O final do ano é uma ótima época para conhecer São Paulo. O clima quente e o asfalto rachando por todos os lados são perfeitos para o encenação apocalíptica do natal e realização das últimas pendências antes de entupirmos as rodovias para curtir o grande feriadão. Tudo sobre quatro rodas, duas toneladas e um motor a combustão.
Além de trabalhar para dirigir e dirigir para trabalhar, nossos educados cidadãos motorizados também entopem as ruas nesta época do ano para consumir e ver as incríveis decorações de natal instaladas especialmente em agências bancárias. Amplas calçadas estão disponíveis para o estacionamento dos visitantes motorizados.
Em São Paulo o pedestre é sempre respeitado. Nossa cidade dispõe de calçadas perfeitas para fraturas em transeuntes de todas as idades. Nossos cruzamentos quase nunca têm semáforo específico para pedestres e em alguns pontos você poderá desfrutar de
menos de 10 segundos para atravessar uma rua, desviando de apenas três ou quatro carros em cima da faixa.

Aqui nós entupimos ruas e avenidas todos os dias com nossos maravilhosos automóveis levando apenas uma pessoa dentro.
Aqui nós gastamos fortunas construindo avenidas e pontes cada vez mais largas para acomodar nossas maravilhosas máquinas poluidoras de transporte individual.
Aqui, como nas grandes metrópoles mundiais, o transporte público é uma ótima forma de conhecer a cidade. Milhões de carros com uma pessoa dentro tornam a sua viagem de ônibus sempre agradável. Dentro de um coletivo cercado por carros você poderá passar várias horas contemplando a cidade, um “city tour” inesquecível.
Carro atrapalha o trânsito: já que construção de faixas exclusivas para o transporte coletivo acontece em espasmos esporádicos e não se constitui em prioridade para as administrações municipais, quem anda de carro não só prejudica outros motoristas, mas também atrapalha a grande maioria (70% da população) que não tem automóvel.
E aqui, nesta maravilha da engenharia moderna, celebramos o nosso final de ano. A cidade que teve seus espaços públicos roubados ou prostituídos pelo automóvel quase não tem praças ou áreas públicas de convivência, então comemoramos a virada na avenida mesmo.
Outro ângulo da nossa “Copacabana”. Como na babilônia, nossos jardins e canteiros também são suspensos, assim deixamos todo o espaço livre para o congestionamento e ainda fornecemos uma boa quantidade de monóxido de carbono para alimentar as plantinhas e fuligem tóxica para a criação de novas espécies mutantes.
Traga seu carro e venha se divertir em São Paulo. É inesquecível!
(instalação e foto: Mariana Cavalcante)
Por que decoramos grades, cercas eletrificadas e muros altos com motivos alegres e luzes festivas?
Por que desejamos paz, se apontamos holofotes e câmeras para qualquer um que se aproxime de nossos castelos?
Por que desejamos “feliz natal”, se queremos mesmo é dizer “afaste-se?
(fotos: Mariana Cavalcante)
Chega em cima da hora a notícia de um protesto contra o aumento nos salários dos malandros federais federais. Amanhã, terça-feira (19), às 12h, em frente ao Teatro Municipal de São Paulo.