Bicicletada de fevereiro: aniversário da Praça do Ciclista


(arte: pedalero)

A Bicicletada de fevereiro, que acontece na próxima sexta-feira (23), é especial. A celebração do transporte não motorizado, que acontece sempre na última sexta-feira de cada mês, nesta edição de carnaval também irá comemorar o primeiro aniversário da Praça do Ciclista.

A Praça do Ciclista é o ponto de encontro da Bicicletada desde 2002. Fica no finalzinho da avenida Paulista, quase esquina com a rua da Consolação. Em fevereiro de 2006, os participantes da Bicicletada perceberam que o espaço não possuía placa indicativa de nome e resolveram batizar o local. Surgiu então a Praça do Ciclista, que já tem até projeto de lei na Câmara Municipal propondo a nomeação oficial.

Diz a lenda que a Avenida Paulista, em seu projeto original, teria canteiros largos em toda sua extensão, a exemplo das “ramblas” de Barcelona ou da Cidade do México. Os canteiros serviriam tanto para o tráfego de pedestres e ciclistas, quanto para o passeio e convivência dos cidadãos, transformando a avenida em um espaço mais humano, com árvores, praças, bancos e espaços para crianças.

Mas a fome do automóvel por espaço e a idéia ultrapassada de que a cidade deve servir apenas para o fluxo de máquinas motorizadas impediu a construção dos tais canteiros. Hoje a Paulista possui quatro pistas largas que vivem congestionadas. Da idéia original restou apenas o espaço situado entre as ruas Haddock Lobo e Consolação, e foi lá que nasceu a Praça do Ciclista, uma iniciativa civil para humanizar a cidade.

Além do aniversário da Praça, acontecerá também a tradicional massa crítica pelas ruas para celebrar o transporte não-motorizado e a convivência pacífica.

Em mais de 200 cidades ao redor do planeta, ciclistas, patinadores e skatistas promovem mensalmente o resgate do espaço público, inspirados pelo movimento de “massa crítica”.

Em São Paulo, a concentração lúdico-educativa é às 18h, na Praça do Ciclista. Às 19h30, um pedal legal para humanizar o trânsito.

O único requisito é um veículo não-motorizado (bicicleta, patins, skate, patinete, etc). Panfletos, cartazes, alegorias e boas idéias são muito bem-vindos.

* É recomendada a utilização de equipamento de segurança (capacete, luzes ou refletores).
* Em caso de chuva forte, a Bicicletada fica adiada para a sexta-feira seguinte.

Bons sinais – bicicletas no metrô e paraciclos


(foto: Flávio Xavero)

A foto acima é do leitor Flávio Xavero, que descobriu um misterioso símbolo de bicicleta no chão de metrô Ana Rosa. Nenhum funcionário sabia informar do que se tratava, mas parece que aquele boato sobre as bicicletas no metrô aos domingos está se concretizando.

Abaixo, o modelo de paraciclo que será instalado pela SVMA nos parques e em outros espaços da capital. O primeiro lote, de 1000 unidades, já começou a ser instalado.


(foto: Laura Ceneviva – SVMA)

Às vezes acontece

Às vezes os reis da rua (das calçadas, faixas de pedestres canteiros, praças e parques) também são punidos. Não que vá fazer alguma diferença para o dono da empresa, nem que a punição servirá para mudar comportamentos. Até porque existem recursos, adovagos, políticos, despachantes e mafiosos prontos para salvaguardar quem tem poder e dinheiro. Mas que a cena é bonita de se ver, isso é.

Por sorte essa agente da CET estava na área e não titubeou ao ser informada do abuso cometido pelos transportadores do rei do mundo: sacou a caneta, o bloco e mandou ver na multa. Parabéns a ela.

Para que serve uma bicicleta dobrável

Chegou outro dia aqui em casa a Dahon Eco, uma bicicleta dobrável. O colega pedalero também comprou uma e escreveu o seguinte relato na lista da bicicletada:

“Descobri duas coisas.
Que tem um lugar chamado Café Galícia no fim da Consolação que faz uns sucos inacreditáveis. Uva verde com agua de coco, nesse naipe! Pretendo voltar com certeza.

E a outra coisa é que não são todas as estações de metrô que proibem de entrar com a dobrável. Por enquanto sei que BELÉM E TATUAPÉ não deixam entrar. (E no Belém tem uma mulher particularmente sádica, então deixa ela ser feliz).

Hoje peguei PATRIARCA (já estava preparado mas nem precisou embalar) E ANHANGABAÚ e essas duas estações liberaram a entrada.

Todo mundo olha muito a bike. Meu tio ficou me botando medo que chama muito a atenção e que tenho que ficar esperto. E ele está certo, é preciso estar atento mesmo. Mas ficar botando medo repetidamente é algo que torra meu saco rapidinho, é o tipo de coisa que não ajuda em nada. Aí eu pensei, mas por que que ele iria me ajudar com alguma coisa? É o tipo da coisa, as pessoas quase nunca existem pra te ajudar, elas só existem. Mas que torra torra, até por que se eu ficasse dando ouvidos pra esse tipo de conselho provavelmente estaria com outra vida, talvez sem bicicleta, talvez de carro que é “mais seguro” (?!!)

Então é como o vento, assim mesmo. Ahhhh. Ou como o funcionário do metrô Anhangabaú que me perguntou:
– É estrangeira ela né? Inglesa? Americana?
– Americana.
– Ah…E é pra competição?
– Hã..Não…Competição?
– É que ela dobra desse jeito, pra que serve?
– Pra entrar no metrô…”

Mais propaganda


(clique na imagem para ampliá-la)

Atendendo a pedidos, mais propaganda gratuita da rádio dos engarrafados. Desta vez com um pouco de realidade no lugar do céu azul que sempre aparece quando o assunto é vender máquinas poluidoras.

Me engana que eu gosto


(reprodução: recorte de jornal com manchete sincera)

Quem manda em São Paulo é o trânsito, ou melhor, aqueles 30% de cidadãos que possuem automóveis.

Para esta minoria é dirigida toda a atenção do poder público, com a construção de viadutos, fechamento de calçadões, criação de garagens, recapeamento de ruas, ampliação de estradas, transformação de praças em estacionamentos (a Charles Miller, por exemplo) e alguns milhões de reais por ano para gerenciar o caos.

Para esta minoria está voltada a mídia corporativa, que propagandeia os planos e factóides que prometem aliviar o caos (como a ampliação do número de pistas das marginais ou as novas formas de rodízio) e dá espaço de sobra para as reclamações dos motoristas (nas seções de cartas ou em matérias no caderno de cidades).

Para esta minoria está voltada a atenção dos especuladores, que espalham a cidade para longe do centro (onde o acesso só é possível por automóvel), construindo fortalezas onde o número de vagas para carros é maior do que o número de dormitórios e obrigando o poder público a levar infra estrutura até áreas distantes.

Para esta minoria está voltada a atenção do comércio, que criou o fenômeno tipicamente paulistano dos “manobristas no local”, para atender os paranóicos que tem medo de andar algumas quadras no espaço público ou usar transporte coletivo até o seu destino.


(reprodução: recorte de jornal)

Os paliativos para aliviar o caos beiram o ridículo. Fala-se de um problema (o trânsito), mas não se discute a causa (o excesso de veículos).

A mais recente iniciativa para tapear os paulistanos e permitir que o lobby automobilístico continue a desfrutar das benesses que há mais de 50 anos permitem que a cidade seja o paraíso da destruição motorizada é uma “ação de marketing” de uma empresa de seguros automobilísticos.

A tal empresa, em parceria com um grupo de notícias, conseguiu se utilizar de uma concessão pública para criar uma estação de rádio destinada à minoria da população. O “serviço” prestado não aborda as dificuldades de quem anda de ônibus, bicicleta ou à pé, apenas informa aos ouvintes angustiados e solitários dentro de suas bolhas móveis as “alternativas para (tentar) escapar do trânsito”.

A programação da rádio consiste essencialmente em dicas de possíveis rotas alternativas prestadas por reporteres e ouvintes que ligam de seus celulares… Opa, mas utilizar telefone celular enquanto dirige não é uma infração de trânsito que aumenta exponencialmente a chance de “acidentes” graves? Bobagem… O mais importante é continuar a enganar os paulistanos por mais alguns anos, para que eles continuem acreditando que é possível utilizar o carro para escapar do trânsito causado pelo excesso de carros.

Na última segunda-feira, dia de estréia da rádio, os dois principais jornais do estado tiveram a capa de todos os seus cadernos dominada pelos anúncios da nova estação. Os criativos slogans eram direcionados ao tema de cada caderno:
– Ilustrada e no Caderno 2 (cadernos de cultura): “porque chegar ao teatro não precisa ser um drama”
– Dinheiro e Economia: “porque tempo perdido no trânsito também é dinheiro”
– Cotidiano e Metrópole: “porque o trânsito muda todo dia”
– Esportes (apenas Estado): “para o trânsito não acabar com seu espírito esportivo”

E depois nos perguntamos porque a mídia corporativa, com raras e esporádicas excessões, boicota as iniciativas de contestação à sociedade do automóvel e não consegue propor uma discussão óbvia: o uso excessivo do carro (e não o trânsito) é um dos principais problemas de São Paulo.

A publicidade na capa de todos os cadernos certamente bancou a tiragem dos dois jornais naquele dia, bem como os cadernos publicitários especiais das montadoras, encartados todo sábado nos jornais, banca a tiragem da semana.

Se você quer sofrer um pouco com a angústia alheia, pode ouvir a rádio pela internet.

União dos Ciclistas do Brasil

O apocalipse motorizado reproduz a carta abaixo e apóia a iniciativa:

Prezados Ciclistas, Promotores da Bicicleta, Ativistas e Entusiastas.

Há alguns anos o assunto bicicleta vem se tornando cada vez mais presente em todos os cantos de nosso país. Neste período várias organizações vêm se formando com o objetivo de defender e promover a bicicleta, bem como um planejamento cicloviário de qualidade para as cidades. Muitas destas organizações têm alcançado resultados superiores aos esperados e já conquistaram o respeito e até parcerias com as administrações locais.

No ano de 2004, foi lançado pelo governo federal o programa Bicicleta Brasil que visa incluir as bicis no dia a dia da mobilidade de nossas cidades. Leia mais.

Logo em seguida, para participar mais efetivamente deste movimento, as indústrias e montadoras do setor uniram-se em uma entidade nacional chamada Instituto Pedala Brasil (IPB).

Faz-se então necessária a participação formal e organizada do maior interessado no sucesso deste processo, o ciclista. Com esta finalidade está em andamento a fundação da União dos Ciclistas do Brasil (UCB) cujo objetivo será participar efetivamente junto ao governo federal e ao IPB do processo de promoção ao uso de bicicletas no país. O foco é unir todas as entidades locais em uma entidade nacional para tratar dos assuntos no nível federal.

O assunto vem sendo discutido desde o 1º Encontro Nacional de Cicloativistas em Florianópolis 2005. Tendo sido aprofundado no 2º encontro, realizado em São Paulo no ano de 2006.

A meta atual é que a UCB seja fundada no 3º Encontro Nacional de Cicloativistas a ser realizado este ano. Para tal está sendo formado agora um grupo onde serão discutidos todos os temas relativos à
elaboração do estatuto da entidade e de onde sairão os Sócios Fundadores da UCB. Este grupo já unido no Fórum Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta (FBMB) atualmente é formado dentre outras, pelas seguintes organizações que já se posicionaram a favor da criação da UCB:

Via Ciclo – Florianópolis
ABCiclovias – Blumenau
Mobilciclo – Curitiba
Transporte Ativo – Rio de Janeiro
Rodas da Paz – Brasília
Bike Brasil – São Paulo
Comissão de Bicicletas da ANTP
Grupo CICLOBRASIL/UDESC – Florianópolis
Associação dos Ciclistas de São Vicente e Região Metropolitana
Associação Brasileira dos Ciclistas – São Vicente, SP
BIke Ciclo Verde – Rio Claro, SP
Escola de Bicicleta
Mountain Bike BH
Clube Zohrer
Caminhos do Sertão
Clube de Cicloturismo
e vários ciclistas individuais.

Existe um documento que formaliza a parceria para a criação da UCB. Aqueles que tiverem interesse em participar da discussão e da criação da União ou quiserem esclarecer alguma dúvida, por favor enviem mensagem para o Fórum Bicicleta-BR para que possamos enviar o modelo do documento a ser assinado pela entidade, grupo ou ciclista independente.

Os que preferirem, podem: baixar o Documento de Parceria, o termo de adesão, o termo de adesão individual e um modelo preenchido. Em seguida envie mensagem para o Fórum Bicicleta-BR para que possamos informar os procedimentos e o endereço em Brasília para onde deverá ser enviado o termo de adesão.

Por favor, encaminhe esta mensagem aos grupos de ciclistas de sua região.

Brasil, Janeiro de 2007

O Laerte é foda – paulistano na praia


(reprodução: Laerte)

Bicicleta no bagageiro do ônibus

(imagem: reprodução deste site)

O Clube de Cicloturismo do Brasil lançou um manifesto (acompanhado de abaixo-assinado) para resolver alguns problemas legais que impedem muitas vezes o transporte de bicicletas em bagageiros de ônibus.

Segundo o site, a legislação brasileira é confusa e abre brechas para que inúmeros ciclistas sejam impedidos de transportar suas bicicletas nos compartimentos de bagagem dos ônibus intermunicipais.

A idéia é pressionar as autoridades para que o Brasil tenha uma legislação clara e que permita o transporte de bicicletas (devidamente acondicionadas) em ônibus de viagem.

Sexta-feira é isso aí


“você não vai entrar na minha frente, seu #$@#%! /
desarme esta bomba antes dela explodir”
(imagem encontrada aqui por um leitor do blogue)

A cada sexta-feira que passa, a legião de carros sedentos por combustível e conquista de territórios parece maior e mais agressiva em São Paulo. É o dia do rush, com muito barulho, agressividade, tédio e degradação do espaço público.

O combustível vira poluição, que causa câncer, doenças respiratórias, morte em idosos e crianças, aquece o planeta e tira alguns anos de vida de todos os paulistanos sobreviventes.

A guerra por espaço deixa vítimas angustiadas, a ponto de explodir de raiva ou de cometer desatinos contra seus compatriotas. Cada motorista querendo uma pista livre para deslocar suas duas toneladas a mais de 100km/h como exibe o comercial de tevê

O trânsito mata. De angústia, de raiva, em batidas ou atropelamentos. Ao final da sexta do rush, começa a madrugada da estupidez. Os pseudo-cidadãos extravasam toda a angústia acumulada em uma semana de caos acelerando forte suas máquinas assim que o congestionamento diminui.

A maior parte dos “acidentes” com vítimas em São Paulo acontece nas madrugadas de sexta e sábado. Em cada uma dessas noites o Hospital das Clínicas recebe mais de 50 motoristas vítimas de colisões (geralmente causadas pelo excesso de velocidade e bebida).

Domingo a cidade descansa. E segunda começa tudo de novo. Mais uma semana de angústia, de raiva e desespero por não sair do lugar. A crença de que a culpa do trânsito é sempre do outro é intrínseca ao ato de dirigir, que tem em si a lógica da guerra e da competição. O carro, feito e vendido como sinônimo de velocidade e liberdade é, ao mesmo tempo, a prisão de quem dirige e o tanque de guerra que mata, atrapalha e desrespeita quem não tem carro.

Agressividade ao dirigir não é um desvio de personalidade, mas sim um efeito colateral do uso excessivo destas máquinas antiquadas no espaço urbano.