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Transporte coletivo não-motorizado
13/11/2006 – 4h11
(foto: Flávio Couceiro, Recife-PE / dica do site: Lilx)
Para cada carro produzido no mundo existe uma nova bicicleta. É o que informa o Worldometers, que traz estatísticas planetárias em tempo real. Ainda bem, porque se fosse o contrário, provavelmente o mundo já teria acabado.
Apocalipse Motorizado ganha prêmio no The Bobs
13/11/2006 – 0h25

“Estamos vencendo” em carro da polícia italiana
durante o dia de ação global em Gênova, 2001
(trecho do filme “A Quarta Guerra Mundial“)
Saiu ontem (sábado 11) o resultado do concurso “The Bobs – The Best of Blogs”, promovido pela agência de notícias alemã Deutsche Welle. O :.apocalipse motorizado faturou o prêmio do juri de melhor blog em português. Vale dar uma olhada no site do concurso para conhecer os outros participantes.
Mais do que a alegria de chegar em primeiro lugar fica a certeza de que questionar a predominância cultural, social e urbana dos automóveis não é coisa de maluco, “ecochato”, hippie ou de quem deseja voltar ao tempo da pedra lascada.
Apesar do pseudônimo utilizado nos textos remeter aos quebradores de máquinas da revolução industrial, este blog não propõe o fim do carro nem de seus subprodutos. Trata-se apenas de resgatar uma atividade esquecida nas sociedades entorpecidas pelo “deus-consumo”: a crítica.
Criticar não é destruir; criticar é apontar caminhos ou, ao menos, se dizer insatisfeito com a rota escolhida ou imposta.
A idéia é simples: repensar o papel determinante do automóvel em nossas sociedades e estabelecer relações com aspectos culturais, políticos, ambientais e econômicos a partir da observação de cenas cotidianas. Dizia um grande professor da faculdade que a sensibilidade humana é alterada com o passar do tempo e deixamos de enxergar o que poderia ser óbvio e inaceitável alguns anos antes.
Observar a destruição do tecido social pelo isolamento das pessoas em bolhas metálicas, as relações de poder e status que geram agressividade no trânsito, a usurpação de espaço público para fins privados de locomoção ou estacionamento, o consumo predatório e descartável, as guerras por combustível e a degradação do ambiente urbano. Isso sem falar na poluição atmosférica, nas mortes em colisões ou atropelamentos chamadas de “acidentes”, no barulho dos motores, alarmes e buzinas, no tédio dos congestionamentos…
Além das “reflexões para sobreviver na selva das máquinas de vidros escuros”, o :.apocalipse motorizado também acredita na ação direta dos cidadãos como remédio para o colapso das democracias representativas.
Durante a década de 90 o Terceiro Mundo comprou a ilusão de que “público” é a mesma coisa que “ruim”. Despejou-se todos os males humanos na “ineficiência do Estado”, mas esqueceu-se que “público” não é a mesma coisa que “de alguns burocratas ou oligarcas”. “Público” é aquilo que pertence a todos, ou seja, o contrário de “privado (aquilo que só pertence a alguns)”.
Isolar-se dentro de um carro e criticar “o transporte público ruim”, as calçadas esburacadas ou a falta de condições para os ciclistas é o mesmo que reduzir a atuação política ao ato de apertar algumas teclas a cada 2 anos, para depois dizer que “são todos corruptos”.
Por essas e outras razões, fico muito feliz que em quase dois anos de vida o :.apocalipse motorizado comece a fazer parte de uma rede considerável de pessoas e instituições dispostas a dar passos firmes na construção de um outro mundo possível.
Saudações ao juri do concurso, aos novos visitantes, aos autores dos outros blogs e, em especial, a todos os parceiros desta longa e divertida caminhada. Seguimos abrindo trincheiras humanas e colaborativas no mundo das máquinas competitivas. Estamos vencendo!
Ciclovia da Sumaré?
10/11/2006 – 15h12

Somente na terceira etapa do atual “programa de recapeamento”
de ruas e avenidas a Prefeitura gastou mais de R$30 milhões.
Oficialmente isto se chama “ciclovia da Sumaré”. Seus 1,3km de extensão canteiro central sequer atravessam a avenida inteira, ou seja, ela não tem função de ligar pontos estratégicos da cidade, sendo mais utilizada como pista de cooper do que para o transporte por bicicletas.
Buracos e irregularidades no piso, iluminação praticamente inexistente e galhos de árvore na exata altura da cabeça mostram que além da falta de planejamento do passado, também não há manutenção no presente.

Sonorizadores no final da “ciclovia”. No quarteirão seguinte, o superfaturamento
das obras deve ter impedido que a pista para bicicletas fosse pavimentada.
Ao longo do “extenso” trajeto existem três cruzamentos com ruas. Em nenhum deles o ciclista tem preferência. Em cada cruzamento existem pares de sonorizadores… para as bicicletas, não para os automóveis, como poderia imaginar o leitor mais esperançoso.
Para os ciclistas, um desagradável incômodo em cada esquina. Para os motoristas, não há sequer placas ou pintura no chão avisando que existem bicicletas atravessando naquele local.
Um futuro
09/11/2006 – 17h18

arte: [Mona Caron]
(usado com a permissão da autora)
livre ou escravo?
corporações ou humanidade?
guerra ou paz?
silêncio ou barulho?
sustentável ou descartável?
sociedades ou mercados?
alegre ou agressivo?
isolamento ou convivência?
tédio ou diversão?
público ou privado?
competição ou colaboração?
construído ou vendido?
para poucos ou de todos?
Futuro, ilusões, utopias, marketing e realidade não são a mesma coisa.
As imagens comercialmente aceitas não devem ser passivamente assimiladas.
O mercado não é a única instância política.
A vida não se compra.
Fiat menos 30 – repensar o presente ou vender o futuro?
08/11/2006 – 0h42

O Comitê Fiat menos 30 adverte: uso excessivo de automóveis
causa guerras, poluição, congestionamentos, tédio e agressividade.
A montadora de automóveis Fiat está realizando um simpósio internacional chamado “Fiat +30: pensar e experimentar o futuro” no TUCA, teatro da PUC-SP.
Considerando todos os danos ambientais, humanos e urbanos causados pela indústria automobilística desde o último século, chamamos todos os grupos de ciclistas, pedestres, usuários de transporte público, cidadãos e ativistas para ações de reflexão sobre o passado e o presente da locomoção nas cidades durante o seminário.
Considerando a postura da PUC-SP, universidade outrora progressista e livre, que hoje aluga seus espaços para ações de marketing corporativo travestidas de debate intelectual, chamamos todos os cidadãos para refletir sobre os rumos da universidade brasileira.
O evento paralelo “Fiat Menos 30” acontecerá nesta quarta-feira (08/11), às 17h30, em frente ao Tuca (r. Monte Alegre, altura do 900, Perdizes)
A idéia é realizar discussões e reflexões paralelas sobre a presença determinante e destruidora do excesso de automóveis em nossas cidades. Refletir sobre o passado e sobre o presente, e não vender o futuro.
Estão programadas leituras de textos, exibição de vídeos e outras atividades.
A informação é do “Comitê Fiat menos 30”.
Para melhorar o trânsito, 41% dos motoristas querem barulho de caminhão só durante a noite
07/11/2006 – 2h34
Em recente pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo (matéria para assinantes), 41% dos motoristas paulistanos afirmaram que a solução para os congestionamentos da capital é restringir a circulação de caminhões ao período noturno.

“E por ali irá a rodovia, senhor prefeito”
52% dos motoristas acreditam que esta é a melhor solução para o trânsito
(adbusting: consumehastamorir)
A restrição de horário já existe nas regiões centrais da cidade. Quem mora nestes locais sabe como é agradável ter caminhões circulando de madrgada na porta de casa e trânsito pesado de automóveis e motos durante o dia.
O raciocínio individualista dos paulistanos motorizados (30% da população) não consegue enxergar que o abastecimento do comércio através dos caminhões é muito mais importante do que o uso do transporte individual motorizado. Os caminhões, assim como os ônibus, desempenham função pública, enquanto os deslocamentos por automóvel não passam, em última instância, de uma opção particular.

“E por ali irá a rodovia, senhor prefeito”
52% dos motoristas acreditam que esta é a melhor solução para o trânsito
(adbusting: consumehastamorir)
A brilhante solução dos caminhões de madrugada ficou em terceiro lugar na pesquisa. Em primeiro lugar, para 71% dos motoristas, está o investimento em transporte público (ufa!).
E entre os dois extremos, em segundo lugar, estão 52% que ainda acreditam que a melhor solução para os congestionamentos é a ampliação da malha viária. Eles também acreditam em duendes, no papai noel e que George Bush invadiu o Iraque para levar a paz ao Oriente Médio.
carro-rei III
06/11/2006 – 20h00
Entre os automóveis de uso “civil”, o táxi certamente é o que goza das mais amplas liberdades na capital paulista. Transporte individual de caráter público, eles possuem tarifas entre as mais altas do Brasil, subsídio público para a compra do veículo e um sindicato que está entre os mais poderosos da cidade. Diz a lenda que nenhum prefeito se elege em São Paulo sem o apoio dos taxistas.
Ainda que transportem apenas 1/60 dos passageiros que cabem em um ônibus e ocupem 1/3 do espaço dos coletivos, os táxis podem circular nos corredores de ônibus desde a gestão Marta Suplicy, ocupando espaço e atrapalhando o transporte coletivo.
Os táxis paulistanos também gozam de uma larga tolerância oficial no quesito estacionamento.
A vista grossa das autoridades, o abandono do espaço público, a negação da cidade como espaço de convivência e a falta de incentivo ao uso do transporte coletivo foram responsáveis pela criação de milhares de pontos de táxi clandestinos na cidade.
Os “pontos” estão instalados em calçadas, baias de embarque e desembarque, locais proibidos e faixas de pedestres, atrapalhando não só os transeuntes, como os outros motoristas. Também não é difícil encontrar pontos de táxi com o número de carros muito superior às vagas disponíveis.
Um metro e meio
06/11/2006 – 16h33
De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, ao ultrapassar um ciclista o motorista deve reduzir a velocidade e manter distância lateral de 1,5 metros. A finalidade da lei é uma só: preservar a vida. O site yonkis.com apresentou uma solução caseira e bastante pedagógica para que a lei seja cumprida.
Outras idéias simples e divertidas para problemas cotidianos aqui.
Aventura no trânsito?
05/11/2006 – 1h48
A maior parte das pessoas que compra carros gigantes costuma circular sozinha dentro deles. Poucos são os que têm necessidade de transportar cargas volumosas e menos ainda são os que utilizam os veículos em terrenos “off-road” ou em longas viagens.
Mesmo assim estes monstros urbanos ganham (ou melhor, desperdiçam) cada vez mais espaço nas ruas e nas mentes dos brasileiros. Poder e status são quesitos importantes, para não dizer fundamentais, na escolha de um veículo para circular na selva agressiva do trânsito.
Geralmente este tipo de carro é vendido como apologia ao espírito de Indiana Jones, uma ilusão de aventura na selva, uma possibilidade de desbravar a natureza e chegar aonde ninguém chegou.
O anúncio acima esclarece um pouco as coisas: “a vida na cidade é uma aventura”. Não há pretensão de transportar o futuro consumidor à selva idílica ou ao topo da montanha, é para usar na cidade mesmo.
Aventura no trânsito de São Paulo? Só se for para ciclistas ou pedestres, arriscados a todo tipo de surpresas desagradáveis ou agressões por causa do uso excessivo e estúpido de veículos motorizados. Ou será que o anúncio sugere comportamento irresponsável e agressivo ao motorista urbano?
Todo motorista sabe que não há nada mais entediante do que dirigir um carro na cidade durante boa parte do dia: primeira, segunda, terceira, pisa no freio. Primeira, segunda, pisa no freio. Primeira, pisa no freio, buzina e xinga o motorista à frente. Repita cem vezes, sem olhar para o lado. Que baita aventura!
Bicicletas antigas
03/11/2006 – 20h33








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