Ritual de lo habitual

Fotos tiradas em um trajeto de 10 minutos pela cidade.
(inspiração para o título: Jane’s Addiction)

Respeito e cidadania.

O carro que transporta o deus moderno pode tudo.

Só faltou um carro da mídia e um táxi para juntar a turma toda: na cena, ou melhor, na calçada estão duas motos da PM, dois carros-forte e dois carros da Receita Federal, que faziam sua tradicional operação de natal em um centro de compras da avenida Paulista.

Você não é a sua armadura


(propaganda em revista qualquer)

“Perfeito para a sua vida”, muito ruim para o resto da humanidade. Isole-se dentro de uma armadura e esqueça o mundo ao seu redor.

A predominância do automóvel destrói o tecido social, gera mortes em “acidentes” ou com a poluição, guerras por combustível, congestionamento nas ruas, barulho nas cidades, degradação do ambiente, enfraquecimento da noção de espaço público e por aí vai.

Homens-carro-telecomunicacionais não são um futuro inexorável, mas sim uma imposição comercial que visa perpetuar o estado de guerra e competição responsável por lucros astronômicos para alguns poucos e pela destruição do habitat de todos.

Bicicletada: reverberações internacionais

A exemplo de São Paulo, a massa crítica de Bari (Itália) também deu nome a uma praça. E por lá as pedaladas mensais também parecem acontecer em clima bastante familiar, com direito até a rango coletivo no final do vídeo.

Contra o aumento no natal

(imagem: leitor da folha / cmi)

No domingo (03) cerca de 30 pessoas ofuscaram o discurso de Hebe Camargo e a cerimônia oficial de inauguração da árvore do lago do Ibirapuera. Pediam a revogação do aumento e buscavam diálogo e reflexão sobre o transporte público.

Relatou um participante: “Foi muito bom. Com a presença no nosso queridíssimo prefeito e da nossa queridíssima Hebe, esperamos as crianças do coral terminar a apresentação e lascamos gritos, faixas bem de frente das câmeras e do excelentíssimo prefeito. Nesse momento, nossa querida Hebe, tentou manter a atenção no palco. Vendo que não estavam conseguindo, soltaram os fogos!”

Contra o aumento nas ruas

O ato da última sexta-feira (01) contra o aumento nas tarifas tinha menos gente do que o anterior. Cerca de 500 pessoas estavam concentradas em frente ao teatro municipal e iniciaram uma marcha pelas ruas do centro.

Poucos minutos depois, ainda no Largo do Paiçandu, policiais da Força Tática se adiantaram à manifestação e seguiram para a esquina com a avenida Rio Branco.



Foto tirada do Largo do Paiçandu: atrás do ônibus verde está a av. Rio Branco;
ma altura da drogaria parisiense está a manifestação.

Um grupo que ia à frente do cordão de segurança feito pelos próprios manifestantes (através de faixas) foi o primeiro a encontrar a polícia.

Alguns dizem que neste grupo estavam “punks dispostos ao confronto”, que teriam agredido policiais ou tentado depredar ônibus e que a polícia apenas reagiu de maneira habitual. Outra hipótese é a detenção de um manifestante que questionava os policiais por não estarem identificados: a tentativa de prisão do garoto teria gerado indignação nos demais manifestantes, entre eles os “dispostos ao confronto”.

(policiais sem identificação reprimem manifestantes / foto: CMI-SP)

Segundo reportagem do Estado de S.Paulo, o objetivo dos policiais era fazer com que a manifestação ocupasse apenas o corredor de ônibus da avenida para não atrapalhar o trânsito.

Também não se descarta a presença de agentes policiais infiltrados dispostos a causar alguma confusão para justificar uma repressão mais dura, com bombas e balas de borracha.


Foto tirada da av. Rio Branco. Ao fundo e à direita, o Largo do Paiçandu.

Seja como for, na primeira faísca (venha do lado que vier) a soma de pessoas dispostas ao confronto dos dois lados explode, muita gente se machuca, muitas notícias aparecem nos jornais e nada muda.

Do lado dos manifestantes, existe uma ínfima mas complicada parcela que está disposta ao confronto. Acreditam que táticas de guerrilha e enfrentamento usadas (e até válidas) em outras regiões e/ou tempos históricos podem ser aplicadas em São Paulo de 2006. Com isso colocam em risco a vida de outras pessoas, legitimam a repressão policial e reforçam a visão social conservadora a respeito da luta por direitos e da ocupação das ruas.

Do lado da polícia, uma tática de tolerância zero afinada, com requintes da típica brutalidade e atraso terceiromundistas. Policiais sem identificação é um hábito inaceitavelmente comum. A truculência e o ódio de alguns batalhões e setores das polícias são inadimissíveis.

Depois de reprimida (com saldo de ao menos um ferido grave e um detido que respoderá a processo) a manifestação seguiu meio “sem rumo” pelas ruas do centro até atingir a Consolação. Um grande momento de indecisão e a escolha de seguir pela Maria Antônia (onde houve mais confusão desnecessária) até o Largo Santa Cecília.

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Nunca atrapalhe o trânsito…

… mesmo em uma tarde besta de domingo.

boa noite lemmings

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[bom dia lemmings]

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Resgatando as ruas pelo direito ao transporte

Mais de 1000 pessoas participaram do ato de hoje contra o aumento nas tarifas do transporte coletivo. Um baita ato, com grande receptividade da população, criatividade, música e alegria nas ruas. Ao contrário do último ato, nenhum incidente entre a polícia e os cidadãos, provavelmente menos destaque nos jornais de amanhã.

outras fotos (cmi):

Amanhã, sexta (01), tem outro ato.
De novo a partir das 17h, em frente ao Teatro Municipal.

Ao fundo as obras Linha 4 do metrô: depois de construída, será privatizada.

Bloco das bicicletas dá carona ao exército de palhaços.

Contemplar: um hábito perdido nas ruas desde que o automóvel tomou de assalto o planejamento e a vida nas cidades.

Imagine se cada pessoa estivesse em um carro?




Fim do ato, em frente ao Teatro Municipal.

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Gentileza ou egoísmo?

(fotos: Magna Galvão)

Propaganda de estímulo ao transporte individual privado nos trens do Rio de Janeiro. “Liberte-se do transporte público ruim, compre um carro e que se dane a sua cidade”. Se você também achou a peça cretina, escreva para a ouvidoria do banco.

Quinta (30) – ato contra o aumento no transporte coletivo

Amanhã (30) acontece mais uma manifestação contra o aumento das tarifas do transporte coletivo anunciado pela prefeitura e pelo governo do Estado para os próximos dias.

A concentração será a partir das 17h, em frente ao Teatro Municipal.


“investimento público / subsídio desncessário”

Segundo esta reportagem, o custo anual do subsídio municipal ao sistema de ônibus será de R$529 milhões (se a prefeitura aumentar o valor previsto para 2007, de R$320 milhões). Muito? Pouquíssimo: somente no terceiro estágio do programa de recapeamento de ruas, que trocou o asfalto em trechos de 51 ruas, a prefeitura gastou R$30 milhões.

Com o aumento, o passageiro de São Paulo terá que desembolsar 86% do custo dos ônibus (míseros 14% são subsidiados). Veja abaixo quanto cada cidade do mundo cobra de seus habitantes pelo direito de locomoção (fonte: Estado de S.Paulo):

São Paulo (com aumento):
Passageiro: 86% / subsídio: 14%

Frankfurt:
Passageiro: 45% / subsídio: 55%

Viena:
Passageiro: 40% / subsídio: 60%

Estocolmo:
Passageiro: 34% / subsídio: 66%

Paris:
Passageiro: 33% / subsídio: 67%

Nova Iorque:
Passageiro: 32% / subsídio: 68%

Atenas:
Passageiro: 27% / subsídio – 73%

Amsterdã:
Passageiro: 25% / subsídio – 75%

E a comparação com “hermanos de latino america” não deixa dúvidas: São Paulo é uma das piores cidades do mundo no quesito transporte público e, conseqüentemente, uma das mais excludentes ao deixar de prover acesso democrático e livre ao espaço urbano. Quem lucra com isso?