O fim já começou

congestionamento_final.jpg

Quanto tempo ainda nos resta até o congestionamento final, até o dia em que a cidade vai parar para nunca mais andar?

Quantas linhas de metrô serão prometidas em época eleitoral e nunca construídas até que este dia chegue?

Quantos quilômetros de ciclovias ou de corredores de ônibus serão colocados no papel para jamais sair das gavetas e escaninhos de repartições públicas e privadas?

Quantas notícias sobre mortos e feridos em “acidentes” de trânsito? E quantos páginas ocupadas por anúncios de final de semana prometendo liberdade, status e poder em uma bolha metálica de duas toneladas?

Quantos vidros serão escurecidos pela indústria do medo enquanto milhares de assassinatos são cometidos por quem está dentro das bolhas?

Quantos consultores e especialistas em trânsito emitirão sábias opiniões para solucionar o “trânsito” sem tocar nas causas do problema?

Quantas horas e vidas serão perdidas até que a redenção do congestionamento final faça com que os paulistanos percebam que não existe solução individual para problemas coletivos?

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=Jl_SeotS5B4]

A julgar pelo final de ano em São Paulo, este dia está cada vez mais próximo. Dirigir para comprar, comprar para dirigir. O fim (do ano) se aproxima. Muitos morrerão até lá, moto-embriagados ou vítimas de assassinos que pagam cestas básicas e se livram dos crimes cometidos.

No dia final, morrerão todos de tédio em seus bancos de couro, com DVD players mostrando vídeos pasteurizados dentro de bolhas refrigeradas. Sozinhos, sem largar a propriedade privada comprada à vista ou em 99 prestações.

Quem sabe neste dia o caminho será aberto para quem nunca dependeu de cápsulas segregacionistas sobre quatro rodas para se locomover ou para aqueles que anseiam por novos paradigmas urbanos para a vida humana.

Se tiver que ser assim, que seja. Que este dia venha logo, para que as crianças possam brincar nas ruas, para que idosos possam caminhar pelas calçadas, para que todos os seres humanos possam experimentar a cidade de todas as formas, livres da opressão, do barulho e da violência motorizada.

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15 Comments

  1. Posted 23/11/2007 at 0h52 | Permalink

    Luddista, creio que você vai achar interessante esse trechinho de uma artigo que a Cora Rónai escreveu após ter sido atropelada por uma motocicleta. Serve para a reflexão desta postagem e de diversas outras aqui do blog.

    “Muita gente quis que eu fizesse boletim de ocorrência do atropelamento. A culpa, no entanto, não foi do rapaz que me atropelou. Enquanto motos forem consideradas veículos inofensivos pelo Detran, enquanto costurar for prática rotineira e aceita por todos, enquanto empresas prometerem a seus clientes que podem entregar qualquer coisa em qualquer lugar da cidade em dez minutos, não haverá boletim de ocorrência que adiante nada. Os motoboys são pobres diabos que se acidentam continuamente e morrem como moscas em troco de uma miséria. São uma ferida social que não se cura com queixa na polícia.”

    O resto do artigo, caso você ou outro leitor que leia os comentários se interesse, está em http://cora.blogspot.com/2007/11/dirios-da-motocicleta-estou-com-o-n95-e.html

    Abraços.
    Ulisses.

  2. Gunnar
    Posted 23/11/2007 at 8h01 | Permalink

    Lindo texto!

  3. Lilx
    Posted 23/11/2007 at 8h04 | Permalink

    Belo texto e vídeo.
    Haha, ainda bem que percebi cedo os benefícios da bicicleta e aprendi que carro em São Paulo não é um meio de transporte, mas um meio de perder tempo e dinheiro.

  4. Posted 23/11/2007 at 8h52 | Permalink

    Legal o vídeo! Muito bom para ver a (i)mobilidade que o carro dá para as pessoas. O pior de tudo é que isso não é um “privilégio” de cidades enormes como São Paulo. Aqui mesmo em Brasília, dita “ilha da fantasia”, reflexos dessa idéia de “um carro para todos” já se fazem ver. Todas terças e quintas eu vou para o trabalho pouco mais tarde (8h30) e por isso “pego” um grande engarrafamento no Eixo Monumental (que tem 6 pistas!). O trecho que ando é pequeno, uma subida suave de uns 2km no máximo, mas já é suficiente para deixar os carros láááá atrás, presos no congestionamento diário dessa hora. Se eu tivesse essa agilidade que você tem com a câmera e bicicleta eu faria um pequeno vídeo para mostrar…

  5. Posted 23/11/2007 at 12h08 | Permalink

    Excelente texto!! Foi o post mais “tapa na cara” que já li sobre o assunto!!
    Deveria ser publicado no jornal!

  6. Posted 23/11/2007 at 13h07 | Permalink

    ainda hoje comentava com uma amiga, outro dia li uma notícia que dizia que iriam ampliar o Parque Ibirapuera, puxa, legal, todo o estacionamento da Assembléia Legislativa se transformaria em Parque, verde, etc, mas logo a seguir, diziam da construção de um estacionamento subterrâneo. Não, não…parem tudo, que cidade que vivemos tão escravos desses motores?

  7. Anderson
    Posted 23/11/2007 at 14h33 | Permalink

    Belo post. Uma mão na luva. Tiro certeiro.
    O apocalipse veicular está bem próximo. E as previsões para a industria automobilistica em 2008 é vender ainda mais do que em 2007. Ainda mais que agora dá para comprar um mamute, como gosto de chamar os carros, em 50, 100 vezes. Quando tudo parar e a sociedade nao puder seguir o seu ritmo diario, talvez a coisa melhore. Por enquanto: haja paciência!!!.
    Abracos

  8. zé álvaro
    Posted 23/11/2007 at 15h15 | Permalink

    muito bom o vídeo. vejo vocês no rio.

  9. Posted 23/11/2007 at 18h26 | Permalink

    Fiquei pensando no carro lá de trás. Deve ter andado uns 5 metros nestes 10 minutos de vídeo.

  10. Posted 25/11/2007 at 23h17 | Permalink

    Thiago,
    Saiu hoje (25/11) no programa Domingo Espetacular da Rede Record uma data para São Paulo parar. Será em 14 de novembro de 2012, com um engarrafamento de mais de 500km.
    “Neste fim de semana (25/11) o Domingo Espetacular traz uma matéria de Paulo Henrique Amorim impressionante. A data para uma catástrofe urbana: especialistas explicam quando e por que o excesso de carros vai destruir São Paulo. O número de veículos emplacados por dia na cidade é superior ao número de nascimentos (cerca de 700 carros para cerca de 500 bebês). Está previsto um congestionamento gigante que marcará a degradação total da qualidade de vida urbana na capital paulista. Algo tão grave que até hoje só foi imaginado na literatura.”
    Ver 25/11 REPORTAGEM DA SEMANA em:
    http://www.mundorecord.com.br/record.jsp

  11. Posted 27/11/2007 at 17h12 | Permalink

    O trânsito é chato até de assistir pelo vídeo.

  12. Posted 28/11/2007 at 11h33 | Permalink

    Até Brasília está entrando nessa:

    http://bicicletanavia.multiply.com/journal/item/114

  13. Posted 28/11/2007 at 11h48 | Permalink

    Cheguei neste post por indicação e gostei muito do que li. Realmente acho que o grande caos está por vir, e torço para que seja o começo de novas ações do povo pelo povo, e que esqueçamos as propostas políticas, todas elas, todos eles. Grande Abraço!

  14. Alexandre
    Posted 04/03/2008 at 12h57 | Permalink

    Você é um imbecil. Vai fazer algo de produtivo com sua vida!

  15. Leonardo Cuevas
    Posted 05/03/2008 at 11h24 | Permalink

    […]Vai fazer algo de produtivo com sua vida![…]

    (o_O)
    É exatamente isso o que estamos fazendo…

    Estas son las cadenas de la libertad!
    ,_~o
    _-\_<,
    (*)/’(*)

3 Trackbacks

  1. By Cansado de esperar? « Panóptico on 28/11/2007 at 9h06

    […] deveria jogar outro jogo, controlar os ataques das empresas ao dia-a-dia do trabalhador que não torna a vida na cidade impossível e defender os sistemas construídos pela sociedade para seu o conforto […]

  2. By Como você anda? « O Cético on 03/03/2008 at 22h09

    […] que me sustenta, é ler pequenas pérolas como eventualmente encontro em alguns sites da internet. Mas só nos resta lamentar que comerciais como este jamais irão ao ar […]

  3. […] governo Haddad venha a pagar o mesmo preço em São Paulo. Não será ele o único culpado pelo congestionamento final, dada a popularidade que o uso do carro ainda goza em nossa sociedade, mas talvez o responsável […]

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