Um mês diferente

O mês de agosto vai ser diferente aqui no :.apocalipse motorizado. Escrevo esta postagem em um hotel de Munique (Alemanha).Já passa de uma da manhã deste primeiro dia de viagem, que tem como objetivo final a conferência Toward Carfree Cities (“Em direção às cidades sem carro”), que acontece no final de agosto em Istambul (Turquia).

Pela primeira vez, este espaço vai ter a cara de um diário pessoal. O tema continua o mesmo: automóveis X humanidade. Mas a perspectiva será a do viajante, aquele que olha e compara outras realidades com a de sua terra natal. As postagens virão na medida do possível, afinal tem muito o que fazer na rua e a idéia não é passar a viagem na frente do computador.

Então vamos nessa: depois de um vôo tranqüilo, com a poltrona do lado vazia e as pernas esticadas, desci no aeroporto Joseph Strauss, na capital da Bavária.

Assim como Cumbica, o Joseph Strauss fica fora da cidade. A difereça, que me arrancou a primeira lágrima da viagem, está na primeira foto desta postagem.

Ao contrário de Cumbica, o Joseph Strauss é ligado ao centro da cidade por uma moderna linha de trem. Em São Paulo, a promessa do Expresso Aeroporto é antiga e de tempos em tempos vira factóide em jornal.

Com o acidente da TAM no último mês de julho, além do ressurgimento de movimentos inspirados pela Liga das Senhoras Católicas ou pela TFP, muito se falou da necessidade de redirecionar os vôos do aeroporto de Congonhas para Cumbica e Viracopos (em Campinas). De nada adiantará se não houver uma ligação rápida e baseada no transporte coletivo.

O caso de Viracopos é mais gritante. Os trilhos do trem estão lá, ligando São Paulo até Campinas. Mas o transporte de pessoas entre as duas cidades só é feito por meio de rodovias.

Dizem que a bitola dos trilhos é diferente do padrão atual… Mesmo assim, o terreno pertence à ferrovia, ou seja, para construir uma ligação de trem entre São Paulo e Campinas, não seriam necessárias sequer desapropriações de terra.

Em Munique, além dos trens e bondes que cortam a cidade, o passageiro ainda dispõe de informações precisas sobre os itinerários do transporte coletivo.Para circular pela cidade, o usuário têm à disposição passes diários, semanais e mensais, todos com número ilimitado de viagens.

Não existem catracas, roletas ou cobradores. A coisa funciona na base da confiança (e de uma multa salgada aplicada nos infratores): ao realizar a primeira viagem do dia, o passageiro valida o bilhete em uma caixinha azul. A tal caixinha imprime o dia e o horário. Fiscais (inclusive à paisana) podem solicitar a qualquer momento o bilhete para verificar se o usuário realmente pagou a passagem.

Além dos itinerários, todas as paradas de metrô, trem, bondes e ônibus informam quanto tempo falta para o coletivo chegar àquele ponto. No caso do aeroporto, o painel eletrônico ainda diz qual será o tempo de viagem. Igualzinho a São Paulo, não é?

E quando o trem que me levaria do aeroporto até a cidade chegou, veio a segunda lágrima…

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