Sobre propaganda e gentileza

A primeira imagem é uma descoberta publicada no blog do Willian Cruz: propaganda de carro veiculada no MSN Messenger. Não é comovente a propagação de valores humanos de convivência evocados pela brilhante peça publicitária? A segunda está no site do automóvel: “seguro, valente, estável e confiável”.

É a deseducação do cidadão-motorista através de estímulos anti-sociais, muito mais potente$ do que qualquer campanha de educação. É por isso que alguns países discutem seriamente a proibição de propagandas de automóveis, cjuo uso desenfreado é uma verdadeira epidemia (a segunda causa de mortes não-naturais no Brasil, perdendo apenas para os homicídios).

Por falar em gentileza e educação, o Estadão adaptou e reproduziu uma pesquisa publicada no londrino The Times que considera São Paulo a 5a cidade mais “gentil” do planeta.

Engraçado que o jornal brasileiro não reproduziu a única parte da matéria original que cita a capital paulista: “Em São Paulo, até os ‘criminosos’ são gentis. Os ‘pesquisadores’ tentavam comprar um par de óculos em um mercado ilegal (camelô) quando a polícia chegou. O dono da banca ainda disse ‘obrigado’ antes de fugir (do rapa)”.

Mais engraçado ainda é a relação de tudo isso com o processo de limpeza social em curso no centro da cidade, que considera os motoristas mais cidadãos que os camelôs ao exterminar os calçadões e abrir espaço para os veículos daqueles que não se sentem “seguros” em conviver nas ruas de sua própria cidade (e isso não tem nada a ver com a garoa paulistana evocada pateticamente no anúncio do veículo).

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7 Comments

  1. f.a.
    Posted 22/06/2006 at 1h33 | Permalink

    Os comerciais de automóveis devem ter o mesmo destino dos comerciais de cigarros:
    A PROIBIÇÃO!!!!

  2. RAPHAEL PC
    Posted 22/06/2006 at 16h45 | Permalink

    É iSSO AÍ!

  3. Angéllica
    Posted 22/06/2006 at 17h02 | Permalink

    LoL
    O mais engraçado é o Estadão!
    E sim…as pessoas estavam presas no trânsito quando tentavam comprar pão na esquina de carro.

    Esses pesquisadores são ingênuos..

  4. Daniel Moura
    Posted 23/06/2006 at 3h15 | Permalink

    Concordo… comerciais de automóveis deveriam vir com o mesmo dizer q vêm em propagandas de cigarro: “O Ministério da Saúde adverte…” ou “O Ministério das Cidades adverte…”

    Se faz parte das diretrizes do Governo Federal, no seu Plano Nacional de Mobilidade, “priorizar os transportes coletivos e não motorizados” e “desestimular o uso do automóvel”… Por que não começar a fazer isso através de propagandas na mídia???

  5. Willian Cruzhttp://freeride.blig.ig.com.br
    Posted 23/06/2006 at 3h46 | Permalink

    Hoje eu li uma frase que achei bem interessante, dizendo mais ou menos assim: os governos insistem em incentivar as indústrias como geradoras de empregos e não de produtos.

    É exatamente o que vemos na indústria de automóveis. O governo dá incentivos, desconto em imposto, etc. na esperança que essas grandes empresas resolvam um problema do governo, o desemprego. Existe trabalho para ser feito e existe gente querendo trabalhar, só é preciso organizar as coisas para levar um ao outro e, nesse “organizar”, inclua-se capacitação técnica.

    Ah, sei lá, vai ver eu é que sou o maluco.

  6. Willian Cruz
    Posted 23/06/2006 at 3h46 | Permalink

    Hoje eu li uma frase que achei bem interessante, dizendo mais ou menos assim: os governos insistem em incentivar as indústrias como geradoras de empregos e não de produtos.

    É exatamente o que vemos na indústria de automóveis. O governo dá incentivos, desconto em imposto, etc. na esperança que essas grandes empresas resolvam um problema do governo, o desemprego. Existe trabalho para ser feito e existe gente querendo trabalhar, só é preciso organizar as coisas para levar um ao outro e, nesse “organizar”, inclua-se capacitação técnica.

    Ah, sei lá, vai ver eu é que sou o maluco.

  7. Zenga
    Posted 23/06/2006 at 15h23 | Permalink

    po, sem falar que a pesquisa é da “reader’s digest”, a famosa revista seleções…mais pasteurizada, enlatada e americanizada impossível.

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