(inspiração para o título: Jane’s Addiction)
O carro que transporta o deus moderno pode tudo.
O carro que transporta o deus moderno pode tudo.
A predominância do automóvel destrói o tecido social, gera mortes em “acidentes” ou com a poluição, guerras por combustível, congestionamento nas ruas, barulho nas cidades, degradação do ambiente, enfraquecimento da noção de espaço público e por aí vai.
Homens-carro-telecomunicacionais não são um futuro inexorável, mas sim uma imposição comercial que visa perpetuar o estado de guerra e competição responsável por lucros astronômicos para alguns poucos e pela destruição do habitat de todos.
A exemplo de São Paulo, a massa crítica de Bari (Itália) também deu nome a uma praça. E por lá as pedaladas mensais também parecem acontecer em clima bastante familiar, com direito até a rango coletivo no final do vídeo.
Relatou um participante: “Foi muito bom. Com a presença no nosso queridíssimo prefeito e da nossa queridíssima Hebe, esperamos as crianças do coral terminar a apresentação e lascamos gritos, faixas bem de frente das câmeras e do excelentíssimo prefeito. Nesse momento, nossa querida Hebe, tentou manter a atenção no palco. Vendo que não estavam conseguindo, soltaram os fogos!”

Poucos minutos depois, ainda no Largo do Paiçandu, policiais da Força Tática se adiantaram à manifestação e seguiram para a esquina com a avenida Rio Branco.
Alguns dizem que neste grupo estavam “punks dispostos ao confronto”, que teriam agredido policiais ou tentado depredar ônibus e que a polícia apenas reagiu de maneira habitual. Outra hipótese é a detenção de um manifestante que questionava os policiais por não estarem identificados: a tentativa de prisão do garoto teria gerado indignação nos demais manifestantes, entre eles os “dispostos ao confronto”.

Também não se descarta a presença de agentes policiais infiltrados dispostos a causar alguma confusão para justificar uma repressão mais dura, com bombas e balas de borracha.
Do lado dos manifestantes, existe uma ínfima mas complicada parcela que está disposta ao confronto. Acreditam que táticas de guerrilha e enfrentamento usadas (e até válidas) em outras regiões e/ou tempos históricos podem ser aplicadas em São Paulo de 2006. Com isso colocam em risco a vida de outras pessoas, legitimam a repressão policial e reforçam a visão social conservadora a respeito da luta por direitos e da ocupação das ruas.
Do lado da polícia, uma tática de tolerância zero afinada, com requintes da típica brutalidade e atraso terceiromundistas. Policiais sem identificação é um hábito inaceitavelmente comum. A truculência e o ódio de alguns batalhões e setores das polícias são inadimissíveis.
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Ao fundo as obras Linha 4 do metrô: depois de construída, será privatizada.


Bloco das bicicletas dá carona ao exército de palhaços.

Contemplar: um hábito perdido nas ruas desde que o automóvel tomou de assalto o planejamento e a vida nas cidades.


Imagine se cada pessoa estivesse em um carro?

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Segundo esta reportagem, o custo anual do subsídio municipal ao sistema de ônibus será de R$529 milhões (se a prefeitura aumentar o valor previsto para 2007, de R$320 milhões). Muito? Pouquíssimo: somente no terceiro estágio do programa de recapeamento de ruas, que trocou o asfalto em trechos de 51 ruas, a prefeitura gastou R$30 milhões.
Com o aumento, o passageiro de São Paulo terá que desembolsar 86% do custo dos ônibus (míseros 14% são subsidiados). Veja abaixo quanto cada cidade do mundo cobra de seus habitantes pelo direito de locomoção (fonte: Estado de S.Paulo):
Frankfurt:
Passageiro: 45% / subsídio: 55%
Viena:
Passageiro: 40% / subsídio: 60%
Estocolmo:
Passageiro: 34% / subsídio: 66%
Paris:
Passageiro: 33% / subsídio: 67%
Nova Iorque:
Passageiro: 32% / subsídio: 68%
Atenas:
Passageiro: 27% / subsídio – 73%
Amsterdã:
Passageiro: 25% / subsídio – 75%