Bicicletários e paraciclos

(paraciclo na Alemanha / foto: Matias Mickenhagen)

Mais sete estabelecimentos antenados com a mobilidade sustentável foram adicionados à seção “Bem-vindo, ciclista”.

Os locais possuem bicicletários ou paraciclos, valorizando clientes e freqüentadores que não poluem o ar nem congestionam as ruas.

A dica é do colega Fabrício Zuccherato. Se você conhece outros locais com estacionamento para bicicletas, envie as informações através do e-mail. Além do endereço, vale citar o número de vagas, se o local é coberto ou descoberto, se possui algum tipo de segurança ou se exige algum documento.

Do outro lado do Atlântico, este site mostra bons e maus exemplos de estacionamentos para bicicletas na Alemanha.

Inverno e verão

Parati – julho de 2007 – foto: Lucas Busto

Um veículo para todos os meses do ano.

Parati – dezembro de 2006 / foto: gira-luddista

Calçadas e ciclovias

Por que as calçadas são estreitas em São Paulo?
Por que a cidade não tem ciclovias e ciclofaixas?

“Calçadas com nove ou dez metros de largura são capazes de comportar praticamente qualquer recreação informal – além de árvores para dar sombra e espaço suficiente para a circulação de pedestres e para a vida em público e o ofício dos adultos.Há poucas calçadas com largura tão farta. Invariavelmente, a largura delas é sacrificada em favor da largura da rua para os veículos, em parte porque as calçadas são tradicionalmente consideradas um espaço destinado ao trânsito de pedestres e ao acesso a prédios e continuam a ser desconsideradas e desprezadas na condição de únicos elementos vitais e imprescindíveis da segurança, da vida pública e da circulação de crianças nas cidades”.

Jane Jacobs, autora da frase acima, escreveu sobre as calçadas e as cidades estadunidenses da década de 60. A autora de “Morte e vida de grandes cidades” se assutaria com a São Paulo do ano-recorde. Calçadas com mais de três metros são raríssimas na cidade.

O cotidiano de pedestres, cadeirantes, crianças e idosos que ousam não ter carro na capital do individualismo motorizado é a vida espremida entre postes, buracos, viaturas e motos da polícia, carros-forte, táxis, camelôs e carros particulares que estacionam “só um instantezinho” no espaço que deveria ser exclusivo dos seres humanos.


Utrecht – Holanda / foto: Zé Lobo

Talvez quem só anda de carro não perceba, mas as calçadas paulistanas são estreitas demais para a quantidade de pessoas que as utilizam e estão longe de cumprir o papel de “elementos vitais” para a vida pública. Ou melhor, representam o exato oposto: o esgarçamento da sociedade e a morte de seu habitat.

Os ciclistas também tiveram seu espaço históricamente expropriado pelos carros. São Paulo possui hoje uma extensão desprezível de ciclovias ou ciclofaixas (23,5km), sendo que apenas 4,5km se encontram fora de parques. Da mesma forma o automóvel (estacionado ou em movimento) é o grande responsável pela baixa qualidade dos ônibus, roubando-lhes espaço de circulação, embarque e desembarque de passageiros.

Calçadas decentes, ciclovias, ciclofaixas e corredores de ônibus ficam em último plano na cidade onde a tolerância com o estacionamento de propriedades privadas na via pública é regra, não excessão.

A visão turva sobre essas questões, agravada talvez pelo uso de películas negras nos vidros, permeia as mentes de boa parte dos planejadores, técnicos, legisladores e a administradores da cidade.

Na semana que passou um projeto de lei aprovado pela Câmara mostrou que os olhos que decidem só conseguem enxergar a cidade através de um pára-brisa.

O projeto 309-07, de autoria do vereador Ricardo Teixeira (PSDB), previa a proibição de estacionamento de veículos nas ruas do Centro Expandido durante o “horários de pico” (das 7h às 10h e da 17h às 20h).

O objetivo, como não poderia deixar de ser, era melhorar a fluidez (?) do trânsito. Ou seja, tirar espaço dos carros para dar mais espaço aos carros.

Ao longo da semana o prefeito Gilberto Kassab anunciou que vetaria o projeto. Venceu o bom senso, já que a medida, de difícil aplicação, serviria mais como paliativo para aliviar a angústia do paulistano no congestionamento.

Ainda que o fluxo seja a condição prioritária das vias públicas (e o estacionamento nas ruas uma aberração urbana), a idéia seria, no mínimo, impraticável. Em um quarteirão com 30 “vagas”, bastaria um veículo infrator estacionado para jogar a brilhante solução no ralo, provocando transtornos ainda maiores para os motoristas.


Três bicicletas ou meio carro? / Londres – foto: Lilx

De qualquer forma, é sabido que os 30% possuidores de automóvel não querem abrir mão do “direito” de privatizar espaço público. Qualquer cidade que ousou beneficiar a maioria da população (pedestres, ciclistas, cadeirantes, passageiros de ônibus, idosos e crianças) e, para isso, teve que resgatar uma parte do espaço historicamente roubado pelos carros, sofreu um bombardeio ferrenho da chamada opinião publica(da).

Cabe às autoridades, como sempre, escolher para quem governam: se para a minoria motorizada ou para a maioria que não anda de carro.

A opção por uma cidade destinada às pessoas (e não às máquinas) não será feita na base de remendos. Resgatar espaço dos carros estacionados para destinar aos carros em movimento durante um quarto do dia é uma idéia (no mínimo) tímida e equivocada frente ao grave problema representado pela presença determinante do automóvel em São Paulo.

O espaço é um bem finito. A restrição de estacionamento deve servir para que tenhamos calçadas mais largas, espaços seguros para a circulção de bicicletas, corredores e faixas de ônibus, locais de convivência humana e áreas verdes.

O resto é operação tapa-buraco, que só agrava a desintegração do tecido social e urbano da cidade.

Ou será que o congestionamento recorde da semana passada, quando a cidade suspendeu seu paliativo maior, não mostra que as soluções pautadas pelo ponto de vista dos motoristas já chegaram ao limite, inclusive quando o assunto é “trânsito”?

Cenas reais

Acima, saída da escola em Utrech (Holanda). A foto é do colega Zé Lobo, que fez parte da delegação brasileira presente no Velocity 2007.Em seu fotolog, Zé Lobo está disponibilizando algumas imagens da viagem. Cenas cotidianas de cidades reais, possíveis de serem construídas e cada vez mais necessárias para a humanidade.

Abaixo, uma propaganda nas ruas de Lisboa, enviada pelo Bruno Morino.

“Deixe o carro em casa”, um pedido simples mas ainda utópico e descabido para os ouvidos dos paulistanos motorizados. Por aqui, ainda pega mal questionar o carro. Ainda bem que a relidade começa a mostrar que não existem saídas individuais para problemas coletivos.

Mais um a comemorar

(fotos: Fabrício Zuccherato)

Relato do colega Fabrício Zuccherato sobre a inauguração do bicicletário no teminal da EMTU em São Bernardo do Campo:“Logo cedo me vesti a caráter, preparei a magrela e peguei a nova avenida Lauro Gomes, rumo ao centro. Estava em dúvida sobre que parte do terminal o bicicletário estaria, pois o acesso não é dos melhores.

Chegando lá, encontrei o Maurício que participa também dos passeios da CAB e já avistei uma grande multidão bem no começo do terminal, quase na entrada dos ônibus e tróleibus da EMTU (os ônibus municipais param no terminal em frente). Era ali mesmo. Até marchinha da PM tinha. Mal pude ver como era o bicicletário e fui abordado por dezenas de repórteres e fotógrafos. Como eu estava com meu “uniforme” e a magrela bem equipada, todos acharam que eu era competidor. Me senti um verdadeiro mega-star! 🙂

Os repórteres dos jornais e tv locais queriam saber o que esse bicicletário significava para mim e para os ciclistas em geral. Fiz questão de relevar a importância de iniciativas como essas, assim como novas ciclovias e ciclofaixas, pois o que precisamos é de mais bicicletas e menos carros nas ruas. Para alguém que usa a bicicleta como meio de transporte, tanto para lazer e trabalho, como eu, um local para deixar a bicicleta enquanto vou a clientes, lojas, bancos e outros lugares é essencial. Espero que meus depoimentos façam as pessoas e alguns políticos abrirem o olho para essa questão.

Passado o alvoroço, cortaram o laço e abriram o bicicletário, e pude conferir como ficou. O espaço usado para o bicicletário é a estrutura de um ponto de ônibus desativado. O espaço em volta da estrutura de concreto coberta foi fechado com grades e uma estrutura de ganchos foi montada, capaz de guardar 40 bicicletas, com iluminação. Para usar o bicicletário, você precisa fazer um cadastro e você leva uma carteirinha do local. O local fica trancado e é vigiado durante todo o horário de funcionamento, das 6 às 22hs.

Fiz meu primeiro teste deixando a bike ali, pois tinha de ir para o banco. Um dos funcionários me pediu para que eu “depenasse” a bike, ou seja, retirasse todos os acessórios. Aproveitando a onda, sugeri para os organizadores para incluirem um armário no bicicletário para capacete e acessórios, como o Carrefour faz para as motos. Já que todos os ciclistas devem usar capacete e não podem deixar seus acessórios lá, seria mais cômodo do que carregar tudo isso por aí. O bom foi que eles parecem ter gostado da idéia, vamos ver se isso vira.

Durante o evento, fiquei sabendo que estão planejando uma ciclovia da Vl. São José até o centro, de aproximadamente 10km. Uma boa notícia, se sair do papel.”

[bicicletário Guilhermina-Esperança – Metrô]

[bicicletário Pinheiros – CPTM]

[bem-vindo, ciclista – bicicletários e paraciclos]

Mais um recorde a lamentar

aquarela: Lelis, publicada originalmente no Estado de Minas
reproduzida com a permissão do autor

Os economistas comemoram, o apresentador do telejornal sorri, os executivos das multinacionais dão pulos de alegria. Aos parentes das vítimas, resta chorar sobre os caixões ou nos leitos de hospitais.

Enquanto a indústria automobilística divulga mais um recorde de vendas no país em junho, a Polícia Rodoviária Federal adverte: julho será recorde em acidentes nas estradas.

Com 221,1 mil máquinas predadoras de espaço e de vidas vendidas em junho, os fabricantes de automóveis já colocaram mais de 1,068 milhão de veículos nas ruas brasileiras em 2007 (dos quais 95% são automóveis particulares).

O aumento da frota em 2007 tem reflexo direto no número de vítimas “do trânsito”: em relação ao primeiro semestre de 2006, cresceu o número de acidentes (10,4%), de mortos (7%) e de feridos (10,6%).

Será que a bonança que enriquece principalmente companhias sediadas em outros países é um sinal de progresso? Será que os modelos econômicos baseados em atividades insustentáveis têm alguma relação com o desenvolvimento social e humano? Quantas vidas serão perdidas e quantas cidades serão destruídas até que a sociedade e os governos comecem a questionar o domínio do automóvel sobre espaços e vidas?

Pelo andar da carruagem, continuaremos a bater recordes de vendas, de mortos e feridos, de congestionamento, estresse, poluição, doenças cardíacas e respiratórias, de fragmentação do espaço público… E o pior: continuaremos acreditando que tudo isso significa “desenvolvimento”.

Bicicletário em São Bernardo

O mundo é nosso!

(Bicicletada de junho em Curitiba / foto: Domingo 23)

Sempre na última sexta-feira de cada mês, milhares de pessoas ocupam as ruas de suas cidades para celebrar a mobilidade sustentável e a construção de novos paradimgas de convivência humana. São os encontros de massa crítica, espaços de ação direta na realidade, aqui no Brasil apelidados de Bicicletada.

A cada mês cresce o número de participantes: pessoas dispostas a ocupar as ruas para trocar experiências, celebrar o espaço público, questionar a sociedade do automóvel, se divertir, pedalar, patinar, andar de skate, resgatar o espaço público e demonstrar na prática que um outro paradigma de mobilidade é possível.

(massa crítica de junho em Lisboa / foto: FBruno)

A massa crítica não tem líderes, heróis nem fronteiras. Trata-se de uma experiência múltipla, diversa e plural, como a própria humanidade.

Não é uma ONG, não é um movimento com propostas e reivindicações… É apenas um encontro, uma experiência temporária de resgate dos espaços das cidades, cada vez mais colonizados por funcionalidades predatórias e irracionais.

A zona temporária que se abre a cada bicicletada é riquíssima, permite articulações entre as pessoas (inclusive para construir propostas e reivindicações), é um espaço para trocar idéias, se divertir, celebrar e, principalmente, para vivenciar algo cada vez mais distante das sociedades midiotizadas: a realidade.

Abaixo, alguns vídeos e fotos da massa crítica de junho, que aconteceu na última sexta-feira (29) em diversas partes do planeta.


Florianópolis

[Florianópolis – fotos e notícia]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=VvC529Sd-9s]
Fortaleza


São Francisco

[Fotos e notícia]

[vídeo: My first Critical Mass]


Visaginas (Lituania)


Roma (Itália)


Vancouver (Canadá)


Londres (Reino Unido)


Varsóvia (Polônia)

[Varsóvia 2]


Toronto (Canadá)

[Toronto – fotos]


Chicago (EUA)

[Chicago 2]

[Chicago 3]


Rochester


Pennsylvania (Filadélfia – EUA)


Tallahassee (Florida – EU
A)

Massa Crítica .::. Junho .::. Bicicletada

Com um público flutuante em torno de 25 pessoas, a Bicicletada de junho trouxe mais uma vez um pouco de alegria e alívio para as estressadas e congestionadas ruas de São Paulo.Conversa, celebração, panfletagem, educação e diversão: o encontro mensal de massa crítica em São Paulo acontece sempre na última sexta-feira de cada mês, promovendo o uso do transporte sustentável e a construção de espaços humanos nas cidades.

[vídeo]

fotos: flickrmultiply

Praça do Ciclista

Passando o recado…

… com alegria.

Estréia do Eco-Taxi na Bicicletada.

Uma bicicleta a mais, dois carros a menos!

Propaganda e realidade.

A árvore plantada na Bicicletada contra o G8
e as mudanças climáticas
segue por lá.

E para dar mais sorte à cidade, desta vez os
participantes plantaram trevos de quatro folhas.

Nós somos trânsito!

Bicicletaria do Seu Adil, desde 1947 na rua dos Pinheiros.

Veículo do passado transportando veículo do futuro.

Ahhhhh!!!! Trânsito na Vila Madalena.
Como é ruim dirigir na cidade.

Em julho a Bicicletada paulistana completa 5 anos.Prepare-se para a festa!

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:. sexta-feira (29/06)

:. concentração lúdico-educativa: 18h / pedal para humanizar o trânsito: 19h30

:. Praça do Ciclista: av. Paulista, alt. do 2440 (quase na Consolação)

:. Não tem bicicleta? Peça uma emprestada.

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