Prazer nas ruas

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fotos: polly

Uma das melhores bicicletadas dos últimos tempos. Arte, ação direta, alegria, convivência e educação para aliviar o trânsito agressivo de sexta-feira à noite em São Paulo.

Bicicletas no asfalto, arte na praça, massa crítica no “drive thru” e a instalação da primeira “Ghost Bike” de São Paulo.

A massa crítica de novembro tomou as ruas com convidados ilustres e ilustres anônimos. Novos e velhos amigos celebrando a vida, a paz e o simples prazer de estar no espaço público.

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“Mona Caron’s work in progress”: de São Francisco, a artista desembarcou em São Paulo para compartilhar a experiência de quem viveu a origem da massa crítica e viu a cidade (im)possível brotar a partir da reocupação das ruas.

Ela aproveitou para deixar sua arte na Praça do Ciclista. Tomara que a lei “Cidade Limpa, Muro Cinza” saiba diferenciar arte de vandalismo.

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“Bicicletada’s work in progress”.

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foto: luddista

Última sexta-feira de novembro. O mar não estava para peixe. Ou melhor, as ruas não estavam para os seres humanos. Trânsito pesado, gente estressada, entediada e sozinha dentro das bolhas a combustão.

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Impossível encontrar um momento mais oportuno para mostrar que existe mobilidade além do pára-brisa e perguntar: “Quem causa o trânsito?”.

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Pedalando até a av. Luís Carlos Berrini, os participantes da Bicicletada montaram a primeira “Ghost Bike” de São Paulo. Homenagem a um dos 84 ciclistas mortos em 2006 e um lembrete: não deixe a sua angústia virar assassinato. Respeite o ciclista.

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álbum de fotos: contraponto e fuga
álbum de fotos: André Pasqualini
relato e fotos: contraponto e fuga
fotos: mona caron
relato e fotos: ciclobr
Bicicletada na mídia
Asas
álbum de fotos toscas: luddista

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9 Comments

  1. Luis
    Posted 04/12/2007 at 12h16 | Permalink

    Muito legal.
    Seria mais bacana ainda se o ciclista tivesse um nome…

  2. Julio
    Posted 10/12/2007 at 9h16 | Permalink

    Fala galera!

    Seguinte, acho o movimento de vcs animal! Entro quse todo dia no teu site e no do André. Sou um ciclista apaixonado, detesto carros e a bicicleta é meu principal meio de transporte há mais de dois anos. Inclusive, inspirado pelas viagens do André, quero fazer uma viagem de bike nas minhas próximas férias.

    Porém… po, tenho achado o movimento um pouco exagerado. Acho que a manifestação tá começando a esbarrar no direito dos outros.

    Sempre curti as pixações de bicicletas nas ruas, mas elas agora tão se reproduzindo q nem coelhos. Em todo lugar tem uma – e já vi pixada inclusive em muros e postes.

    Fico triste, pq nunca foi a associação que fiz ao movimento de vcs. Deixa a nossa cidade mais feia, e banaliza o ícone (meu irmão achava que aquele desenho marcava uma ciclofaixa, mas com certeza vai mudar de opinião se o vir num muro).

    Enfim, só não quero perder a admiração que tenho por vcs há tanto tempo. Sempre tive vontade de participar de uma bicicletada, mas hj honestamente não me animo mais por sentir que a coisa está beirando o desrespeito. Concordo com tudo q vcs dizem – o carro é uma bosta, e totalmente insustentável – mas essas mudanças culturais levam tempo pra acontecer.

    Sei q provavelmente não é vc quem faz as pixações, mas imagino q vc conhece as pessoas. Não quero dar sermão nenhum, só quero fazer esse alerta – e vem de um cara que curte muito tudo q vcs fazem.

    Abração e obrigado pela grandeza q vcs dão ao ciclismo em São Paulo.

    Julio

  3. Posted 10/12/2007 at 18h28 | Permalink

    Julio, um esclarecimento:
    a Bicicletada é um encontro de pessoas, não é um movimento com propostas. reivindicações e organização formal. São pessoas que se encontram uma vez por mês em um horário e local convencionado, como outros se encontram em shoppings, danceterias, parques ou estádios de futebol.

    A diferença é que neste encontro não existe nada condicionado, ou seja, não se vai para comprar, para dançar, para passear ou para descarregar a testosterona.

    Desta forma, o que acontece nas Bicicletadas não é um plano, um projeto ou algo que alguém disse: “faça assim”. E durante as bicicletadas, nenhum muro foi grafitado, a não ser o da Praça do Ciclista.

    Outro esclarecimento importante: este site não é “porta voz” da bicicletada e as opiniões aqui emitidas são pessoais, não coletivas. (aliás, relatos distintos sobre as bicicletadas sempre são postados como links aqui).

    Dito isso, respeito a tua opinião sobre “bicicletas por todos os lados”, apesar de gostar mais delas em um muro do que de abrir um jornal de domingo e ter que cavar fundo no meio dos anúncios até achar algum jornalismo.

    As bicicletas brancas pelo chão não surgiram como um “protesto por ciclovias” ou “contra o carro”, surgiram como manifestação de arte urbana que interage com o espaço da cidade. Eu, particularmente, sou contra o reducionismo que pede “mais ciclovias” como condição única para o uso das bicicletas. Precisamos de espaço (mínimo) e respeito. Só isso. Mas entre os que participam da Bicicletada, existem muitas e muitas opiniões divergentes (e essa é a grande riqueza da história toda)

    Enfim, se a galera passou do asfalto para os muros, não foi porque o “movimento” decidiu sair pintando biciceltas em todos os lados. Aliás, pode até não ter sido um dos participantes dos encontros mensais.

    Como disse, respeito a tua opinião: só peço que faça a distinção entre uma pichação em uma estátua e uma bicicleta pintada no asfalto (ou até mesmo em um tapume, parapeito ou até mesmo muro, dependendo de qual for esse muro).

    Exagero, na minha opinião, é queimar carro, agredir motorista ou desrespeitar a faixa de pedestres.

    Enfim, com disse, a Biciceltada é um encontro de múltiplas opiniões, de exercício da coletividade, da discussão e da ação no espaço público. Coisas cada vez mais raras hoje em dia. Então, sinta-se à vontade para aparecer e trocar essas idéias.

    Grande abraço

  4. Posted 10/12/2007 at 20h29 | Permalink

    Julio, um adendo:
    não quis em nenhum momento ser irônico ou desrespeitoso (tá certo, só no caso da testosterona), só estava tentando explicar “o que é a bicicletada”.
    abraço,

  5. Julio
    Posted 11/12/2007 at 15h59 | Permalink

    Oi cara, fique tranquilo que não fiquei desapontado nem me senti ofendido. Na verdade, realmente me ajudou a entender melhor a bicicletada. Faz muito sentido o que vc disse.

    Outra coisa: concordo com você que respeito já seria mais do que suficiente pros ciclistas – e mais importante do que as ciclovias.

    Enfim, acho que concordamos em quase tudo – só que eu me incomodo com as bicicletinhas pixadas. Não é o fim do mundo. :)

    E, de novo, queria deixar claro que acho o seu site e do André (que faz um puta trabalho pelas bikes) do cacete – tanto que entro aqui todo dia.

    Abração,
    Julio

  6. Posted 11/12/2007 at 21h59 | Permalink

    Ei Julio, legal! Que bom que o esclarecimento sobre a bicicletada serviu. Não é uma forma de organização convencional, então às vezes fica difícil de explicar/entender. Mas “encontro” é um bom termo.

    E acabar com as pequenas divergências: que todas as bicicletas pintadas se transformem em bicicletas de verdade circulando pelas ruas!

    abraço

  7. Posted 28/01/2008 at 23h47 | Permalink

    Hi, the Street Memorial Project in NYC has launched website to link worldwide ghost bike actions. We have added your project to the site. It looks great.

    http://www.ghostbikes.org/sao-paulo

    Please let us know about further actions and send us more info!

    -Ellen

  8. Murilo Rodrigues
    Posted 19/03/2009 at 10h53 | Permalink

    Olá,

    Fui a Sampa final do ano passado e percebi a ciclofaixa na paulista… Louvá-vel!!!

    Ao folhear a Revista Urbania vi o registro do bicicletada e achei muito bom o espaço que ganharam.

    Sou arquiteto, urbanista e artista visual e tenho pesquisa na área em intervenções urbanas, tanto em urbanismo como arte urbana. Fui premiado no concurso de pautas do Banco da Amazônia esse mês com uma vídeo instalação que simularei a tomada das ruas pelas bicicletas brancas, fazendo uma abordagem poética sobre o andar de bicicleta.
    Antecedendo a exposição, faremos uma bicicletada numa avenida importante da cidade, recém reformada com um largo e suntuoso canteiro central e sem nenhum espaço para o ciclista, que tem de se arriscar entre os carros… usarei bicicletas brancas nessa exposição e nessa bicicletada.
    Seria bom ter um representante do bicicletada nesse passeio demarcando as ciclofaixas nessa avenida…

    Parabéns pelo trabalho.

  9. trainsppotting
    Posted 19/05/2009 at 1h56 | Permalink

    Ola pessoal,
    muito massa o movimento.
    onde consigo este “logo” para usar no asfalto aqui em guarulhos-sp?

    abs

9 Trackbacks

  1. By Asas « apocalipse motorizado on 04/12/2007 at 15h03

    […] de Mona Caron na Praça do Ciclista, realizado durante a Bicicletada de Novembro, logo depois de pedalar pela primeira vez em um congestionamento […]

  2. […] painel pintado na Praça do Ciclista pela artista Mona Caron durante a bicicletada de novembro já não existe mais. Foi apagado pelo programa Cidade Limpa, Muro Cinza no final de 2007, afinal […]

  3. […] besta: por que apagar a arte feita por Mona Caron na Bicicletada de novembro se a praça entraria em reforma logo em seguida? Plim-plim… This entry was written by […]

  4. […] A Praça foi também o primeiro (e ainda único) espaço da cidade a disponibilizar uma parada de ônibus com o itinerário completo de todos os coletivos que passam pelo local. Recebeu mudas de árvore e presenças ilustres. […]

  5. […] O projeto ghostbikes.org tem como objetivo catalogar todas as bicicletas fantasma instaladas ao redor do planeta (inclusive a de São Paulo). […]

  6. […] policial. Às 15h, será colocada uma “ghost bike” no local do acidente (semelhante à que foi colocada em São Paulo, uma forma de protesto realizada em todo o mundo). Mais informações sobre as […]

  7. […] A primeira Ghost Bike foi instalada no final de 2007, na Av. Luis Carlos Berrini, um dos principais eixos comerciais e de negócios da cidade. Foi retirada em poucos dias (acredito que tenha sido retirada até no dia seguinte). Ficava em um bairro nobre, em frente a um banco de luxo e não foi bem compreendida. Era feia, ruim para os negócios. Sumiu rapidamente. […]

  8. […] A primeira Ghost Bike foi instalada no final de 2007, na Av. Luis Carlos Berrini, um dos principais eixos comerciais e de negócios da cidade. Foi retirada em poucos dias (acredito que tenha sido retirada até no dia seguinte). Ficava em um bairro nobre, em frente a um banco de luxo e não foi bem compreendida. Era feia, ruim para os negócios. Sumiu rapidamente. […]

  9. […] A primeira Ghost Bike foi instalada no final de 2007, na Av. Luis Carlos Berrini, um dos principais eixos comerciais e de negócios da cidade. Foi retirada em poucos dias (acredito que tenha sido retirada até no dia seguinte). Ficava em um bairro nobre, em frente a um banco de luxo e não foi bem compreendida. Era feia, ruim para os negócios. Sumiu rapidamente […]

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