O para-joelhos da Praça do Ciclista

praça do ciclista – 25/12/2009

Por causa da São Silvestre, a prefeitura de São Paulo retirou o arremedo de parapeito que permaneceu durante quase um ano na Praça do Ciclista. Agora a mureta que protege pedestres de uma queda fatal no “buraco da Paulista” tem menos de um metro de altura.

O parapeito original teve sua altura reduzida em janeiro de 2008, quando a prefeitura reformou as calçadas da Paulista. O piso foi elevado, mas os carrocratas ignoraram a necessidade de aumentar também a proteção aos pedestres. Algumas reclamações foram feitas e, desde então, o improviso foi o padrão adotado.

Praça do Ciclsita – 12/12/2009

Como é sabido, as ruas percorridas pelos atletas da São Silvestre sempre recebem uma maquiagem para sair bem nas imagens da televisão. Tapumes e gambiarras com as quais os cidadãos convivem o ano inteiro não ficam bem nas imagens “para exportação”.

Em 2007, a Prefeitura (talvez a pedido do diretor de arte da emissora que exibe a prova) cobriu de cinza um mural da artista Mona Caron.

Com a retirada do arremedo de parapeito para a São Silvestre 2009, a prefeitura certamente irá repetir a ação de 2007 e cobrir de cinza os desenhos que hoje enfeitam a mureta. Resta saber se além de acabar com a arte, a administração municipal também irá acabar com o risco de um acidente gravíssimo no local.

Em Julho de 2008, o ex-über-secretário Andrea Matarazzo já prometia o reforço no parapeito (além da devolução do bicicletário que havia sido instalado antes da reforma das calçadas). Até hoje, nada foi feito além de pintar reiteradamente o muro de cinza.

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4 Comments

  1. Posted 26/12/2009 at 23h52 | Permalink

    Olá,

    Sem dúvida, um tanto interessante – para dizer o mínimo – essa atitude da prefeitura de São Paulo.

    Assim, ao que tudo indica, teremos no dia 31 de dezembro, como em todos os anos, uma bela corrida – principalmente para as empresas publicitárias e emissoras de TV, que faturam horrores com o evento.

    E, para completar nossos presentes de Natal e Ano Novo, ainda teremos a oportunidade de pagar R$ 2,70 para andar em nossos belos, rápidos e confortáveis ônibus. Ah, não podemos esquecer que os trens e metrôs serão também reajustados – em fevereiro, bem pertinho do Carnaval, para que todos saiam nas ruas para comemorar.

    Estamos, ainda bem, em sintonia com o primeiro mundo!

    http://tarifazero.org/2009/12/26/kassab-em-nova-york-a-globalizacao-do-aumento-das-tarifas/#more-1287

    Obrigado prefeitura!

    Além disso, claro, teremos o direito de em nossas viagens diárias assistir um pouco de televisão – porque ninguém é de ferro!

    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/12/461684.shtml

    Francamente, assim caminha (será?) a humanidade.

    Abraços – parabéns pela nossa resistência e criatividade diária.

  2. Posted 27/12/2009 at 14h04 | Permalink

    Concordo plenamente. Passei por lá na sexta-feira e me senti muito desconfortável. Imagine a Paulista cheia de gente na virada do ano… É uma irresponsabilidade deixar o “guardajoelho” como está.

  3. Vinícius
    Posted 28/12/2009 at 16h41 | Permalink

    Tomara que aconteça uma tragédia bem cabeluda com o “alto escalão da pseudoprefeitura”, só assim esses malditos vão tomar alguma providência.

  4. Posted 29/12/2009 at 10h39 | Permalink

    Já pensou se morre alguém despencando daí durante a corrida, que péssima propaganda? Talvez assim os porquíticos tomem alguma providência. É igual a reforma da Pç Roosevelt, depois que o Bortolotto foi baleado no assalto começaram a correr atrás da liberação do orçamento rapidinho…

One Trackback

  1. […] ___Orion viu a poluição que a cidade oferece a todos de outra forma e utilizou-a como material artístico. Mais de uma vez foi abordado pela polícia (que nada podia fazer contra um maluco limpando um túnel). Infelizmente, teve seu trabalho censurado/destruído quando a prefeitura resolveu – de maneira inédita –, limpar o túnel. Vejam o relato do artista no site da obra. P.P.S.: Utilizei aspas quando falei que a mureta da Praça do Ciclista servia para proteger os pedestres, porque o tamanho da “proteção” era tão irrisório que o cicloativista Luddista, de maneira genial, chamou a muretinha de para-joelhos. […]

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