Seja sedentário

sedentario_lacerda.jpg

Anúncio de um castelo qualquer em um jornal qualquer.

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21 Comments

  1. João Carlos de Pinho
    Posted 15/01/2008 at 12h45 | Permalink

    Tem certeza de que você entendeu o anúncio? Dica: o prédio tem salão de ginástica e piscina com raia.

    Ou fui eu que não entendi seu post?

  2. Posted 15/01/2008 at 13h33 | Permalink

    O pior dessa sociedade é que ela se move de carro até a academia onde PAGA para se esforçar fisicamente. Em Curitiba a coisa mais comum é ver o estacionamento do Parque Barigui LOTADO nos domingos porque as pessoas vão fazer exercícios lá. Mas bem que poderiam ir a pé, ou de bike.

    Não chamaria de sociedade sedentária, é uma sociedade burra.

  3. zé álvaro
    Posted 15/01/2008 at 14h05 | Permalink

    pegar o elevador pra ir malhar é bom também, né? que tal descer de escada, só pra variar? o que eu não entendi foi a frase atribuida “a um tal de” thiago lacerda

  4. Michel
    Posted 15/01/2008 at 14h39 | Permalink

    Gosto do blog, mas esse despeito perene do luddista me cansa às vezes.
    Qual é o problema de morar num prédio bom? O que malhar tem a ver com ser sedentário? O problema é que quem mora ali tem grana, um crime na perspectiva do blogueiro.

  5. Albert
    Posted 15/01/2008 at 14h57 | Permalink

    A questão é cada vez mais eximir-se de viver na sociedade, a hiper-realidade!

    Em algumas cidades do interior não existe ciclovia, mas a GORDOVIA, onde os cidadãos fazem suas caminhadas, evitando o sedentarismo.
    Assim foi comprovado que andar não emagrece!

  6. Albert
    Posted 15/01/2008 at 15h03 | Permalink

    Bem-vindos ao deserto do real!

  7. Posted 15/01/2008 at 16h27 | Permalink

    Michel, para quem mora, nenhum problema no prédio ser “bom”. Mas do ponto do espaço público, da coletividade, a criação de castelos com “tudo dentro” (devidamente cercado e vigiado) significa a morte das cidades.

    Quantas praças e parques de acesso público foram criados em São Paulo no ano passado? E quantas praças e parques privados surgiram?

    Não é um crime morar em um lugar como esses. Esse é um modelo insustentável, que expande as cidades, distancia e segrega as pessoas. A quantidade de “condomínios-clube” que surgem a cada mês em São Paulo são um sintoma de uma cidade doente.

    “Pegar o carro para ir até a academia” é um sintoma da enfermidade. Pegar a bicicleta ou caminhar até o ponto de ônibus para ir até um parque ‘malhar'” é bem mais interessante, não concorda?

    “Mas não temos parques”. Sim. E será que a solução é construir castelos?

    Por fim, ter grana não é nenhum crime. O crime é a quantidade de gente que não a tem.

    Zé Alvaro, o ator era garoto-propaganda do anúncio.

    abraços,

  8. Posted 16/01/2008 at 0h10 | Permalink

    Muito boa sua resposta Luddista, so para firmar ainda mais o pensamento.

    A forma como os condomínios fechados(prédios) vem sendo construídos no Brasil são de impactos inimagináveis, cada vez mais eles ocupam um espaço muito grande, as vezes uma quadra inteira do bairro, completamente cercado por MUROS com alturas absurdas, e completamente desproporcional a suas calçadas, eu convido Michel a andar em um bairro repleto desse tipo de construção, para perceber a solidão que é, pelo seu comentário você não anda e nem usa bicicleta para se transportar.

    Eu moro em Aracaju, uma cidade muito pequena e esta se acabando por essas e outras, nós aqui temos uma facilidade enorme para conhecer as periferias, como eu estudo Arquitetura e Urbanismo, tenho um contato muito grande em relação a outros cursos e se você tiver curiosidade convido-o a ir a uma periferia para comprovar que é muito mais agradável um lugar onde as pessoas usam a rua, as crianças brincam, conversam, se sujam, se machucam, as pessoas são solidárias e N possibilidades e Confirmo que é melhor do que qualquer condomínio de luxo, com suas crianças nerds informatizadas que não pode ter contato humano e país egoístas, do que qualquer academia, qualquer shopping, onde as pessoas mal se cumprimentam por que se acham melhor que as outras, a individualidade reina nesses tipos de residências.

    e Outra coisa se as pessoas usassem a bicicleta pra ir pra o trabalho, o transporte público ou qualquer outro meio a propulsão humana, pode ter certeza que academia nem existiria!!!!!! So para aqueles de mentalidade fútil que acreditam que IMAGEM é TUDO.

  9. Gunnar
    Posted 16/01/2008 at 9h39 | Permalink

    É interessante como uma frase simples como essa carrega muito mais significados do que aparenta, servindo de reflexo para o tipo de sociedade que estamos construindo.

    Ao contrário do que o povo adora dizer por aí, o Brasil não é um país pobre; existe muita riqueza aqui, muita produção, muita grana, muitos recursos naturais. O problema é a péssima distribuição e o conseqüente abismo social e econômico. E os extremos só tendem a se afastar.

    Quem tem dinheiro não está nem aí para melhorar a cidade em que vive. Não se preocupa com a segurança pública, afinal, o dinheiro compra cercas elétricas, carro blindado, segurança particular… não está nem aí para a degradação do espaço público, pois tem tudo que precisa dentro da fortaleza “condomínio”, e o que não encontra lá está no “xópi cênti”, ambos devidamente aclimatados com ar condicionado e cercados da mais cara segurança artificial.

    Mas é assim que o povo gosta. Meu colega de trabalho esteve recentemente na Alemanha, onde sendo jardineiro ou advogado tem-se praticamente o mesmo nível de vida, onde pedestres e ciclistas são respeitados, onde andar pelado no parque não é nada mais do que uma opção pessoal (e ninguém te enche o saco por isso), onde não existem cobradores nos transportes públicos, mas ele diz que jamais moraria num lugar assim. O motivo? é justamente a ausência do abismo social. Mesmo ganhando muito bem, ele não poderia ter uma empregada doméstica lá (teria que pagar um salário decente, impossível para pessoas físicas), não poderia se “sobressair” ostentando riqueza, mesmo porque ninguém liga muito pra isso lá… então o que ele quer mesmo é ser RICO, e no BRASIL, para poder ter 20 escravos e uma fortaleza – ou seja, COMPRAR sozinho o conforto dos poucos PARA SI em vez de construí-lo JUNTO com todos PARA TODOS.

    Um país é construído por seus habitantes.

  10. Posted 16/01/2008 at 10h48 | Permalink

    Muito Bom Gunnar, você definiu perfeitamente o ” Homem ” Brasileiro.

    Espero que o Michel veja os comentários, reveja os seus conceitos e crie um para si mesmo, afinal de contas cada um pensa o que quer. e isso é um forum de discursão.

  11. Edgar Ludd
    Posted 16/01/2008 at 11h25 | Permalink

    Este post e os comentários derivados dele são ótimos !!

    Sou novo por aqui, gostei muito do site e sempre que possível estou entrando para ver algo postado de novo, ler, aprender, trocar idéias …

    A “discussão” acima é rica de informação e conceitos que merecem sempre muita conversa e esclarecimentos, pois vivemos numa hegemonia que está sempre tentando nos fazer mais alienados,

    Vejo como “uma de nossas funções”, divulgar, concientizar, agregar para que aos poucos e com a força do (nosso) coletivo consigamos mudar a opinião pública sobre o estilo de vida que é imposto para todos.

    Desta forma considero saudável o “radicalismo” do luddista e o “contraponto” do Michael, e melhor ainda os desdobramentos que surgiram nos comentários, este ativismo, mesmo que no caso virtual, é fundamental para a nossa luta e contestação,

    Estarei na bicicletada de janeiro e espero encontrar todos por lá !
    Abraço Ativo !!

  12. Posted 16/01/2008 at 11h46 | Permalink

    O problema do Brasil não é a política em si, é o POVO. Não só a ralé, mas todo mundo, sabe porque? Quem tem dinheiro vive no mundinho do faz-de-conta dos condomínios, e quem não tem fica a invejar. Nós somos uma nação hipócrita, que copia mal e porcamente o capitalismo.

    http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=682206961117712653

  13. Posted 16/01/2008 at 13h09 | Permalink

    Uma nação Hipócrita, Egoísta e Individualista.

    o de TODOS é de ninguem, a maior frase que você escuta da boca das pessoas é ” eu to fazendo minha parte ” parte de que? Individual Lógico! quem tem, tem. quem não tem, se vire para ter.

    Com relação a Política, acredito que tenha um papel sim, a muito tempo as pessoas já não acreditam mais, é muita corrupção que cansa, o comodismo e o jeitinho brasileiro acabam por ruir, os valores sociais, da troca e do coletivismo, tronando o capitalismo cada vez mais forte, consequentemente a desigualdade social, má distribuição de renda e todos os fatos que vemos na TV jornais por todo o brasil.

    e na minha opinião o que está acabando com o país são os estudantes comodistas, 98% de todos o país, que não vão as ruas brigar e lutar por direitos.

    http://blogciclourbano.blogspot.com/

  14. Jhonatan
    Posted 17/01/2008 at 10h12 | Permalink

    Mas não dá para ficar esperando eternamente pelo governo para ter conforto. Se não há a construção de praças públicas, não é culpa das pessoas e sim do poder público que investe na cidade. E não acho errado uma pessoa que estuda e trabalha investir o seu dinheiro no seu conforto e na sua qualidade de vida. Eu mesmo, moro aqui em Brasília, aqui se você quiser se divertir você tem que ter carro ou sair com alguma pessoa que tenha. É fato, em muitos locais aqui não há transporte público, ou os ônibus param de circular cedo, (se sair a noite tem que ser de carro se não dorme na rua) e aonde tem é péssimo. E a bicicleta aqui é inviável para a maioria das pessoas, pois tudo aqui é longe e transporte público é péssimo e não atente a cidade inteira. Então carro aqui é necessidade.

    Eu normalmente uso o precário transporte público do DF apenas para trabalhar e estudar, para me divertir, sair a noite, e cumprir outras tarefas do dia a dia como ir ao médico ou ao super mercado, eu uso carro.

    Essa é a minha humilde opinião, pois não podemos ser extremistas, tem que ver o lado de todas as pessoas antes de sair criticando intensamente.

  15. Gunnar
    Posted 17/01/2008 at 16h34 | Permalink

    Jhonatan

    Acredito que o Luddista use exemplos pontuais e específicos para falar de questões e tendências universais. Esse anúncio da foto é muito mais um SINAL do tipo de sociedade que estamos construindo do que um problema em si.

    É claro que “não dá pra ficar esperando eternamente pelo governo”, e a questão nem é essa! A questão é a mentalidade geral que está tomando conta da nossa sociedade. Essa mentalidade tem como origem cada um de nós e como conseqüencia o tipo de cidade, país e planeta que construímos.

    O problema não é usar o carro por uma questão de necessidade, emergência, etc; o problema é colocar o “uso do carro” como prioridade sobre quase todas as outras questões pertinentes ao planejamento urbano. O problema é se conformar com o estado atual das coisas. Você, por exemplo, usa o carro porque não há outra saída – mas, imagino que se fosse viável, usaria o transporte público ou a bicicleta. Cabe a você, então, protestar, exigir, e, por que não, pedalar, mesmo que seja perigoso ou inviável. Pois só com a devida demanda, com a MASSA CRÍTICA nas ruas é que seremos ouvidos, vistos, respeitados e levados em conta na hora de construir a cidade.

    O que nos assusta são pessoas que, como o meu supracitado colega, não só se conformam, mas GOSTAM da situação assim como ela está. Isso faz parte de um conjunto de fatores que, no final, deturpam totalmente a discussão em torno do transporte urbano de pessoas, no qual a busca pela mobilidade em si é cada vez mais deixada de lado. Por exemplo:a maioria dos usuários de transporte público não deseja que a qualidade do transporte melhore. Ao contrário, querem mais é ter dinheiro suficiente para poder comprar seu próprio carro e ficarem eles também trancados no trânsito, porém zombando silenciosamente dos coitados que ainda “dependem de ônibus”.

  16. Posted 17/01/2008 at 17h37 | Permalink

    Em Brasília, além de não podermos contar com o transporte público, existe um ambicioso cartel dos DONOS dos POSTOS DE GASOLINA paralelamente com o cartel existente dos “donos” das empresas de ÔNIBUS. Isto nada mais é do que o reflexo da distribuição de renda no Brasil: poucas pessoas detêm enquanto a grande MASSA DEPENDE deles.

    Em contrapartida o uso de bicicleta na cidade está em ascenção. A geografia favorável, por ser uma cidade relativamente plana, e a ausência de cruzamentos faz com que o uso da bicicleta como meio de transporte seja “viável”, mesmo que na rua junto aos carros. Também sou motorista e acretido que ao compreender como o trânsito funciona, andar de bicicleta em meio aos carros se torna uma atividade mais segura, des-estressante e porque não, uma AVENTURA.

    Não fiquemos sentados esperando a boa-ação governamental.
    Vista a camisa, e o capacete, e pedale nas ruas! Devemos ser vistos para que não sejamos esquecidos!

    Saudações Ciclísticas

  17. Posted 19/01/2008 at 17h33 | Permalink

    Bom, aqui em Curitiba há uma academia que possui um ônibus em que os clientes podem deslocar-se pela cidade pedalando bicicletas ergonômicas (é assim que se fala?). Alega-se segurança. Que tal?

  18. Michel
    Posted 21/01/2008 at 10h06 | Permalink

    “Mas do ponto do espaço público, da coletividade, a criação de castelos com “tudo dentro” (devidamente cercado e vigiado) significa a morte das cidades”.

    Eu parto do princípio que, em um terreno particular, cabe aos proprietários decidir o que fazer com ele, desde que em conformidade com as leis locais. Não entendi o que praças têm a ver com áreas particulares, não foram os construtores de condomínios que acabaram com as praças. Você diz que é um modelo que segrega as pessoas. Não segrega, porque segregar tem ímplicita a idéia da imposição. As pessoas vão morar em condomínios porque querem. Você gostaria que elas não tivessem essa opção. Eu acho um discurso autoritário.

    “Pegar a bicicleta ou caminhar até o ponto de ônibus para ir até um parque ‘malhar’” é bem mais interessante, não concorda?”
    Questão de preferência, eu não gosto de malhar em lugar nenhum, o que faço é por razões de saúde, mas para quem quer treinamentos de alto nível, acho difícil obter os meus resultados numa praça. A bicicleta é um bom exercício, mas não deve ser uma imposição. Luddista, as pessoas devem ter liberdade para fazer escolhas, contanto que suas escolhas não influam muito na liberdade das outras pessoas. Por isso, acho a crítica aos automóveis válida; às academias e condomínios, não.

    Do comentário do Gunnar:
    “O que nos assusta são pessoas que, como o meu supracitado colega, não só se conformam, mas GOSTAM da situação assim como ela está”.
    Não sei se o supracitado era eu. Eu não sou de São Paulo. Nasci no Rio, mas saí da cidade há algum tempo, indo para Minas. Espero não voltar nunca mais. Para mim, conformar-se é ficar resmungando que “o Rio de Janeiro é muito violento, que a desordem urbana carioca é aquilo, que precisamos fazer alguma coisa, blá blá blá” e amanhecer 365 dias por ano na cidade. Hoje eu vejo as notícias do Rio com o mesmo distanciamento que as de Bagdá. Até porque a situação é semelhante.

  19. Michel
    Posted 21/01/2008 at 15h54 | Permalink

    O mais engraçado é que no anúncio o maior lugar tem 100 m2. E virou castelo. É muita distorção.

  20. Posted 22/01/2008 at 0h13 | Permalink

    Michel, também acho uma distorção que os castelos hoje em dia tenham 100 metros quadrados e paredes de gesso (ou “dry wall”, como gostam alguns).

    Quando falei de castelo, não falava do tamanho, mas da ponte elevadiça, dos guardas nas torres e dos jacarés no fosso. (ou, se preferir, dos dois portões automáticos com “chiqueirinho”, dos porteiros nas guaritas com vidros escuros e das cercas eletrificadas).

    Acho muito bacana a discussão toda aqui. Também nunca tive saco pra academia, mas não tenho absolutamente nada contra quem gosta. O que falava na postagem era sobre um modelo de cidade, sobre como o conjunto de coisas se organiza no espaço e na vida das pessoas (a praça pública, o condomínio privado, a academia, a rua, o parque, os carros).

    São Paulo é uma cidade construída pela especulação imobiliária, isso é fato que nem os donos de construtoras negam. Sem saudosismo ou melancolia (pois não sou presarvacionista besta), é a cidade “que cresce e destrói coisas belas”.

    A especulação imobiliária baseia-se em: “fazer de todo espaço uma fonte de lucro”.

    Se não existe uma regulação coletiva, do poder público, da sociedade, do interesse que é de todos (e não só do dono da construtora ou das dezenas de famílias que vão moarar ali), a praça some, o parque some, a rua como espaço público some (pode ser que reapareçam dentro do condomínio, mas aí não é mais praça, não é mais parque, pois não é de todos).

    Só digo que precisa haver um balanço entre os interesses privados e os interesses públicos. O interesse de alguns não pode se sobrepor ao interesse de todos. Infelizmente em São Paulo o que acontece é o exato oposto. E aí o “prefiro pegar o elevador do que pegar o carro para ir malhar” aparece como uma ilustração desse quadro, onde quem tem dinheiro pega o elevador para ir malhar e quem não tem fica em casa vendo televisão.

    Como disse o Gunnar, não é uma crítica a hábitos individuais. É uma provocação, um instantâneo de uma sociedade que está seguindo caminhos complicados para a sua própria sobrevivência enquanto sociedade.

    De novo, muito bacana a discussão toda aqui.

  21. Gunnar
    Posted 22/01/2008 at 7h17 | Permalink

    Michel

    O colega a que me refiro é o carinha que não curte o primeiro mundo (Alemanha, no caso).

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