A ilusão da liberdade ou o desespero cotidiano

Túnel Ayrton Senna, São Paulo.

Obra construída sob fortes indícios de superfaturamento.

Cada carro, uma pessoa

Cada pessoa ocupando 15 metros quadrados de espaço público.

Velocidade média: 10km/h.

Ônibus e bicicletas não podem circular no local.

Propaganda em 1996: aliviar o trânsito na região.

Finalidade em 2007: ligar um congestionamento ao outro.

[Para que servem os viadutos][Que congestionamento?]

Ainda sobre miopia e especulação

Enquanto a cidade de São Francisco tenta resistir aos especuladores imobiliários, em São Paulo até os programas habitacionais dedicados às classes baixas não escapam da cegueira automobilística.”Tem que ter pelo menos uma vaga na garagem”, afirmou ao JT o Secretário de Habitação Lair Krähenbühl.

Em São Francisco, os especuladores imobiliários querem derrubar o plano urbanístico da região central, que limita os empreendimentos novos a uma vaga para quatro apartamentos (e não quatro vagas por apartamento, como sonha a classe média paulistana).

Bicicletas são livres


Lindo vídeo da Bicicletada de junho em Curitiba

A cada mês se multiplicam as iniciativas e ações de pessoas ao redor do planeta em favor do transporte inteligente.No Brasil, cidadãos de Curitiba, São Paulo e Fortaleza vêm realizando Bicicletadas mensalmente, com um número cada vez maior de participantes e muita criatividade. Nos encontros de massa crítica, arte, alegria, convivência, respeito e diversão são os elementos básicos para contestar a primazia do automóvel e celebrar o uso dos transportes não-motorizados.

(bicicletada de julho em Fortaleza / foto: Pedro Mansueto)

Em portugal, a cidade de Aveiro se junta às irmãs Porto, Lisboa e Coimbra a partir de agosto. No resto do mundo, milhares de pessoas ocupam as ruas para celebrar a vida e o espaço público.

Trata-se de um movimento horizontal, uma iniciativa civil livre e sem hierarquia. Não é uma ONG, é um encontro de pessoas; usuários de bicicletas, patins, skates e patinetes que celebram mensalmente as alternativas ao caos motorizado.

Massa Crítica de Julho (vídeos):

[dançando em Vancouver]

[descendo em São Francisco]

[celebrando em Toronto]

[protestando em Chicago]

[de tandem na Filadélfia]

[na ponte em Londres]

Links úteis:

[www.bicicletada.org]

[panfletos e cartazes]

[blog da Bicicletada de Fortaleza]

[comunidade no orkut da Bicicletada de Fortaleza]

[site da Bicicletada de Curitiba]

[relatos, fotos e vídeos das bicicletadas em SP]

[comunidade no orkut da Bicicletada-SP]

Aparkalypse Now

(ilustração: Matt Smith / SF Weekly)

Não é apenas em São Paulo que a especulação imobiliária caminha de mãos dadas com a máfia automobilística.Em São Francisco (EUA), uma campanha liderada pelo bilionário republicano Don Fisher (fundador da grife GAP) e pela Webcor (gigante da construção civil) tenta desmontar o plano urbanístico da região central, consolidado a partir de 1983 com ampla consulta pública e participação da sociedade.

A “Iniciativa para Estacionamentos nas Vizinhanças” (ou Fisher’s Initiative) pretende aproveitar a readequação de uma antiga área industrial próxima ao centro da cidade para acabar com uma antiga norma do plano urbanístico: o limite de uma vaga de garagem para cada quatro apartamentos construídos na região.

Isso mesmo: no centro de São Francisco, prédios novos só podem ter uma vaga para cada quatro apartamentos!

Os argumentos da campanha se baseiam na falácia mercadológica de que o desejo dos consumidores é morar em locais com vagas de garagem. Os automobilistas também chantageiam a prefeitura, dizendo que, se a norma não for revogada, São Francisco irá perder empregos e negócios para as regiões vizinhas.

Não é o que mostra a história da cidade, onde até o luxuoso hotel Grand Hyatt foi construído sem nenhuma vaga para automóveis.

Empreendimentos imobiliários com muitas vagas para carros só tendem a agravar o estado de imobilidade das cidades. Uso do solo e políticas de mobilidade são conceitos itimamente relacionados.

Estima-se que cada carro em circulação consuma diariamente sete vagas de garagem em locais distintos. A equação é simples: mais vagas, mais carros, menos espaço para pedestres, ônibus, praças, parques, bicicletas e espaços de convivência humana.


Centro de SP – ao fundo, Bom Retiro e Luz, dois alvos da especulação
(foto: gira)

Em São Paulo, cidade onde os apartamentos de classe média possuem mais vagas do que moradores, a especulação imobiliária avança com força total para “revitalizar” o centro. Nos antigos bairros da Luz, Bom Retiro, Campos Elíseos e arredores, começam a pipocar os primeiros empreendimentos imobiliários voltados à classe média, todos com muito espaço para os carros.As ruas tranqüilas da região central de São Paulo, ainda que abandonadas há décadas pelas iniciativas pública e privada, ainda são um oásis para pedestres e ciclistas: calçadas largas, farta rede de transporte coletivo e ruas sem trânsito.

Se a “revitalização” em curso continuar baseada no fechamento de calçadões e servir apenas para atender aos anseios dos especuladores, é apenas questão de tempo para que os congestionamentos, a poluição e o barulho dos motores acabem com qualquer esperança de trazer vida à região.

[novela gráfica de Matt Smith no SF Weekly]

[Aparkalypse Now – Streetsblog]

Uma dobrável em Belém do Pará

No último sábado saiu o resultado da rifa promovida pela Transporte Ativo, em parceria com a Alternation.E o feliz ganhador da bicicleta dobrável Dahon Eco foi o ciclista Lauro, de Belém do Pará. Parabéns!

[detalhes do sorteio]

Bicicletada: festa de cinco anos


Praça do Ciclista, av. Paulista, alt. 2440
fotos: Cibol, Ilha da Fantasia e Juan Meira

Em julho de 2001, impulsionada pelas primeiras experiências de movimentos “anti-globalização”, desembarcava no Brasil uma iniciativa que já tinha quase uma década de vida nos EUA: os encontros de massa crítica, aqui apelidados de Bicicletadas.

A idéia é simples: ocupar as ruas com bicicletas, patins, skates e outros meios de transporte não-motorizados. “Não atrapalhamos o trânsito, somos trânsito”. Por se tratar de um movimento horizontal, caracterizado essencialmente pelo encontro mensal de ação direta, existem variações de objetivos e comportamentos da massa crítica nas diversas cidades onde acontece.


cartaz da primeira bicicletada em São Paulo – do livro “Estamos Vencendo”

A primeira Bicicletada de São Paulo foi chamada em julho de 2001 por grupos anticapitalistas que protestavam contra o G8 (seis anos mais tarde, outra Bicicletada tomou as ruas com o mesmo propósito).Em 2002, os encontros de massa crítica começaram a acontecer mensalmente.

O foco da Bicicletada voltou-se então para a resistência à cultura automobilística e para a promoção dos transportes não-motorizados, propagando a viabilidade dos veículos a propulsão humana e reivindicando os direitos de seus usuários.

Além da ocupação festiva das ruas, a Bicicletada de São Paulo sempre desempenhou caráter educativo com a distribuição de panfletos sobre os direitos e deveres de quem utiliza o transporte não-motorizado na cidade.

Com o passar dos anos, as concentrações “lúdico-educativas” trouxeram também a arte urbana para os encontros: construção de bici-carros, grafiti, confeccção de alegorias, cartazes e outras formas de intervenção no espaço público.

No começo de 2006, os participantes decidiram sinalizar as ruas em favor das bicicletas. Em fevereiro daquele ano, o ponto de encontro da Bicicletada foi batizado de Praça do Ciclista, recebendo placas indicativas em uma festa com música e exibição de vídeos. Um ano mais tarde, a mesma praça recebeu itinerários de ônibus instalados pelos participantes.

Ainda em 2006, os participantes da Bicicletada protagonizaram as atividades do Dia Sem Carro, realizadas em parceria com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

A “coincidência não-organizada” que propaga a paz no trânsito e a convivência nas ruas completou cinco anos de vida na última sexta-feira (27). Aproximadamente 50 pessoas compareceram à festa, que teve bolo, parabéns, bexigas, alegorias, confraternização e, claro, um rolê pelas ruas de São Paulo.

Um presente para a estátua.

Novas placas para a Praça do Ciclista.

Bici-bolo nas ruas.

A massa passa…

… respeitando os transeuntes.

Ciclistas…

… usuários de patinetes…

… e até pedestres celebrando a vida.

álbum de fotos

Panfleto para motoristas

Hoje é dia de Bicicletada em São Paulo e em várias cidades do planeta.No disco virtual, um novo panfleto educativo para motoristas.

Faça o download, imprima e tire xerox.

Pode ser usado no dia-a-dia.

[download aqui]

Bicicletada em Curitiba, cicloturismo e mecânica em SP

(foto Domingo 23)

Bicicletada em Curitiba .::. Sábado (28), 9h30 .::. Reitoria da UFPR

“Manifestação livre e artística de resistência a tirania da cultura do automóvel.

Traga seu meio de transporte ´limpo´, placas, dizeres, apitos, flautas, trompetes e venha criticar a falta de estímulos criativos no transporte e nas ruas de Curitiba.”

[site da bicicletada de Curitiba]

E em São Paulo, no final de semana de 28 e 29, o Clube de Cicloturismo promove uma série de oficinas no Sesc Ipiranga. Confira a programação aqui.

PPP

Dia de solidariedade ao motorista

(arte: Andy Singer)

Hoje (25 de julho) é o Dia do Motorista. Em São Paulo, cidade onde 365 dias por ano e bilhões de reais são dedicados para acomodar o transporte insustentável, um nome mais adequado para a data seria “Dia de solidariedade ao motorista”.Jovens adultos que nunca andaram de ônibus, cadeirantes e idosos que tiveram as calçadas roubadas pela máfia automobilística, cidadãos que realmente necessitam usar o carro parados no congestionamento interminável, crianças que foram proibidas de brincar nas ruas, pedestres que não têm nenhuma prioridade, ciclistas espremidos na sarjeta, patrimônio público degradado e ar poluído são algumas das conseqüências deste modelo insustentável, mas ainda pouco questionado.


Propaganda de anestésico para a dor do congestionamento

Em mais este dia dedicado ao motorista, toda solidariedade aos que sofrem em suas bolhas de duas toneladas que se arrastam a 22km/h pela cidade poluindo o ar e fazendo barulho. Um dia eles ainda descobrem que existe vida além dos vidros fumê.Um dia a dose de anestésicos de consumo não fará mais efeito e as quatro rodas se transformarão em duas pernas para subir no ônibus, pedalar uma bicicleta, usar um skate ou, simplesmente, caminhar pela cidade.


São Paulo, qualquer rua, qualquer dia, qualquer hora