Os carros têm que perder espaço

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Automóveis são propriedades privadas. Compra (e usa) um carro quem quer (gastar dinheiro).

Automóveis são propriedades privadas que ocupam espaço e desperdiçam recursos públicos. O automóvel é o único tipo de propriedade privada de uso exclusivamente público: ninguém compra um carro para deixar na garagem.

O espaço das cidades pertence a todos os cidadãos e o direito de acesso e uso deveria ser universal.

Apenas 30% da população paulistana possui automóveis. No entanto, o espaço público destinado a esta minoria é desproporcionalmente grande.

Estacionar uma propriedade privada no espaço público não é um direito, como pensam os motoristas, mas sim uma aberração das cidades voltadas para os automóveis, as mesmas que vivem poluídas e congestionadas e que matam milhares de cidadãos a cada ano em crimes chamados de “acidentes”.

Democratizar o acesso à cidade significa retirar espaço do automóvel e devolvê-lo às pessoas.

Substituir vagas de automóveis por calçadas mais largas para os pedestres, construir praças para a convivência entre as pessoas, terminais e corredores de ônibus para melhorar o transporte público ou até mesmo estacionamentos para bicicletas no espaço morto das bolhas motorizadas significa promover inclusão social, melhorando a qualidade de vida de todos os cidadãos.

A foto acima foi tirada na cidade de Santos, pertinho de São Paulo. No espaço ocupado por um automóvel (que geralmente leva apenas uma pessoa), espaço para seis bicicletas estacionadas.

Paraciclos e bicicletários não deveriam ser instalados nas estreitas calçadas de São Paulo, roubando o exíguo espaço dos pedestres, mas sim nas vagas de automóveis… Sonhar é que nem andar a pé ou de bicicleta: não custa nada…

vídeo: Trocando vagas de automóveis por bicicletários em Nova Iorque
fotos: paracilos no lugar de carros em Nice

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5 Comments

  1. Posted 10/01/2008 at 16h31 | Permalink

    Grande,

    muito bom o texto. Parabéns. O Blog está excelente. Na bicicletada desse mês estaremos lá, acho que falta se organizar pra exigir esse tipo de mudança que queremos. Não como partido, nem como ong, nem como governo, simplesmente como cidadãos.

  2. Posted 11/01/2008 at 22h20 | Permalink

    Concordo em gênero número e grau, direto faço referência a teu blog nos meus posts.. É muito bom.

    Um abraço.

  3. Gunnar
    Posted 13/01/2008 at 14h36 | Permalink

    Conheci Santos na semana passada. A cidade está muito bonita, principalmente ao longo da orla, com grandes jardins de praia, chuveiros públicos modernos e uma ciclovia muito bem feita e sinalizada – porém, Infelizmente, a ciclovia atende mais a uma política de incentivo ao esporte, do que ao transporte. Há muitos ciclistas em toda a cidade, é bonito de ver. Os supermercados e estabelecimentos de modo geral possuem paraciclos.

    Para mim, o que vi em Santos foi uma surpresa lindíssima (eu nunca tinha ouvido falar de sua fama ciclística), e, definitivamente, a cidade é a prova de que a demanda cria a oferta, e não o oposto – ou seja, a velha desculpa que muitas pessoas usam para não pedalar, de que “é muito perigoso, não tem estrutura” é uma baita falácia, já que não é a estrutura ciclável que brota do nada para depois ser ocupada pelas bicicletas, e sim o contrário: a única maneira de criar uma cidade e um trânsito amigável às bicicletas é indo às ruas pedalar, até sermos tantos que naturalmente surgirão os espaços a que temos direito.

    Por fim, mais um ponto negativo. O trânsito (de carros) é um dos mais caóticos que eu já observei no Brasil: a concentração de automóveis é quase equivalente à de SP, com a diferença de que os motoristas, na maior parte turistas, dirigem agressiva e pessimamente, de forma completamente egoísta. Mais um motivo para sair de bicicletinha.

  4. Zenga
    Posted 14/01/2008 at 23h15 | Permalink

    esse coletivo espanhol tem tudo a ver com esse tema: http://lacalleesdetodos.blogspot.com/

  5. Fabio de Castro
    Posted 09/10/2008 at 10h43 | Permalink

    Só tem uma coisa estranha em Santos (eu sou nascido lá, mas moro em SP há 18 anos):
    a altura dos bancos das bikes.
    Vc passa pela ciclovia e vê todo mundo pedalando com o banco baixo, recolhido até o fim. E pedalando, claro, com o joelho dobrado. A cidade deve ter o maior índice de lesão no joelho do mundo. Não sei por que esse hábito dos habitantes de lá. Mas precisaria fazer uma campanha de educação.

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