auschwitz, qualquer bodega possui “manobrista no local”. Falta só o tapete vermelho para que o condutor do veículo comprado em 3 anos de prestações se sinta um verdadeiro Luís XV.

A ironia fica para a pergunta “quantas vezes você foi assaltado dentro do carro ou teve o veículo roubado?”. Poucos motoristas responderão “nenhuma”, apesar da grande maioria se sentir mais seguro dentro de um veículo particular e morrer de medo das ruas por eles abandonadas.

Apocalipse Motorizado concorre a prêmio de melhor blog

O :.apocalipse motorizado está concorrendo ao prêmio “The Bobs – Best of The Blogs”, promovido pela agência de notícias alemã Deutsche Welle, que irá escolher os melhores blogs de 2006.

A disputa está na reta final e a votação vai até o dia 11 de novembro. O :.apocalipse motorizado está entre os 10 selecionados pelo juri a partir de indicações feitas pelo público.

Para votar, clique neste link, procure a seção “melhor weblog em português” e selecione a bolinha referente ao blog de sua preferência. Depois é só seguir até o final da página, preencher os dados solicitados e clicar em enviar.

Mais do que a honra de estar entre os 10 selecionados, fica a certeza de que os temas aqui abordados são pertinentes e que repensar a presença determinante do automóvel em nossas sociedades é um passo fundamental para a vida humana neste começo de século.

Além disso, fica também a certeza que existe vida além da pasteurização midiático-comercial que assola os grandes meios de comunicação.

Desde que surgiram, os blogs (assim como os Centros de Mídia Independente e outros meios alternativos) vêm cumprindo um papel fundamental na disseminação de informações que não passam pelo crivo editorial da chamada “grande imprensa”, presa a interesses econômicos ou às limitações inerentes ao ritmo industrial de preenchimento de páginas ou grades de programação.


A placa instalada pela sociedade civil durante o Dia Sem Carro
permanecia na frente da prefeitura até o último sábado (28)

A comunicação alternativa e a utilização de tecnologias de rede permite ações muitas vezes surpreendentes e inesperadas, que seriam impossíveis dentro das estruturas convencionais de organização da sociedade.

Hoje existe no Brasil uma rede considerável de troca de informações, articulação de idéias e atividades que permite dizer “estamos vencendo”. Mesmo com os automóveis entupindo ruas, páginas de jornais, mentes e horários de televisão e rádio, é fantástico perceber a velocidade com que pessoas se juntam para trocar informações e realizar ações diretas de transformação da realidade.

Basta dar uma olhada no relato do Dia Sem Carro de 2006 ou nos links da seção “boa vizinhança” para ver a qualidade e o potencial destas articulações.

Por fim, fica o profundo agradecimento a todos que seguem construindo cidades mais humanas, com menos poluição, menos barulho e mais convivência entre as pessoas.

Agradecimento especial ao Ned Ludd, autor do livro Apocalipse Motorizado, que além de organizar uma obra que é referência no tema, permitiu a utilização do nome nesta publicação virtual. Aos parceiros das bicicletadas, aos amigos da Transporte Ativo e aos autores de outros blogs, que realizaram tantas pequenas grandes coisas ao longo dos últimos anos. E também ao amigo Bruno Favaretto, que fez o projeto gráfico original do site e ensinou o básico sobre HTML.

* Leia também o texto “Estamos vencendo”, de Pablo Ortellado, disponível para download no Disco Virtual. O texto foi extraído do livro homônimo, que traz ainda belas fotos de André Rioky e conta a história dos movimentos de resistência global no Brasil.

Questão gramatical


142 páginas de anúncios e cadernos especiais de três montadoras
prometendo felicidade, dinheiro e um mundo perfeito
nos três maiores jornais de SP no sábado seguinte ao Dia Sem Carro

Ocultar a destruição ocasionada pelo uso excessivo dos automóveis com malabarismos lingüísticos é tarefa importante da mídia. Congestionamentos e poluição geralmente são tratados como fenômenos naturais, algo que simplesmente acontece, como a chuva.

Mortes no trânsito, ainda que tenham como principal razão o excesso de velocidade e o comportamento do motorista, são chamadas de “acidentes”, como se todas as condições prévias não estivessem dadas.

Duas notícias da Folha de São Paulo:

Pedestre morre atropelado na Vila Olímpia

Ônibus bate em poste e deixa feridos na zona norte de São Paulo

No primeiro caso, o agente da frase é o pedestre, ou seja, parece que o cidadão se matou ao ser atropelado por um carro. Testemunhas relataram que o homicida estava em alta velocidade. Logo, o título mais óbvio e completo para a notícia seria “motorista em alta velocidade mata pedestre na Vila Olímpia”.

Na segunda notícia, quem pratica a ação na frase é o ônibus, veículo dedicado àqueles que não conseguem comprar carro, portanto passível de atrocidades como atropelamentos.

Enquanto os feridos pelo ônibus ganham justa “inocência gramatical” no título escolhido pelo jornalista, a vítima fatal do automóvel ainda foi tratada como sujeito da ação (“pedestre morre”).

(dica: Danilo Martinho May)

Cidadania sobre duas rodas – pedal eleitoral no Rio de Janeiro

Alguns cariocas deram um belo exemplo de cidadania no último domingo (29)… e não foi apenas o ato de apertar algumas teclas na triste e sem graça urna eletrônica, que impede manifestações criativas durante a escolha compulsória dos nossos (?) representantes.


calçada de São Paulo no primeiro turno

Ao contrário de muitos paulistanos (e, certamente, “cidadãos” de outras partes do Brasil), eles não ocuparam espaço, não poluiram o ar, não atrapalharam pedestres e ainda aproveitaram o dia de votação para trocar idéias e transformar o espaço urbano em um local mais agradável.

informações e fotos do pedal eleitoral:
[blog.transporteativo.org.br]

[fotolog zé lobo]

Jornalista de mídia independente assassinado por paramilitares no México

(texto reproduzido do CMI)

Às 18:03 da última sexta-feira, 27 de outubro, o site do Centro de Medios Libres noticiou a morte de um voluntário da Rede Indymedia. Bradley Roland, voluntário do CMI Nova York foi morto com um tiro no peito em frente ao palácio municipal na cidade de Caliente, Estado de Oaxaca, México. Brad estava cobrindo o levante popular em Oaxaca e a resistência por parte da Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO).

De acordo com a Radio APPO, durante um ataque de um grupo paramilitar pró-governo a uma barricada da APPO, o voluntário e documentarista Brad foi atingido por um tiro no peito. Além dele, um fotógrafo do jornal Diário Milenio, Oswaldo Ramirez, foi ferido no pé. O CML ainda informa que a Polícia Federal Preventiva está invadindo Oaxaca e os paramilitares estão atacando a população civil em uma operacão chamada “caravana da morte”.

Na terça-feira (31), às 13h, acontece um ato em solidariedade aos povos de Oaxaca e contra o assassinato de Brad Will no consulado mexicano em São Paulo. O consulado fica na rua Holanda, 274.

No Rio de Janeiro o ato acontece na quarta-feira (01), às 11h. O Consulado do México no Rio fica na Praia de Botafogo, 242.

Red Bull deve R$5,6 mil aos cofres públicos – exibicionismo perigoso de fórmula 1 não custou R$37 mil

Ao contrário do que informou este site automobilístico, o custo do evento publicitário que colocou um veículo de Fórmula 1 para desfilar em ruas comuns de São Paulo foi de R$25.990,24, e não de R$37 mil (como afirmou o site).

Do valor total, R$20.387,74 já foram pagos. Os R$5,6 mil restantes ainda estão sendo cobrados.

Desta vez a informação tem fonte segura e oficial, ao contrário do site automobilístico, que divulgou a informação como vinda de uma “fonte graduada” (e oculta) da CET.

O e-mail enviado pelo apocalipse motorizado à CET fazia três perguntas. Confira abaixo as respostas do órgão de trânsito e, ao final, algumas considerações:

1) a empresa pagou os custos operacionais da CET? Se sim, qual foi o valor e, como cidadão e jornalista, onde posso consultar e comprovar este pagamento?

CET: O evento foi pago previamente pelo seu promotor. O custo total do evento foi de R$25.990,24, dos quais R$20.387,74 foram pagos previamente. A diferença deveu-se a acréscimo da prestação de serviço em vista de um replanejamento da atividade. Esta diferença está sendo cobrada. A constatação do pagamento pode ser feita em nossa Gerencia Financeira.

2) a empresa comunicou a CET com 45 dias de antecedência? Se sim, em qual data foi feita a comunicação?

CET: A solicitação do evento não considerou os prazos estipulados na legislação, mas pode ser atendido pela CET, como inúmeros outros eventos. A legislação é recente e ainda estamos educando a população com relação a prazos.

3) Quais foram os critérios que motivaram a CET a autorizar o evento, que permitiu um veículo atingir 250km/h em uma via onde o limite de velocidade é de 80km/h?

CET: O evento foi organizado e autorizado pela SPTuris, a SMSP (Secretaria das Supprefeituras), a Guarda Civil Metropolitana e pela CET, sendo estipuladas condições e restrições técnicas aos promotores do evento, as quais foram todas cumpridas: o itinerário foi totalmente segregado, dentro das normas de segurança viária, por meio de gradis, cavaletes e fita zebrada. Foi realizado de madrugada, sendo monitorado pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana, com disposição de agentes da CET ao longo de todo o trajeto. O horário previamente estabelecido foi cumprido rigorosamente. Cabe observar, finalmente, que os radares ao longo do percurso não registraram a velocidade alegada pelo missivista.

A informação a respeito das medidas de segurança não condizem muito com o que aconteceu. Basta assistir ao vídeo para ver que não haviam gradis, nem ao menos fitas zebradas segregando o trajeto do carro de Fórmula 1. A não ser que “segregar” seja apenas separá-lo apenas dos outros carros, desconsiderando (como de praxe) a segurança de pedestres, ciclistas e outros entes do trânsito.

O pedestre da foto acima, por exemplo, atravessa livremente a rua dois segundos antes do bólido passar. Dos ítens de segurança citados, só é possível ver cones para interditar o trânsito e cavaletes para impedir o estacionamento de veículos no trajeto a ser percorrido.

Outro detalhe nada seguro foi o fato da outra pista da 23 de maio não ter sido interditada. Qual motorista não estranhou a ausência de carros na pista contrária, já que a avenida é o principal eixo viário da cidade, com fluxo 24 horas por dia? Qual motorista não pisou no freio e olhou para o lado quando o carro de Fórmula 1 passou? Qual motorista não foi surpreendido pelo “ronco estrondoso do motor”, que mexe com a libido dos “amantes da velocidade” e pôde ser ouvido a distância? Vale lembrar que chovia no momento da exibição.

Por sorte, não houve nenhum engavetamento. Por sorte, o pedestre que cruzou a rua estava 2 segundos adiantado. Por sorte o piloto do fórumula 1 não passou por nenhum buraco ou tampa de bueiro que jogasse o carro longe. Por sorte… Já que as medidas de segurança do evento estiveram bem aquém daquelas existentes em qualquer autódromo de corrida.

Cidade do Automóvel na TV Cultura

Depois de quase dois anos circulando por meios alternativos, milhares de downloads e quase duas centenas de cópias em DVD, o vídeo “Sociedade do Automóvel” será exibido em rede de TV aberta.

A exibição acontece no programa Campus da TV Cultura, às 9h30 da manhã do próximo sábado (28), com reprise na terça-feira (31), às 7h.

A versão “made for TV” é, na verdade, uma reedição do vídeo original. Os 39 minutos originais foram reduzidos para dois blocos de 11. A nova cópia também ganhou outro nome: “Cidade do Automóvel”.

“Cidade do Automóvel” trata de mobilidade e cultura do automóvel em São Paulo, a cidade que tem um carro para cada dois habitantes, uma taxa de ocupação de 1,2 pessoa por veículo e índices de congestionamento, poluição, estresse e agressividade cada vez mais altos.

No lugar da praça, o shopping center; no lugar da calçada, a avenida; no lugar do parque, o estacionamento; em vez de vozes, motores e buzinas. Uma reflexão audiovisual sobre o uso excessivo do automóvel e suas consequências urbanas, ambientais e humanas.

Confira na tevê ou assista a versão original na internet.

Eu destruo, você preserva

Se fosse um animal de verdade, o macaquinho bem que poderia estar no capô do carro, todo ensangüentado ou em pedacinhos, depois de ter sido atropelado em uma estrada qualquer.

Capas de pneu das caminhonetes que carregam geralmente uma pessoa e quase sempre circulam apenas na cidade são uma amostra incrível do que é a cultura do automóvel.

Essa artimanha deve servir como tentativa subliminar para aliviar a consciência dos motoristas. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Coloque um macaquinho e uma frase bonita e esqueça que a cultura do automóvel é uma das maiores responsáveis pela destruição do meio ambiente, especialmente aquele onde vive o ser humano.

Além de ser o principal responsável pela poluição em São Paulo, o carro desintegra a noção de convivência em sociedade, expande a cidade, degrada o espaço público e ocupa muito espaço com circulação e estacionamento.

Passe Livre – jornada nacional no dia 26


(imagem: mpl-sp)

Quinta-feira (26) acontece mais uma jornada nacional do movimento Passe Livre, que reivindica “transporte público de verdade, sem exclusão social, e a participação da população na gestão”.

Em São Paulo o encontro é na Praça da Sé, às 13h30.

Ao final do dia, às 19h, o Felco realizará uma mostra de vídeos sobre o tema na Praça do Patriarca.

Vale a pena escutar essa palestra de Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes na gestão de Luiza Erundina (1990-1992) como prefeita de São Paulo.

Programação em outras cidades para o dia 26:
[ABC], [Curitiba], [Distrito Federal], [Florianópolis], [Joinville]