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Bicicletadas na sexta: Lapa e Santo André

(cartaz: ativismo abc)

Na próxima sexta-feira (12) acontece a segunda edição da Bicicletada de Santo André, com concentração a partir das 18h no Paço Municipal (laguinho).

No mesmo dia e na mesma hora, uma iniciativa pioneira de descentralização da Bicicletada em São Paulo acontece no bairro da Lapa. A primeira Bicicletada Local – Lapa tem encontro marcado para as 18h, na praça Miguel Dell’Erba, em frente ao Terminal de ônibus da Rua Guaicurus.

Anti-exemplo de ano novo


(foto: Toni)

Ciclovia da av. Edgar Facó (Pirituba), pouco antes do meio-dia de 1 de janeiro de 2007. Adicionada ao álbum carro vip.

CTB – Art. 181. Estacionar o veículo:
(…)
VIII – no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção do veículo;

Quem policia a polícia?

Anti-exemplo de ano novo


(foto: Toni)

Ciclovia da av. Edgar Facó (Pirituba), pouco antes do meio-dia de 1 de janeiro de 2007. Adicionada ao álbum carro vip.

CTB – Art. 181. Estacionar o veículo:
(…)
VIII – no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção do veículo;

Quem policia a polícia?

Fim de ano sem carro


(fotos: gira-luddista)

Por alguns instantes o motorista vê realizado o sonho de pilotar um carro sozinho na auto-estrada, indo em direção ao horizonte. A imagem idílica do anúncio publicitário já não causa mais a angústia do cotidiano imóvel na cidade, a angústia de não sair do lugar, de não poder aproveitar a máquina que lhe foi vendida como panacéia para a mobilidade e como símbolo da velocidade instantanea.

A utilidade do automóvel é inegável. Em viagens podemos percorrer largas distâncias, escolher quando e onde queremos parar, levar mais bagagem e até facilitar os deslocamentos nos locais visitados.

No Brasil das ferrovias destruídas pelo modelo rodovigarista predatório e corrupto, o carro ainda é o rei da estrada. A gestão privada das linhas rodoviárias de transporte coletivo é tão nebulosa quanto as concessões de rádio e televisão no Brasil: o cartel impera, não há concorrência, a qualidade é baixa e em muitos pontos do país a viagem de ônibus ainda é algo terrível e extremamente cansativo.

Não era o meu caso: Parati, no litoral fluminense, tem ônibus saindo regularmente de São Paulo. Mas há duas semanas da data pretendida para a viagem, já não era possível encontrar passagem em horário adequado (precisava chegar durante o dia ou no final da madrugada, a tempo de pegar um barco até o destino final). Fui de carro, até porque o destino das férias era uma praia sem carros, a data era de baixo movimento nas estradas e eu ainda teria companhia para dividir os gastos e tonar a viagem mais agradável.

Rodovia Ayrton Senna, que integra a ligação rodoviária entre a capital e o litoral norte (composta também pelas rodovias Caravalho Pinto, Tamoios e Oswaldo Cruz). Por ser uma das melhores do país, a Ayrton Senna é também uma das poucas com acostamento decente e adequado ao tráfego de bicicletas.

A Ayrton Senna foi inaugurada por ninguém menos que Paulo Maluf no sugestivo Primeiro de Maio de 1982, com o nome de “Rodovia dos Trabalhadores”. Foi renomeada em 1994, durante a gestão do governador Fleury, logo após a morte do piloto de fórmula 1 (ironicamente) em um “acidente” automobilístico.

A nova ligação rodoviária serviria para desafogar o trânsito da via Dutra, já saturado e perigoso para os banhistas paulistanos que começavam a descobrir (e especular n)o litoral norte.

O lobby automobilístico vigente desde a era JK e a conseqüente destruição da malha ferroviária fez com que o transporte de pessoas e mercadorias entre as duas maiores cidades do país passasse a ser feito apenas por ônibus, caminhões e automóveis. Hoje, estima-se que 52% do PIB brasileiro circule pela Via Dutra.

Aqui o trabalhador deixa R$7,80 depois de percorrer 48km na Ayrton Senna.

Via Dutra, perto de Taubaté. A falta de acostamento em alguns trechos e o trânsito pesado de caminhões e ônibus não impedem o fluxo de ciclistas.

Esta não é a Praça do Ciclista de Taubaté, mas sim uma homenagem aos primeiros “abridores de estradas” de São Paulo. De arma em punho, Bandeirantes como o da estátua acima mataram milhares de índios, escravizaram outros tantos, exploraram negros, roubaram ouro, destruiram florestas e assim abriram espaço para o “desenvolvimento” paulista.

O estado que se orgulha de ter “as melhores rodovias do país” é o mesmo que não possui nenhuma ligação ferroviária de passageiros para litoral nem para o interior, apesar dos trilhos ainda permanecerem instalados em diversos trechos (como é o caso da ligação entre São Paulo e Campinas).

Beneficiam-se do lobby rodovigarista que sufocou o trem as empreiteiras, os governos, as transportadoras, os policiais rodoviários corruptos e, claro, as montadoras de automóveis, caminhões e ônibus. Pagam a conta os milhares de mortos e feridos em “acidentes”, o sistema de saúde pública, o meio ambiente e o trabalhador comum, escravo das máfias automobilistas e do alto custo econômico, social e ambiental embutido nesta forma de transporte.

O desenvolvimento na porta de casa. O modelo que privilegia as rodovias criou incongruências urbanas difíceis de serem revertidas. Se antes a cidade se organizava ao redor da estação de trem, hoje as rodovias atravessam bairros e cidades tornando a vida perigosa e barulhenta para quem mora na região. A convivência de tráfego urbano com veículos em viagens longas
é mais uma grande estupidez deste modelo.

Não são poucas nem raras as rodovias que atravessam regiões centrais e cidades inteiras (basta citar o exemplo de São Paulo, com as marginais, e Rio de Janeiro, com a Avenida Brasil). Uma rodovia passando pelo meio de uma cidade não é apenas um problema para os moradores destas regiões, mas também representa a degradação do próprio funcionamento da rodovia, obrigando o motorista a reduzir sensivelmente a velocidade e atrasando a viagem.

No litoral norte de São Paulo, um bom exemplo dessa destruição é a Rio-Santos. Construída a poucos metros do mar, a rodovia celebrizada por Roberto Carlos corta ao meio praias e bairros inteiros nas cidades de Caraguatatuba e Ubatuba, obrigando os moradores a realizar diariamente perigosas travessias para chegar ao outro lado da rua. Para evitar derramamento de sangue em níveis maiores, todo o trecho urbano está forrado de desagradáveis lombadas e redutores de velocidade.

As bicicletas de Taubaté

Ubatuba


Parati

Pouso da Cajaíba

Transporte coletivo

Pedestres

31 de dezembro

Bicicleta do mar

Crianças brincando com suas bicicletas

Davi

Amanhã vai ser melhor

(a imagem é do pessoal firmeza do Mountain Bike BH)

Breve pausa até o começo de janeiro. Merecidas férias em uma praia sem carros, onde só é possível chegar de barco.

Falta tempo para escrever, mas desejo a todos os leitores, apreciadores ou não, um ótimo final de ano. Espero sinceramente que em 2007 finalmente comecemos a reverter a brutal destruição urbana, humana e ambiental causada pelo uso excessivo de automóveis nas cidades brasileiras, em especial na capital paulista.

Aproveito para pedir um favor. Alguns leitores reclamaram de um problema no layout do blogue: em algumas configurações de monitor e ao usar o internet explorer, a barra da direita só aparece ao final das postagens.

Não consegui identificar o problema com as minhas configurações (resolução 1024×768, navegadores Firefox ou Opera) e em outras semelhantes. Provavelmente foi causado pela alteração do antigo para o “novo Blogger”. Se alguém tiver um tempinho para dar uma olhada no template do blogue e conseguir encontrar a solução, agradeço. As alterações podem ser enviadas pelo e-mail apocalipsemotorizado@gmail.com.

Um grande abraço a todos, um ótimo final de ano e até 2007. Seguimos buscando os nossos sonhos, caminhando contra o vento poluído e motorizado que sopra com força nestas bandas. Pela humanidade acima do mercado, pela vida acima do consumo, pelos direitos acima das mercadorias, pela convivência onde existe segregação e pela paz no lugar da guerra.

Amém, automóvel


contrapublicidade do [ConsumeHastaMorir]

Da praça fez-se a rua. Da calçada, o estacionamento. Louvemos ao Deus Carro pela desgraça alcançada.O espaço público é nosso altar cotidiano de sacrifícios. Oferecemos quatro vidas por dia em colisões e atropelamentos. Outras oito são entregues através de doenças respiratórias, problemas no coração, câncer e outros tipos de mortes lentas.

Também oferecemos o sacrifício diário dos que seguem vivos: penitentes castigados com muitas horas de trânsito, baixa qualidade de vida, péssimo acesso à cidade e ao espaço público.

Castigamos os infiéis (ou inferiores) com a degradação brutal do transporte público, com as calçadas-minadas, esburacadas, inexistentes ou ocupadas por nossas máquinas sagradas. Castigamos os rebeldes privando-lhes de ciclovias, ciclofaixas, semáforos de pedestres, respeito e transporte público durante a noite.

Oferecemos nossas riquezas para tratar feridos e enterrar os mortos. Gastamos o dinheiro de todos para beneficiar alguns: recapeamos e asfaltamos ruas, construimos viadutos, pontes e avenidas.

O Deus Carro é guloso por espaço; estimula luxúria, vaidade, avareza e orgulho através dos estímulos de consumo instantaneamente renovados pela máquina da propaganda; gera preguiça e ira em quem dirige e transforma toda a cidade em um verdadeiro inferno para vender o único Céu possível: o Sagrado Coração de metal, plástico e vidro.

Tanto no Céu, quanto na Terra. Poluímos o ar e derretemos o planeta. Destruimos bairros e comunidades inteiras para acomodar o fluxo e o estacionamento de um número cada vez mais insano de veículos. A cidade espalhada, segregada e agressiva é o território fértil para a manutenção da nossa fé. Acreditamos no medo, evitamos a convivência, odiamos aquele que se coloca à nossa frente como obstáculo para a velocidade vendida no comercial de tevê.

O Deus Carro e sua parceira Especulação espalharam a cidade, criaram imensos vazios urbanos, condomínios fechados e shoppings centers, tudo com amplo estacionamento ou manobrista no local. A rua é de ninguém, espaço poluído e abandonado que serve apenas para circularmos com nossa fé sobre quatro rodas. Amém, automóvel!

“Só não é uma religião porque ninguém consegue seguir”
(reprodução de apologia publicitária à velocidade assassina em revista)

* Vidros escuros acima do permitido pela lei meramente ilustrativos.
** Chamas na parte traseira só em caso de “acidente” provocado pelo excesso de velocidade.

Dezembro e a chuva

Choveu. Choveu muito na tarde da última sexta-feira em São Paulo. Andar de bicicleta na chuva não é impossível, mas pode ser um tanto desagradável. Não tanto pela água que vem do céu, geralmente mais limpa do que aquela que respinga do asfalto, cheia de óleo, fuligem e tudo que o paulistano joga diariamente nas ruas impermeáveis e que não é levado para os rios ou recolhido pelos incasáveis garis.

Era dia de Bicicletada, a última do ano.

As placas da Praça do Ciclista, reinstaladas no Dia Sem Carro, ainda estavam por lá. A Praça do Ciclista é um espaço no final da avenida Paulista, um canteiro largo com uma estátua e um gramado no meio.

Dizem que o projeto original da avenida previa canteiros centrais largos ao longo de toda a Paulista, espaços para caminhadas, com árvores ou ciclovias.Os canteiros foram engolidos pelo automóvel e deram lugar a quatro pistas de rolamento que passam o dia congestionadas.

Em 2006 foram instaladas grades pela CET para impedir a passagem de pedestres no canteiro, ou seja, para legitimar que a cidade é feita exclusivamente para o automóvel. Sobrou a Praça do Ciclista, espaço de resistência que teve batismo popular em fevereiro deste ano e funciona como ponto de encontro das Bicicletadas paulistanas.


placa instalada pelos participantes da Bicicletada no Dia Sem Carro

Quatro bravos ciclistas apareceram. Refugiados no ponto de ônibus, trocavam idéias sobre bicicleta, chuva, São Paulo…

E ainda deu tempo de pequenos ajustes e troca de conhecimentos sobre mecânica das magrelas.

Em janeiro tem mais. Sempre na última sexta-feira de cada mês, às 18h, com encontro marcado na Praça do Ciclista, o canteiro central no finalzinho da Paulista, quase na Consolação, em cima do buraco da rampa anti-mendigo, em frente aos sebos do Belas Artes… Ali, onde a incansável estátua olha para o oceano de automóveis e sonha com dias melhores.

Ho ho ho

NORTE

os 20% mais ricos consomem 80% dos recursos planetários

SUL

(fotos: autoria desconhecida / dica das fotos: Inácio Guerberoff)

[“Feliz Natal, a guerra acabou”]
vídeo sobre música de John Lennon no pimenta negra

É sexta

(arte: pedalero)