Mais fotos e outro vídeo da bicicletada de fevereiro, primeiro aniversário da Praça do Ciclista.
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Mais carros, mais mortes. O carnaval de 2007 registrou um aumento de 15% no número de mortos em estradas federais. Foram 145 mortos em 2417 “acidentes” nos dias de folia. A estatística não inclui os mortos em estradas estaduais e nas cidades.
Segundo esta reportagem, o número de mortos no trânsito em 2004 retornou aos níveis de 1997 (ano que entrou em vigor o novo Código de Trânsito, um dos mais avançados do mundo se fosse cumprido). A cada ano, 35 mil brasileiros morrem em “acidentes” de trânsito. São Paulo, a capital do automóvel, é também a cidade que mais mata no trânsito: cerca de 1200 paulistanos por ano, ou quatro mortos por dia.
O Brasil ocupa a 16ª posição entre 84 países pesquisados no quesito assassinato automobilístico. Os homens, mais afeitos às armas, são as principais vítimas (81,5% do total). Nos finais de semana, momento de diversão e lazer, os óbitos sobem em 72,4% para a população em geral e 1321% entre os jovens.
Nas cidades, a qualidade de vida é cada vez pior. Mais barulho, mais poluição, mais agressividade, mais mortes e mais espaço público roubado para a circulação e estacionamento de propriedades privadas.
A diminuição do uso do automóvel é urgente. Não é mais possível considerar a produção de veículos como sinal de “desenvolvimento”, seu uso como sinal de status e suas propagandas como peças publicitárias infoensivas.
Trata-se um site que utiliza a interface do Google Maps para compartilhar rotas a pé. O serviço é dos mesmos criadores do Bikely, dedicado às rotas para ciclistas. O Bikely já possui 84 rotas para quem usa a bicicleta em São Paulo, 76 caminhos postados por ciclistas cariocas e outras centenas de cidades ao redor do planeta.
No Bikely, a novidade são os “feeds” em RSS. Com o serviço, você recebe no seu leitor de feeds as inclusões de rotas na sua cidade. Este é o endereço do feed para as rotas paulistanas.
E mais uma dica para quem gosta de caminhar: toda quinta-feira acontece uma caminhada noturna pelo centro de São Paulo. O encontro acontece às 20h, em frente ao Teatro Municipal. Informações: caminhadanoturna@gmail.com
A massa crítica, conhecida no Brasil como Bicicletada, é um iniciativa civil que celebra o uso dos meios não-motorizados e o direito de circulação com tranquilidade nas ruas. As pedaladas mensais acontecem em mais de 200 cidades ao redor do planeta.
Em fevereiro, enquanto os paulistas comemoravam o aniversário da Praça do Ciclista, os italianos de Milão celebravam o carnaval sobre duas rodas e sem motor.
No mesmo mês, enquanto os paulistanos recebiam a boa notícia da liberação de bicicletas no metrô e nos trens aos finais de semana, os italianos de Turim realizavam uma massa crítica pelo direito de transportar suas magrelas nos trens subterrâneos.
Algumas partes do mundo já perceberam que o uso excessivo do automóvel é um dos mais graves problemas urbanos da atualidade.
Em outras cidades, construir viadutos e estacionamentos e subsidiar a fabricação de carros ainda representam sinais de “desenvolvimento” e “progresso”.
Nestas comunidades, punir quem estaciona em cima da calçada é uma afronta que deve ser evitada. Pega mal punir “bacana”.
Em São Paulo (e talvez na Grécia) os agentes de trânsito têm como procedimento padrão solicitar a retirada do veículo estacionado em calçadas antes de aplicar a multa. Algo como um policial solicitar que o ladrão pego em flagrante devolva a carteira roubada para, em seguida, liberar o criminoso com um tapinha nas costas.
Ao ouvir o argumento acima, um agente da CET respondeu: “mas o ladrão está roubando uma propriedade privada”. E o motorista infrator, não está roubando espaço público?
Uma das características do subdesenvolvimento capitalista é acreditar que público é aquilo que não pertence a ninguém ou, no máximo, àqueles que não podem comprar a tão sagrada propriedade privada.
fotos: luddista / alexandre sp
Mais de 20 cidadãos participaram da Bicicletada de fevereiro na última sexta-feira (23). No primeiro aniversário da Praça do Ciclista, arte, informação, convivência, panfletagem e massa crítica pelas ruas de São Paulo.
A Praça do Ciclista, ponto de encontro da Bicicletada paulistana desde 2002, é um território sem nome que recebeu batismo popular no carnaval de 2006. Hoje tem até projeto de lei (de autoria da vereadora Soninha) pedindo a nomeção oficial do espaço.
No primeiro aniversário, além do grafite pró-bicicleta, os participantes da Bicicletada também instalaram placas informativas com os itinerários de ônibus que passam pela Parada Praça do Ciclista.
Na São Paulo da era “Cidade (não tão) Limpa”, as paradas de ônibus mais parecem outdoores para motoristas. Informações úteis para os cidadãos que não possuem carro deram lugar à grande superfície colonizada pela propaganda.
Na Praça do Ciclista é diferente: agora os usuários de ônibus têm acesso não apenas às linhas que passam pelo local, mas também aos itinerários de ida e volta dos coletivos.
O bem sucedido homem engarrafado e o pobre homem livre
Bicicletas enfeitadas
Adesivo cretino em veículo perigoso
Acima, a Parada Praça do Ciclista, espaço livre de publicidade e cheio de informação. Abaixo, o itinerário completo de uma das linhas, informação que poderia ser facilmente disponibilizada em todos os pontos de ônibus da capital (se estes não servissem apenas como anúncios gigantes).
Panfletagem e conversa na Paulista
Em março tem mais.
Sempre na última sexta-feira de cada Mês, às 18h, na Praça do Ciclista. Visite o site da Bicicletada ou inscreva-se na lista de discussão.
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cartaz de informativo colado na Parada Praça do Ciclista
Além da limitação de horário (sábados, das 15h às 20h, domingos e feriados, das 7h às 20h), também existe o limite de duas bicicletas em cada trem. Segundo o gerente de operações do metrô, Mário Fioratti, a limitação foi necessária para que as bicicletas não ocupem demasiado espaço de outros passageiros.
E se uma família inteira quiser ir ao parque no domingo de manhã? “Aí vai ter que separar: o pai vai com o filho e a mãe vai com a filha. Até porque os intervalos entre os trêns são pequenos e o metrô é um ambiente seguro”, disse Fioratti. Bicicletada no metrô, nem pensar.
O gerente também afirmou que não há previsão de modificação na estrutura interna dos trens. A retirada de alguns assentos no canto do último vagão ou a instalação de suportes no teto reduziriam o espaço ocupado pelas bicicletas. Sem a modificação, um ciclista levando sua bicicleta chega a ocupar o espaço de até seis pessoas.
Mas foi dado o primeiro passo. Resta torcer para que o segundo venha logo, seja com a instalação de estruturas mais adequadas para o transporte das bicicletas, com a ampliação do horário permitido para os dias de semana ou com a instalação dos imprescindíveis bicicletários nas estações.
[1 – Cidade ganha 500 mil veículos: velocidade dos ônibus é uma das vítimas]
[2 – Especialista critica espaço dedicado a carros, secretário discorda]
[3 – Desenvolvimento paulista-nacional: a locomotiva era o carro]
[4 – Estado planeja PPPs e R$ 45 bilhões para os transportes na Grande São Paulo]
[5 – Especialista aponta riscos e necessidade de transparência no financiamento]
[6 – Integração de políticas é tão importante quanto destino das verbas]
[7 – Ciclistas reivindicam espaço, respeito e integração no trânsito]
[8 – Pesquisador realça irracionalidade e individualismo paulistanos]
[9 – Acesso à cidade e exclusão se enfrentam no horizonte da metrópole]
[10 – Pesquisa mostra os abismos sociais refletidos no uso dos transportes]
A medida também vale para os trens da CPTM, observando as mesmas condições e horários válidos para o metrô.