Público e privado

intervenção realizada durante oficina promovida pelo coletivo Política do Impossível

A Praça Roosevelt possui um grande estacionamento em seu subsolo. Na tarde desta quarta-feira, participantes de uma oficina promovida pelo coletivo Política do Impossível decidiram questionar o uso privado de um espaço público, instalando lambes na entrada do estacionamento e na porta de um supermercado, que também ocupa uma grande área da praça.

Segundo funcionários do estabelecimento, o uso do espaço público para fins privados funciona em regime de concessão: a prefeitura fica com 70% do valor arrecadado e os donos do estacionamento ficam com 30%.

30% também é a quantidade de paulistanos que possuem automóvel, ou seja, a minoria. A utilização de espaço público para o estacionamento de propriedades privadas seria aceitável se trouxesse algum benefício ao entorno, mas essa não é a realidade. Além da imensa garagem, todas as ruas ao redor da Praça Roosevelt (exceto a avenida da Consolação) também têm estacionamento permitido.

A construção de garagens subterrâneas em diversos pontos da capital vem sendo discutida pela administração municipal. Os alvos divulgados são o centro, a Praça Charles Miller e o Parque do Ibirapuera.

Se os milhares de reais gastos para acomodar as propriedades privadas da minoria forem acompanhados pela restrição de estacionamento em espaço público, uma salva de palmas. Se as novas garagens servirem apenas para aumentar a oferta de estacionamento (como na Praça Roosevelt), teremos a repetição da triste política de valorização do transporte individual motorizado, que resulta em calçadas estreitas, falta de áreas de convivência, estímulo ao individualismo e degradação ambiental.


cada carro em São Paulo transporta, em média, 1,2 pessoa

Bicicleta no trem

(“En el tren”, Marcos Alfonso García Campo)

Foto que ganhou o prêmio especial do juri no concurso do “Una ciudad mas humana”, da associação ibérica ConBici.

Um estímulo para o metrô e a CPTM estudarem com carinho a liberação de bicicletas nos vagões também durante a semana.

Um estímulo para o governo estadual investir com seriedade nos trens metropolitanos, ainda muito parecidos com latas de sardinha a 15km/h.

Um estímulo para o governo federal ressucitar o transporte ferroviário de passageiros em vez de privatizar meia dúzia de linhas lucrativas para o transporte de carga.

Você reclama, eu prometo

Para quem acredita que a mídia é o tribunal de pequenas causas da sociedade, o texto acima, publicado no Estado de S.Paulo desta segunda-feira (09), pode servir de aviso: é preciso construir outros canais de diálogo institucional além das seções de cartas dos periódicos.

Tá certo, a resposta do presidente da CET deve ter sido escrita por algum assessor de imprensa descuidado, que deu CTRL+C, CTRL+V em um texto padrão, como sempre faz, e mandou de volta para o jornalista. Culpa do excesso de trabalho: todas as quatro cartas publicadas na seção “São Paulo Reclama” abordavam o “trânsito”.

4 dias, 79 mortos, 900 feridos


“Construído com as nossas mais perversas idéias”
contra-publicidade: Peter Ziegler

Não foi no Iraque e a arma não era de fogo. Os 79 mortos e 900 feridos estavam no Brasil, aproveitando a Páscoa. O feriado foi 23,8% mais violento do que no ano passado.

Segundo declarou o inspetor Coraci (Polícia Rodoviária Federal) à rádio CBN, a principal causa continua sendo a imprudência dos motoristas. Segundo ele, 60% dos “acidentes” acontecem durante o dia, em retas e com boas condições climáticas.

Além do motorista, responsável direto pelos homicídios e suicídios cometidos, vale lembrar que a indústria automobilística continua baseando suas propagandas e produtos em valores como poder, individualismo e velocidade.

Ciclovida – hoje no Espaço Impróprio


Ciclovida na Argentina / foto: Ciclovida

Depois de atravessar o país, passar pela Argentina, Uruguai e Paraguai, os agricultores-ciclistas do projeto Ciclovida estão em São Paulo e nesta segunda-feira (09) contam um pouco da sua experiência de viagem de bicicleta e pesquisa de sementes crioulas no Espaço Impróprio.

O bate-papo acontece a partir das 19h e o Impróprio fica na rua Dona Antônia de Queirós, 40 (travessa da rua Agusta, metrô Consolação).

Carros causam enchentes

Segundo esta reportagem da BBC, um estudo da Royal Commission on Environmental Pollution aponta o aumento do número de veículos no ambiente urbano como uma das razões para as enchentes.

A idéia é simples: mais carros em circulação provocam a impermeabilização do solo urbano, pois exigem do poder público a construção de avenidas, ruas e estacionamentos.

Os moradores das regiões próximas às marginais do Pinheiros e Tietê conhecem a história: sábios governantes automobilistas escolheram as margens dos rios para fazer passar boa parte do tráfego de veículos da capital. Desconsideraram a variação natural do volume de água nos rios, fenômeno conhecido até pelos antigos egípcios, e mandaram asfaltar tudo. Deu no que deu.

As calçadas, os carros, o centro

Peixe grande, peixe pequeno

Formal ou informal, legal ou ilegal, o lobby automobilístico demonstra a cada esquina suas armas para impedir a mudança no paradigma de (i)mobilidade em São Paulo.

Executivos e publicitários em escritórios high-tech ou manobristas em uma rua qualquer fazem parte do mesmo negócio. Privatizam o espaço público e transformam o direito de todos em privilégio de alguns. A diferença é que uns levam trocados, outros ganham milhões.

“Manobrista no local”

No centro, os carros seguem roubando espaço dos pedestres nos calçadões. Acima, o tradicional paraciclo paulistano em contraste com o estacionamento ilegal de sedentários, folgados, paranóicos e afins.

Abaixo, rua 24 de maio, que morreu por inteiro com o fechamento do último trecho de calçadão que lhe restava. Fruto da “revitalização” orwelliana em curso na região.


“Cuidado, veículos”

E para terminar, cidade limpa, respeito zero: retirada de anúncio em banco e tentativa de homicídio na rua Augusta. Cones e faixas para proteger os pedestres? Respeito a quem tem dificuldade de locomoção? Bobagem, melhor não atrapalhar o trânsito.

Março massa – sexta sem carro em São Paulo

Bicicletada de março depois de uma semana quente e poluída.

25 pessoas

19 pessoas

Uma pessoa ao celular

A volta:

A praça:

53 fotos
vídeo

Para andar mais tranqüil@

Dois cartazes que circularam na Bicicletada da última sexta-feira. Para baixar, imprimir e pendurar. No disco virtual.


arte sobre domínio público: Bê, Cibol, Jerusa

Porque a indústria de veículos é criminosa


São Paulo, quinta-feira, 29 de março

Porque ela é a principal responsável pela poluição atmosférica que mata oito pessoas por dia na cidade de São Paulo.Porque em vez de reduzir as emissões de seus veículos, ela prefere fabricar e vender modelos-fetiche que consomem alta quantidade de combustível.

Porque ela fabrica e vende subprodutos dos automóveis (as motos) sem nenhum filtro de poluição, ainda que existam diversas tecnologias consolidadas para a redução das emissões.

Porque ela estimula comportamentos agressivos, individualistas e irresponsáveis através de seus anúncios publicitários.

Porque o lobby a ela associado é o principal responsável pela baixa qualidade do transporte coletivo.

Porque o lobby a ela associado é um dos grandes responsáveis pelas guerras por combustível.

Porque ela fabrica e vende veículos que chegam facilmente a 180km/h em um país onde os limites de velocidade não passam dos 120km/h.

Porque ela transforma ítens de segurança fundamentais como airbags e freios ABS em opcionais exclusivos para os modelos de luxo. Em vez de contribuir com a redução do número de mortos em “acidentes”, ela se ausenta da responsabilidade direta sobre a segunda causa da morte de jovens no Brasil para manter seus lucros astronômicos.

Porque em vez de instalar os dispositivos de preservação da vida como ítens de série, ela prefere tornar padrão em suas máquinas os dispositivos de proteção da propriedade.

Fica a sugestão de um amigo: se a nova aposta dos publicitários é o mundo virtual, com “ações de marketing” em jogos de simulação da vida como Second Life, que tal se as indústrias automobilísticas migrassem de vez para este mundo imaginário e deixassem o planeta Terra e seus habitantes em paz?