Meu veículo em Munique

Este foi o meu veículo em Munique, alugado na Radius Bikes, que fica dentro da estação central de trens (Hauptbanhoff). Ela tinha um dínamo para o farol dianteiro, refletores traseiros e bagageiro (como todas as bicicletas da cidade).

Custou 9 euros por dia. Zero de combustível, zero de estacionamento, zero de seguro, zero de estresse. Um pouco mais caro que o passe diário de transporte coletivo, que custava 5 euros por dia e dava direito a viagens ilimitadas nos trens, ônibus e bondes da cidade.

Quando não havia paraciclo, ou melhor, quando todas as vagas dos milhares de paraciclos, postes e grades da cidade estavam ocupadas, bastava deixar a bicicleta com o cadeado prendendo a roda ao quadro. Aliás, mesmo com vagas nos estacionamentos e postes sobrando, era muito comum ver dezenas de bicicletas “soltas” nas ruas.

Demorei algum tempo para acostumar com a idéia. Na primeira vez que deixei a bicicleta assim, bateu uma sensação estranha, um “duvido que não vão roubar”… Mas não roubaram. E a bicicleta me levou para um lado e para o outro em Munique.

E no fim de semana paulistano…

O pessoal que participa da Bicicletada tá agitando mais um Domingo no Parque, edição especial do Dia dos Pais. Confira abaixo a programação:12h – Concentração – Na frente do Centro de Educação Ambiental (CEA)

13h – Bicicletada no no parque

14h – Oficina da Coopbike (traga sua bicicleta, ferramentas, peças e venha compartilhar o conhecimento)

15h – exibição do vídeo Sociedade do Automóvel + debate (No CEA)

City tour

Nunca gostei muito de “city tours”, aquelas voltas pela cidade com guias e turmas de excursão. Mas em Munique uma proposta tentadora me fez mudar de idéia. Além das caminhadas e passeios de ônibus panorâmico pela cidade, existem ao menos duas opções para ciclistas de todas as idades.Optei pelo Mike’s Bike Tours. Saída às 11h30 da manhã para um rolê de aproximadamende quatro horas.

A turma, composta por estadunidenses, alemães, canadenses, italianos, croatas e um brasileiro seguiu pedalando pelo centro histórico…

… passou pelo belíssimo Hofgarten.

No parque, mais um exemplo simples do cuidado com o espaço público: em vez de cercas e estruturas anti-gente, uma simples placa educativa.Nem preciso dizer que as praças e parques daqui, além de bancos para sentar ou deitar (coisa rara em São Paulo), não possuem grades nem cercas.

Aí fica a pergunta: será que uma cidade com grades por todo lado e muita polícia rangendo os dentes e acelerando motos nas ruas é uma cidade segura?

Ou será que uma coisa não tem nada a ver com a outra?

Será que o velho discurso da distribuição de renda e da inclusão social não é muito mais eficiente para reduzir a criminalidade do que chacinas, abusos cotidianos e policiamento ostensivo contra os cidadãos? Quase não vi policiais pelas ruas. Cercas eletrificadas? Nenhuma. Viaturas na calçada? Também não…

Depois seguimos para o English Garten, o maior parque da Europa. Simplesmente alucinante.

Quem não nacescu virado pro mar, tem que improvisar. Engraçado foi ver um figura passando de bicicleta, roupa de borracha e com uma pranca de surfe debaixo do braço no meio do parque. Neste ponto do English Garten, surfistas aproveitam as ondas do rio Eisbach, que é limpo, igual ao nosso Tietê, não é?

Semáforo para carros, semáforo para bicicletas. Ambos são respeitados em toda a cidade.

Precisa dizer alguma coisa? E não é ciclovia não, é rua mesmo. Nenhum motorista buzina ou faz cara feia: simplesmente reduz a velocidade e mantém uma boa distância lateral ao ultrapassar o ciclista, igualzinho ao que tá escrito na lei brasileira.

Será que o agente da CET que deu esta desculpa esfarrapada para justificar o não cumprimento da lei em São Paulo ainda não consegue diferenciar 1,5 metros de 15 centímetros?

Nestes três dias de bicicleta por Munique, nenhum motorista me ultrapasou a menos de 2 metros de distância, ninguém buzinou para que eu saisse da frente e sempre tive a preferência respeitada nos cruzamentos onde não existe semáforo específico (para bicicletas, meu caro Watson).

Não vi ninguém avançando sinal vermelho: nem ciclista, nem motorista, nem pedestre (!!!).

Algumas lágrimas depois, ao final do rolê, deixei um adesivinho da Bicicletada com o Mike. Ele adorou e imediatamente colocou na porta de sua loja.

Transporte do século XIX ou do século XXI?


(Hofgarten, um parque maravilhoso)

Tempinho bem paulistano em Munique. Garoa fina, meio frio e o sol aparecendo de vez em quando. Nada que impeça o uso do transporte favorito da cidade.


(paraciclo na Marienplatz)

Por falar em bicicletas, elas estão em toda parte. São muitas, de todos os modelos e cores, usadas por pessoas de todas as idades e tipos: de punks a executivos, de idosos a recém nascidos.Além da rede impecável de ciclovias, as magrelas contam com estacionamento em toda a cidade. Paraciclos ou bicicletários em todas as estações de trem e metrô.


(começo do calçadão na Maffeistrasse)

O centro histórico da cidade é inteiro excluviso para pedestres. Em uma pequena parte dos calçadões, o espaço é dividido com os bondes.

Sim, Munique tem bondes! Eficientes, limpos, movidos a energia elétrica, não poluentes e integrados com os demais meios de transporte. Coisa de país atrasado, né? Moderno é tirar os trilhos e abrir espaço para pontes, viadutos e avenidas…

Futebol e educação

(banheiro de restaurante indiano em Munique)

Divertidíssimo, não tem como errar.

Adesivos brazucas na Europa

Versão “for export” dos adesivos da Bicicletada que eu trouxe para trocar e presentear os colegas europeus.Esse o prefeito de São Paulo ainda não tem, mas a “versão nacional” ele já recebeu das mãos de alguns colegas da Bicicletada. Mostrou orgulhoso para o fotógrafo e disse que vai colar em sua bicicleta no Dia Sem Carro.

Um mês diferente

O mês de agosto vai ser diferente aqui no :.apocalipse motorizado. Escrevo esta postagem em um hotel de Munique (Alemanha).Já passa de uma da manhã deste primeiro dia de viagem, que tem como objetivo final a conferência Toward Carfree Cities (“Em direção às cidades sem carro”), que acontece no final de agosto em Istambul (Turquia).

Pela primeira vez, este espaço vai ter a cara de um diário pessoal. O tema continua o mesmo: automóveis X humanidade. Mas a perspectiva será a do viajante, aquele que olha e compara outras realidades com a de sua terra natal. As postagens virão na medida do possível, afinal tem muito o que fazer na rua e a idéia não é passar a viagem na frente do computador.

Então vamos nessa: depois de um vôo tranqüilo, com a poltrona do lado vazia e as pernas esticadas, desci no aeroporto Joseph Strauss, na capital da Bavária.

Assim como Cumbica, o Joseph Strauss fica fora da cidade. A difereça, que me arrancou a primeira lágrima da viagem, está na primeira foto desta postagem.

Ao contrário de Cumbica, o Joseph Strauss é ligado ao centro da cidade por uma moderna linha de trem. Em São Paulo, a promessa do Expresso Aeroporto é antiga e de tempos em tempos vira factóide em jornal.

Com o acidente da TAM no último mês de julho, além do ressurgimento de movimentos inspirados pela Liga das Senhoras Católicas ou pela TFP, muito se falou da necessidade de redirecionar os vôos do aeroporto de Congonhas para Cumbica e Viracopos (em Campinas). De nada adiantará se não houver uma ligação rápida e baseada no transporte coletivo.

O caso de Viracopos é mais gritante. Os trilhos do trem estão lá, ligando São Paulo até Campinas. Mas o transporte de pessoas entre as duas cidades só é feito por meio de rodovias.

Dizem que a bitola dos trilhos é diferente do padrão atual… Mesmo assim, o terreno pertence à ferrovia, ou seja, para construir uma ligação de trem entre São Paulo e Campinas, não seriam necessárias sequer desapropriações de terra.

Em Munique, além dos trens e bondes que cortam a cidade, o passageiro ainda dispõe de informações precisas sobre os itinerários do transporte coletivo.Para circular pela cidade, o usuário têm à disposição passes diários, semanais e mensais, todos com número ilimitado de viagens.

Não existem catracas, roletas ou cobradores. A coisa funciona na base da confiança (e de uma multa salgada aplicada nos infratores): ao realizar a primeira viagem do dia, o passageiro valida o bilhete em uma caixinha azul. A tal caixinha imprime o dia e o horário. Fiscais (inclusive à paisana) podem solicitar a qualquer momento o bilhete para verificar se o usuário realmente pagou a passagem.

Além dos itinerários, todas as paradas de metrô, trem, bondes e ônibus informam quanto tempo falta para o coletivo chegar àquele ponto. No caso do aeroporto, o painel eletrônico ainda diz qual será o tempo de viagem. Igualzinho a São Paulo, não é?

E quando o trem que me levaria do aeroporto até a cidade chegou, veio a segunda lágrima…

Antídoto para a desagregação social


(campanha em ônibus de Campinas / foto: Cibol)

A convivência entre os seres humanos no espaço público é uma das bases para cidades democráticas, agradáveis e seguras.Em contrapardida, a segregação das pessoas em ambientes de acesso restrito e a transformação do espaço urbano em via de passagem significa a morte do tecido social.

Muito mais do que a poluição ou a imobilidade do congestionamento, o uso excessivo de automóveis particulares no ambiente urbano provoca a segregação dos seres humanos e a morte da própria sociedade.

Espaços urbanos destinados às pessoas são mais seguros e agradáveis. Bairros e vizinhanças cortados por avenidas tendem a desaparecer enquanto espaços comunitários. Assim, desaparecem os laços de solidariedade e convivência.

Quem só anda de carro, além de não ter contato com o espaço real das cidades, restringe o contato humano a situações previsíveis ou condicionadas. Dentro do carro, não há surpresa, não há encontro, não há chance de paquera ou de uma simples conversa com um desconhecido.

(retirado de www.subvertise.org)

Casar ou comprar uma bicicleta?

(descoberta pelo Lilx, no fishki.net)

Bicicletário e rotas

– está no ar o site Bentivi. Vale a pena conhecer. A ferramenta wikirotas, a exemplo do Bikely, permite ao usuário consultar e cadastrar rotas cicloviárias na cidade de São Paulo: os melhores caminhos para se virar no trânsito agressivo da capital.- A universidade Anhembi Morumbi criou o programa Universidade Verde, uma série de medidas “ecologicamente corretas” que farão parte da recepção de calouros no segundo semestre. O destaque fica para o bicicletário, prometido para todos os campi da universidade, e para o sistema de caronas entre os alunos.