Cidade dos 4×4


(reprodução: SUV City)

A dica é do Mountain Bike-BH: uma animação (em inglês) chamada SUV City, que pode ser vista no YouTube.

O filmete fala sobre o universo dos “Sport Utility Vehicles”, aqueles carros estupidamente grandes, que gastam muito combustível e ocupam muito espaço nas ruas.

Os tanques de guerra urbanos contrariam a necessidade de reversão imediata da destruição ambiental, dificultam a construção de cidades com melhores condições de vida e estimulam a agressividade.

Vale a pena dar uma olhada na animação.

Arquitetura da destruição

Para o rei carro entrar em seu castelo, construímos escadas no lugar das calçadas, confinamos deficientes físicos e visuais em suas casas e proibimos a circulação de idosos.

A cidade inteira está repleta de cenas como esta.

Diz a lei automobilista que a responsabilidade de zelar pelas calçadas é do proprietário do “lote lindeiro”. Já aos cofres públicos, cabe a árdua tarefa de zelar pelo asfalto das ruas, tapando buracos a cada dia e trocando o asfalto a cada prefeito.

Já que os interesses públicos e privados se misturam em benefício do segundo, temos milhões de reais gastos com asfalto e nenhum tostão investido nas calçadas.

Em São Paulo existe um programa de orientação para que o proprietário do imóvel adeque sua calçada aos padrões estabelecidos. Como não há fiscalização nem obrigatoriedade de seguir os padrões de acessibilidade, os proprietários dos imóveis continuam a julgar que o mais adequado é transformar sua calçada em rampa de acesso às garagens.

Clipping e nova busca nos arquivos

O cartaz acima é chileno, foi encontrado no site do Movimento Furiosos Ciclistas, que faz parte do clipping disponível a partir do último final de semana aqui no blogue.

Para acompanhar em tempo real as atualizações nos sites que fazem parte da boa vizinhança do :.apocalipse motorizado, basta clicar nos ícones ou na barra lateral.

– o pageflakes permite a qualquer internauta o acesso às atualizações em tempo real dos sites que fazem parte da nossa boa vizinhança. Basta clicar no ícone e ele vai abrir como uma página qualquer (você pode inclusive guardar o endereço em seus favoritos).
– tem a mesma função do pageflakes, mas é mais indicado para quem é associado ao serviço.

O mecanismo de busca nos arquivos, que era provido pelo FreeFind, foi trocado pelo Google.

vídeo – bicicletada de abril em São Paulo

Bicicletada de abril

Apesar da chuva fina que foi e voltou o dia inteiro, 18 pessoas apareceram na Praça do Ciclista para a Bicicletada de abril em São Paulo.

Celebrando o transporte inteligente, a convivência entre as pessoas e a construção de alternativas para a vida em cidades. Conversa, arte, pedalada e pizza. Afinal, estamos em São Paulo…

Adesivos

Arte na praça

Camisetas

Calçadas depois da chuva

Panfletagem para humanizar o trânsito

Símbolo raro nos chãos de São Paulo: ciclofaixa no Ibrapuera.

Av. Faria Lima

Solidariedade

Carro ocupa espaço

Final da noite, de volta à Praça. Em maio tem mais. Concentração lúdico-educativa a partir das 18h, na Praça do Ciclista (av. Paulista, 2440)

álbum de fotos
vídeo
www.bicicletada.org
lista de discussão (cadastramento)

sábado de carro

Não é exagero afirmar que a indústria automobilística paga as tiragens dos três maiores jornais paulistas aos finais de semana.

Folha, Estado e JT trazem encartados nas edições de sábado cadernos especiais de 8 páginas com anúncios de três montadoras.

Se somarmos o dinheiro arrecadado pelos jornais com classificados e demais anúncios de carros publicados fora dos cadernos especiais, talvez seja válido dizer que o lobby automobilístico é responsável indireto pelo pagamento também dos salários dos jornalistas, fotógrafos e até da moça do cafezinho aos finais de semana.


(reproduções: anúncio em jornal de sábado)

Na semana passada, o caderno especial da Chevrolet (encartado no Estado de S.Paulo) se chamava “Chevrolet de Cinema”.

Os títulos são auto-explicativos do que se vende e da forma como uma opção de transporte é vendida como necessidade vital e sinônimo de liberdade.

E se você vai ao cinema, deve ter visto nos trailers o anúncio do Golf (nome de esporte chique), uma cópia invertida do filme Forrest Gump. No lugar da longa caminhada pelo mundo, o personagem da publicidade vende o tédio disfarçado de anestesia do ato de dirigir.

Na semana que passou o Conar (conselho de regulamentação publicitária) recomendou que a Fiat retire do ar o comercial de um carro que faz apologia à velocidade. A propaganda da Fiat é recheada por cenas de esportes radicais “para atrair o público jovem”. Não foi o primeiro abuso, nem será o último.Há dez anos, quem usava saltos de para-quedas em seus anúncios era a indústria tabagista. Os comerciais de cigarro foram proibidos.

As populações mundiais têm o direito de saber sobre a natureza danosa destes produtos, responsáveis por uma das maiores epidemias de saúde pública do mundo, que mata a cada ano 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, sem falar na destruição ambiental (vendida com selinho do IBAMA) ou nos inúmeros transtornos ambientais decorrentes do uso destes produtos.

sexta de bicicleta


(arte: luddista sobre foto da massa crítica de Budapeste)

Inspirados pelo movimento de Massa Crítica, habitantes de mais de 300 cidades ao redor do planeta pedalam mensalmente pelo direito de circular com tranqüilidade todos os dias.

A Bicicletada não é apenas um passeio, é uma celebração do transporte sustentável e dos espaços públicos e humanos das cidades.

Para participar, basta aparecer. Equipamento de segurança, cartazes e alegorias são recomendados.

25 de abril, 1974

Em Portugal comemora-se hoje os 33 anos da derrocada facista e o fim do longo governo autoritário implantado por Oliveira Salazar em 1933.

Na madrugada de 25 de abril de 1974, cabos, capitães e militares de baixa patente saíram dos quartéis, tomaram as ruas e, com o apoio popular, desencadearam a Revolução dos Cravos.

No pimenta negra, alguns vídeos sobre o assunto e também uma cronologia do 25 de abril. Afinal, como disse o autor do blogue Menos Um Carro, sem a Revolução dos Cravos, “provavelmente não haveria blogues. Ou os posts teriam de ser autorizados pela censura. Ou haveria um server da PIDE (polícia política da ditadura portuguesa) a registar o meu IP sempre que escrevesse um post ou um comentário. “

Totens e altares

(reprodução: carta capital)

Grata surpresa foi encontrar a matéria “O totem do capital” na edição desta semana da revista Carta Capital. A foto que abre o texto poderia ser complementada com a legenda: “pontes, túneis e viadutos são estruturas caríssimas que servem para ligar um congestionamento ao outro, esvaziam espaços humanos e consomem recursos de todas as ordens. Costumam gerar a ilusão de velocidade, que se transforma na angústia cotidiana do trânsito”.

(reprodução: carta capital)
Vale a pena ler a matéria inteira, que começa com o seguinte parágrafo “Assim como os antigos sacrificavam colheitas, gado e até os filhos a ídolos e ícones aos quais seus sacerdotes atribuíam poderes imensos e uma profundidade insondável, a humanidade da era industrial sacrifica tempo, espaço, riquezas naturais e, às vezes, as próprias vidas a essas máquinas às quais os publicitários atribuem virtudes igualmente mágicas. Até as guerras empalidecem ante as estatísticas do trânsito, sem que isso inspire tanto horror quanto seria de esperar. Trata-se de sacrifícios humanos socialmente aceitos.”

Piada pronta


(capas: veja)

Como disse um amigo, a Veja é uma publicação que acabou há mais de uma década, mas ninguém percebeu. Outros costumam chamar de panfleto facista, coletânea de crônicas da extrema direita. Gosto mais da definição de que a Veja é um guia de auto-ajuda com pitadas de terrorismo midiático para as classes médias.

Por razões jornalísticas, fui obrigado a adquirir a edição de 4 de abril. Tentei negociar com o jornaleiro a compra apenas do suplemento paulistano, mas ele não topou e tive que trazer para casa também a edição nacional, que foi direto para a reciclagem após uma rápida folheada no banheiro.


(reprodução: veja)

Veja São Paulo trouxe como matéria de capa “10 soluções para o caos”. Na versão impressa, a reportagem é precedida por anúncio em página dupla de um… automóvel.


(bicicletada de fevereiro-sp)

As 10 dicas são classificadas em “graus de viabilidade”, seguindo critérios de “custo financeiro e político”. Fala-se apenas no financeiro.

30% dos paulistanos possuem carros e andam praticamente sozinhos dentro deles.

A reportagem da Veja apresenta essencialmente paliativos para manter o paradigma insustentável de privilégio ao transporte individual motorizado às custas de fortunas saídas dos cofres públicos e privados, da degradação urbana e de muitas vidas perdidas.

A revista não cita em nenhum momento a necessidade de reduzir o uso do automóvel, não fala sobre bicicletas nem coloca a realização de pequenos deslocamentos a pé como uma necessidade urbana.

Não escreve uma linha sequer sobre a restrição ao estacionamento de propriedades privadas em espaços públicos, nem sobre restrições de velocidade e circulação, a não ser pela punição do motorista que desrespeita o “bom” andamento do fluxo ou através de cobranças de taxas dos motoristas.

Reduzir a velocidade do fluxo é uma necessidade para que pessoas possam circular com segurança em bicicletas, a pé, em motos, ônibus e até em outros carros.

Limitar o fluxo em algumas áreas ajudaria a evitar “acidentes” e preservar espaços humanos de cultura, lazer, arte, convivência, diversão, política, comércio…

Proibir o estacionamento de veículos em algumas ruas aliviaria o tráfego, além de permitir a construção de ciclovias, ciclofaixas ou espaços preferenciais para os ônibus. Com a restrição de estacionamento, seria possível também aumentar o tamanho das congestionadas calçadas, permitindo ainda a alforria de cadeirantes, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

Mas a revista não fala de nada disso e ainda coloca um sinal vermelho para os investimentos no transporte público, considerados “de baixa viabilidade” (política?). A única “dica” sobre o assunto começa assim: “ao contrário do que muitas autoridades afirmam, o transporte público sozinho não é capaz de resolver todos os problemas do trânsito”…

Na Veja, crianças dirigem carros e tapar buracos é prioridade

A primeira dica são as “pequenas medidas”. O primeiro ítem, “tapar buracos”… Segundo a revista, custa pouco renovar o asfalto de ruas e avenidas para aliviar os solavancos. Não é bem assim. Apenas na primeira etapa (de três realizadas até agora) do programa de recapeamento da atual gestão municipal foram gastos R$50 milhões. Com o uso intenso das ruas e a baixa qualidade do material utilizado, boa parte das vias recapeadas já está cheia de buracos.

No mesmo ítem, a revista ainda cita a pintura de faixas nas ruas (não as de pedestre, claro) e a diminuição do espaço entre as faixas de rolamento para acomodar a frota crescente de automóveis.

Em seguida, a revista sugere um rodízio eficiente, cuja solução está no aluguel de leitores de placa, ao custo de R$1,1 milhão ao ano. Mais fiscais de trânsito são bem-vindos, diz a terceira dica, considerada de “média viabilidade”.


Terrorismo midiático

Enfim, o transporte público aparece na quarta dica. Apesar do começo tenebroso, a revista fala sobre a necessidade de ampliação dos corredores de ônibus, de multar automóveis que circulam pelas faixas exclusivas e de modernizar os trens da CPTM.

Mas o bom senso durou pouco. Em seguida, uma sugestão lamentável para favorecer o uso do transporte público: construir garagens nas estações de trem para que o paulistano da periferia deixe o carro e siga de transporte coletivo até o centro. Ainda bem que o governo do Estado entende que a instalação de bicicletários é uma alternativa muito mais barata, eficiente e sustentável de integração dos bairros mais distantes com as regiões centrais.

A reportagem segue: multar mais é a quinta dica. A receita obtida com as multas teria, segundo a revista, um “efeito colateral”: o aumento no caixa da CET. Ué, mas a CET não é o órgão responsável pelo trânsito na capital? Explica-se: desde que a revista acabou, lá pelos anos 90, suas reportagens fazem a defesa incondional do Estado mínimo, da privatização de todos os serviços públicos. Dinheiro nos cofres públicos, para a Veja, é mau sinal.

E o que fazer com o montante arrecadado nas autuações? Construir um sistema cicloviário? Investir em transporte público ou em campanhas de educação? É claro que não. Seg
undo a Veja, o montante deve ser investido no controle do tráfego, alimentando a roda da fortuna: quanto mais automóveis circulando, mais recursos públicos gastos para permitir a circulação de mais automóveis.

Sobre as campanhas de educação, a revista destaca apenas um projeto entre tantos outros existentes e possíveis. Diz ainda que a CET recusou o tal projeto, apresentado há dois anos, e que o órgão gasta R$3 milhões em publicidade em 2006, valor superior aos R$500 mil da inciativa propagandeada.

Duas outras dicas trazem novamente a panacéia tecnológica como salvação para o caos. Pedágio nas regiões centrais, ao custo de R$250 milhões e controle automatizado de tráfego, pela bagatela de R$320 milhões.

“Metropoles do mundo todo perceberam que a única saída é administrar melhor o espaço disponível, investindo em tecnologia”.

O que as grandes metrópoles do mundo descobriram é a necessidade de restringir o espaço devorado pelos carros particulares. Nos EUA, 43% da área das cidades é ocupada pelos automóveis. A última cidade a adotar uma medida de impacto foi Sevilha (Espanha), que pretende proibir o trânsito de veículos particulares em todo o centro histórico.

A revista sugere ainda retirar de circulação os carros em más condições. Uma frase resume o raciocínio: “Esses carros atrapalham o trânsito, contaminam o ar e ainda podem causar acidentes”. É óbvio que vistorias permanentes e a renovação da frota são medidas necessárias, mas vale lembrar que, por princípio, todos os carros atrapalham o trânsito, contaminam o ar e causam acidentes.

O gran finale fica pela restrição aos caminhões, outro absurdo do privilégio individualista propagado pela revista. Ao contrário dos automóveis, os veículos de abastecimento desempenham função pública, alimentando o comércio e os setores de serviços. Para a Veja, os caminhões só devem circular durante a madrugada. Melhor atrapalhar o sono dos vizinhos do que o fluxo de automóveis.


(reprodução de tela: site da veja)

Um amigo que tentou comentar a matéria através do site da Veja foi atropelado, literalmente, por um carro em sua tela. “Desisti, foi demais pra mim”, comentou e mandou a foto.