A morte do múltiplo de 10 e as entrelinhas da integração

Na última quarta-feira (31), o governo do Estado acabou com o bilhete que permitia dez viagens em trens metropolitanos e no metrô (o famoso “múltiplo de 10”).

Segundo a justificativa na imprensa, a medida visa “incentivar a integração tarifária com os ônibus (através do Bilhete Único)” e “coibir as fraudes”.

Quando surgiu, em 1976, o “múltiplo de 10” visava incentivar a “fidelidade” dos passageiros e estimular o uso do transporte coletivo em trilhos. Para isso, oferecia um bom desconto em relação à tarifa unitária.

O desconto, que em 2002 era próximo de 22%, foi reduzido progressivamente pela administração tucana até atingir 4,8% em 2006 (até quarta-feira, a cada 10 viagens, o passageiro economizava R$1,00).

O processo de “integração tarifária” com o Bilhete Único utilizado nos ônibus (serviço municipal) apresenta algumas características interessantes. Durante a última campanha municipal, Marta Suplicy e José Serra prometeram não aumentar a tarifa de ônibus e integrar o serviço com o metrô e os trens.

Serra ganhou, aumentou a tarifa como primeira medida de governo e levou mais de um ano para “integrar” os ônibus com o metrô e os trens. Só que a integração foi concretizada como um desconto na soma das duas tarifas (ônibus+metrô). Quando foi criado, o Bilhete Único permitiu que os cidadãos utilizassem até 4 ônibus pagando apenas uma tarifa (e esta não foi reajustada).

Outro detalhe importante é que a venda dos bilhetes do trens e do metrô é feita por funcionários das companhias (de “carteira assinada”). Já os quiosques que recarregam o Bilhete Único são tercerizados, com funcionários em regime de trabalho muito mais “flexível” (entenda-se muito mais baratos para os empregadores).

Com o excedente acumulado durante mais de um ano de aumento na tarifa de ônibus (sem que houvesse integração), a centralização da venda de passagens nos quiosques do Bilhete Único (no lugar das cabines do metrô) e a possível economia em folha de pagamento (com a demissão de funcionários “excedentes” do metrô), foi possível realizar a “integração-desconto” entre os trens, ônibus e metrô da capital.

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