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	<title>apocalipse motorizado &#187; antropologia</title>
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	<description>articulações e reflexões para superar a sociedade do automóvel</description>
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		<title>Antropologia do congestionamento</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 21:54:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luddista</dc:creator>
				<category><![CDATA[bicicletas]]></category>
		<category><![CDATA[cidades (im)possíveis]]></category>
		<category><![CDATA[são paulo]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicopatas]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: miss shari O comportamento do motorista paulistano poderia render teses e mais teses em univesidades. Antropologia, psicologia, direito, economia&#8230; são infindáveis as áreas do conhecimento que poderiam estudar o comportamento psicótico, destrutivo e anti-social dos ratinhos presos sozinhos dentro das máquinas de quatro rodas, querendo chegar em casa rapidamente e, por isso, considerando todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a  href="http://www.flickr.com/photos/hamsters/245044466/"><img class="size-full wp-image-3390 aligncenter" title="hamster_car" src="http://apocalipsemotorizado.files.wordpress.com/2008/10/hamster_car.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><span style="font-size:.9em;font-style:italic;color:#9b9898;">foto: <a  href="http://www.flickr.com/photos/hamsters/245044466/" target="_blank">miss shari</a></span></p>
<p style="text-align:justify;">O comportamento do motorista paulistano poderia render teses e mais teses em univesidades. Antropologia, psicologia, direito, economia&#8230; são infindáveis as áreas do conhecimento que poderiam estudar o comportamento psicótico, destrutivo e anti-social dos ratinhos presos sozinhos dentro das máquinas de quatro rodas, querendo chegar em casa rapidamente e, por isso, considerando todos os outros ratinhos como inimigos e os seres humanos como obstáculos.</p>
<p>Segue abaixo a minha interação de hoje com o hamster motorizado:</p>
<p style="text-align:justify;">Depois da tradicional fina e da tradicional parada do homicida no congestionamento, 50 metros adiante, a tradicional abordagem (detalhe: o figura tava dando um migué na faixa do ônibus, fingindo que ia entrar a direita com a seta ligada por três quarteirões, que foi o tempo da agradável conversa):</p>
<p style="text-align:justify;">- Boa tarde, tudo bem com o senhor? Que trânsito, não é mesmo? O senhor sabia que ao ultrapassar uma bicicleta, o senhor deve manter uma distância lateral segura, mais ou menos 1,5 metros?</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah sim, mas eu passei longe de você&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Não, o senhor não passou. Passou a 20 centímetros de mim. E sabe porque é bom manter distância? Porque o senhor pode matar uma pessoa se não fizer isso, pode derrubar e matar. E o senhor não tem cara de assassino nem vai querer dormir com esse peso na consciência, não é mesmo?</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu respeito ciclistas. Eu até tenho uma bicicleta em casa&#8230;.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah sim, todo mundo tem uma bicicleta em casa&#8230;.</p>
<p style="text-align:justify;">- Mas eu acho que nesse horário (17h30) não deveria ser permitido andar bicicleta aqui&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah não?!?! Por que?</p>
<p style="text-align:justify;">- Porque é perigoso&#8230;.</p>
<p style="text-align:justify;">- Pois é, então o senhor devia consultar o Código de Trânsito e vai ver que nós temos o mesmo direito que você, que as pessoas que estão no ônibus ali atrás, que quem está de moto de se locomover. O que o senhor está sugerindo é uma total inversão de valores, sabe por que? Porque a Constituição assegura a todos o direito de ir e vir, e o Código de Trânsito diz que cabe ao maior zelar pelo menor. Se eu estivesse dirigndo um caminhão, o senhor não passaria tão perto de mim, não é mesmo? E sabe porque a lei diz isso? Para preservar a vida, para tentar diminuir o número de 50 mil mortos por ano no trânsito brasileiro. Porque se aquele ônibus bater no seu carro, é você quem leva a pior, então ele tem que zelar pela sua vida, mesmo que o senhor esteja cometendo uma infração, como usar a faixa exclusiva de ônibus. Da mesma forma o senhor tem que zelar pela minha vida e por aí vai&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Mas tem muito trânsito, é perigoso&#8230; Eu acho que nessa hora do dia vocês deveriam andar na calçada.</p>
<p style="text-align:justify;">- Então, eu não pego trânsito e desculpa se estou enchendo o seu saco, mas é que eu gosto de conversar no trânsito. De bicicleta a gente faz isso. De carro não dá, né? A gente tem que mudar marcha, acelerar, freiar, dar seta, e se parar o carro de trás buzina&#8230; Então só estou falando para você pensar que quem anda de bicicleta é amigo de quem anda de carro. A gente ajuda vocês a ficarem menos tempo no congestionamento, porque a gente não ocupa tanto espaço como vocês, não polui o ar e não mata ninguém em acidentes. Então, me desculpa novamente pela encheção e bom trânsito pra você&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">E fui, pedalando, enquanto o figura continuou ali, pateticamente dando uma de &#8220;joão sem braço&#8221; na faixa do ônibus, sozinho, angustiado, mas (talvez) pensando&#8230;</p>
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